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FAKE NEWS; O JOGO SUJO QUE AMEAÇA A DEMOCRACIA: Uma eleição deveria ser uma disputa de ideias, propostas e compromissos com a população. Mas, quando a mentira entra em campo como arma política, o debate dá lugar à manipulação, e o eleitor corre o risco de se tornar refém de informações fabricadas para enganar, provocar ódio e destruir reputações.
As fake news representam uma das faces mais preocupantes da política atual. Em vez de convencer pela força dos argumentos, há quem tente conquistar apoio distorcendo fatos, inventando histórias e espalhando acusações sem provas. É a tentativa de substituir a verdade pela conveniência eleitoral.
Isso não é estratégia política. É jogo sujo. E pouco importa se a mentira favorece a direita, a esquerda ou qualquer candidato. Quem utiliza a desinformação para manipular a opinião pública desrespeita o eleitor e enfraquece as regras básicas da convivência democrática.
O mais preocupante é que, nas redes sociais, uma mentira pode alcançar milhares de pessoas em poucos minutos, enquanto a correção muitas vezes chega tarde — quando chega. O estrago pode estar feito: reputações destruídas, famílias expostas, adversários injustamente atacados e cidadãos tomando decisões com base em informações falsas.
A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não deve servir de escudo para fraudes, falsificações e campanhas deliberadas de desinformação. Criticar um candidato é legítimo. Cobrar explicações é necessário. Apontar contradições faz parte da democracia. Fabricar fatos para enganar a população é outra coisa.
Nas eleições de 2026, o Brasil precisa decidir que tipo de disputa aceita tolerar. Não se trata de impedir opiniões divergentes, mas de impedir que a mentira seja tratada como ferramenta normal de campanha. A responsabilidade é de candidatos, partidos, apoiadores, plataformas e também de cada cidadão que compartilha conteúdo sem verificar sua origem.
Uma democracia não se fortalece com mentiras, e uma eleição não se torna legítima porque a desinformação favoreceu o lado vencedor. O voto pertence ao cidadão, não aos fabricantes de notícias falsas.
Quem espalha fake news pode até conseguir vantagem momentânea, mas deixa um prejuízo muito maior: a perda de confiança nas instituições, na imprensa e na própria verdade. E, quando a sociedade já não consegue distinguir fatos de invenções, a democracia fica mais vulnerável à manipulação.
Na política, vale disputar votos. O que não pode valer é enganar o povo para consegui-los. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA
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