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PEDÁGIO VIRA ESTRELA PRINCIPAL DOS PALANQUES: O pedágio da BR-364 virou, de repente, um dos assuntos preferidos dos palanques de Rondônia. Candidatos que buscam o primeiro mandato e políticos que tentam voltar ou permanecer no poder aparecem agora questionando o valor cobrado e prometendo enfrentar a tarifa.
Questionar o preço é legítimo. Cobrar transparência, fiscalização e cumprimento do contrato também. O problema está em transformar uma questão complexa, regulada por contrato de concessão, em promessa eleitoral de solução fácil.
O processo da Rota Agro Norte não começou ontem. O leilão da BR-364/RO ocorreu em fevereiro de 2025, o contrato foi assinado em julho e a concessão teve início em agosto. A cobrança do pedágio começou em janeiro de 2026.
É justamente aí que cabe a pergunta incômoda: onde estavam esses discursos durante as etapas anteriores do processo? Não se trata de afirmar que determinado parlamentar foi omisso sem analisar sua atuação individual, mas de lembrar que debate público, audiência, fiscalização e pressão política existem antes — e não somente depois que a cobrança chega ao bolso do cidadão.
Agora, com o pedágio funcionando, fica muito fácil vestir a capa de defensor do motorista. Todo mundo quer ser o pai da criança depois que ela nasceu. Antes, porém, era preciso discutir o modelo, as tarifas, as obrigações da concessionária e os mecanismos de revisão previstos no contrato.
E há uma diferença importante: dizer ao eleitor que vai “acabar com o pedágio” ou simplesmente “baixar a tarifa” não é a mesma coisa que apresentar uma proposta juridicamente viável. A concessão possui regras contratuais e regulatórias, e eventuais mudanças precisam seguir os instrumentos previstos nesse modelo e as competências das autoridades responsáveis.
Rondônia precisa de menos promessa de palanque e mais explicação. Se existe caminho legal para revisar tarifa, que se mostre qual é. Se há problema no contrato, que se aponte qual cláusula. Se há falha na prestação do serviço, que se cobre a ANTT e a concessionária.
Porque discurso político pode ser feito em cinco minutos. Desfazer ou alterar uma concessão, definitivamente, não.
E, convenhamos, transformar o pedágio no assunto da vez depois que a conta chegou é uma coisa. Ter participado do debate quando as decisões ainda estavam sendo tomadas é outra bem diferente. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA
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