A informação que constrói sociedade

Mais previsões: Previsao do tempo 30 dias

Sua opinião tem poder. Participe!

Governador de Rondônia?

Na sua opinião você acredita que o próximo governador de Rondônia deve eleger uma única prioridade para os primeiros anos de mandato?

Enquente de participação popular sem caráter científico ou eleitoral

APOIO NÃO SE IMPÔE: A vereadora Sofia Andrade defende Flávio Bolsonaro, mas a escolha presidencial de Léo Moraes pertence ao prefeito. Na democracia, apoio se conquista, não se exige. Na política brasileira, parece que defender um candidato já não é suficiente. Em certos grupos, é preciso também convencer todo mundo a vestir a mesma camisa, repetir o mesmo discurso e publicar a mesma declaração de apoio. Quem não acompanha o coro corre o risco de ser tratado como suspeito de infidelidade ideológica. Em Porto Velho, a discussão sobre o posicionamento do prefeito Léo Moraes em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro, do PL, à Presidência da República traz uma questão elementar: desde quando o apoio político de alguém precisa ser autorizado ou exigido por outra pessoa? A deputada federal eleita Sofia Andrade, identificada com o bolsonarismo, tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro, trabalhar por sua candidatura e tentar conquistar novos apoiadores. Isso faz parte da democracia. O que merece reflexão é a eventual pressão para que o prefeito também declare publicamente sua preferência. Uma coisa é defender convicções. Outra é querer transformar essas convicções em obrigação para os outros. A democracia garante o direito de convencer, mas não concede a ninguém o poder de escolher pelo próximo. Prefeito não é cabo eleitoral obrigatório Léo Moraes tem uma prefeitura para administrar e uma capital inteira com demandas que não esperam o desfecho de uma eleição presidencial. Porto Velho precisa de infraestrutura, saúde, educação, mobilidade urbana e serviços públicos que funcionem. É esse trabalho que deve ocupar boa parte da agenda de um prefeito. O chefe do Executivo municipal apoiou Marcos Rogério na disputa pelo governo de Rondônia e também acompanhou a eleição do irmão, Paulo Moraes, para a Assembleia Legislativa. Agora, passada a disputa estadual, o desafio é continuar trabalhando pela capital e buscar condições para que o município avance. Não tenho procuração para falar em nome de Léo Moraes, muito menos para afirmar quais são suas intenções eleitorais. Mas é perfeitamente legítimo questionar por que um prefeito deveria ser pressionado a antecipar uma declaração de apoio presidencial quando pode considerar mais conveniente aguardar o desenvolvimento do cenário político. Não declarar apoio neste momento não significa, necessariamente, estar em cima do muro. Pode ser uma decisão política, uma opção estratégica ou simplesmente a preferência por não transformar uma escolha pessoal em assunto público antes da hora. E convenhamos, administrar Porto Velho já é tarefa suficiente. Transformar o prefeito em cabo eleitoral obrigatório de alguém seria acrescentar mais uma função à lista — e, aparentemente, sem direito a escolher o próprio candidato. Brasília não tem dono Independentemente de quem conquistar a Presidência, Porto Velho precisará manter relações institucionais com o governo federal. A cidade necessita de investimentos, convênios, obras e recursos para atender à população. Essas demandas não deveriam depender da fotografia do prefeito ao lado de determinado candidato durante a campanha. Se Flávio Bolsonaro vencer, caberá ao governo federal dialogar com os municípios e atender às necessidades da população dentro das regras públicas. Se outro candidato vencer, a responsabilidade será a mesma. O compromisso institucional precisa estar acima das preferências partidárias. Afinal, o dinheiro destinado à saúde, à infraestrutura e à educação não é propriedade de um partido nem presente pessoal de um presidente. São recursos públicos, cuja aplicação deve obedecer aos critérios legais e ao interesse coletivo. Por isso, o prefeito precisa ter liberdade para construir relações políticas e administrativas sem ser obrigado a demonstrar fidelidade antecipada a um projeto presidencial específico. O fanatismo cobra declaração O problema aparece quando a militância deixa de defender ideias e passa a cobrar obediência. Nesse ambiente, quem não repete o discurso inteiro vira suspeito; quem não publica a foto esperada parece traidor; e quem prefere aguardar os acontecimentos é acusado de falta de posicionamento. É uma contradição curiosa: em nome da liberdade, tenta-se limitar a liberdade alheia. Em nome da democracia, cobra-se uma espécie de juramento político. E, em nome da lealdade, alguns parecem querer decidir até o que os outros devem pensar. Se cada político tiver de declarar apoio a todos os candidatos exigidos por seus aliados, a campanha eleitoral vai acabar parecendo reunião de condomínio: quem não levantar a mão na hora certa corre o risco de ser acusado de estar contra o prédio inteiro. O problema não é ser de direita, de esquerda ou de qualquer outra corrente política. O problema é o fanatismo que transforma divergências em ofensas e opiniões diferentes em motivo para rompimento. Sofia Andrade pode defender Flávio Bolsonaro com toda a intensidade que considerar necessária. Pode argumentar, mobilizar apoiadores e apresentar suas razões. O mesmo direito, porém, precisa ser reconhecido a Léo Moraes, inclusive se ele decidir não declarar apoio público neste momento. A liberdade política não funciona por conveniência, ou vale para todos, ou vira apenas discurso de ocasião. O voto não vem com coleira Léo Moraes não precisa anunciar apoio presidencial para provar que tem posição política. Se decidir apoiar Flávio Bolsonaro, Lula ou outro candidato, será uma escolha que poderá assumir publicamente e justificar perante seus eleitores. Se preferir não antecipar essa decisão, também deverá ter essa possibilidade, sem que o silêncio seja automaticamente interpretado como falta de coragem ou lealdade. Isso não significa que o prefeito esteja acima das críticas. Todo agente público deve responder por suas decisões, explicar suas alianças quando necessário e prestar contas à população. Mas cobrar transparência sobre a gestão é muito diferente de exigir uma declaração de voto conforme a preferência de terceiros. Porto Velho tem problemas concretos para resolver e uma população que espera resultados. A cidade ganha quando o prefeito busca recursos, mantém diálogo com os governos estadual e federal e trabalha para melhorar os serviços públicos. Uma disputa antecipada para medir quem declarou apoio primeiro não coloca asfalto nas ruas, não reduz filas na saúde e não melhora a vida dos moradores. Apoio político se conquista, não se arranca no grito. E fica a pergunta, se a democracia garante ao cidadão o direito de escolher seu candidato livremente, por que um prefeito deveria abrir mão dessa mesma liberdade para satisfazer a expectativa de quem quer ouvir uma declaração pública? Política, defender um candidato é legítimo. Exigir que todos pensem igual é outra história. E, se a fidelidade partidária virou uma obrigação de declarar apoio sob pressão, talvez alguns estejam confundindo democracia com torcida organizada. POR PAULO CABRAL - JORNALISTA

- publicidade -

Eleições 2026
Esporte

- publicidade -

Agronegócio
Concursos e Empregos
HORÓSCOPO

- publicidade -

Publicação Legal
Polícia
Giro pelo Brasil
Porto Velho
Vilhena
Ariquemes
Ji-Paraná