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BANDEIRA NÃO TAPA BURACO: Há uma pergunta que o eleitor deveria fazer a todo político, de que lado você está? Da direita? Da esquerda? Ou do lado do povo? Infelizmente, nos últimos anos, o debate político parece ter perdido o rumo. Enquanto a população espera hospitais funcionando, escolas melhores, estradas recuperadas, segurança e emprego, boa parte da classe política continua ocupada em uma guerra interminável de bandeiras. Tem gente que acorda pensando em direita, almoça falando de esquerda e vai dormir brigando nas redes sociais. Governar, que é bom, às vezes fica para depois. Em Rondônia, como em boa parte do país, não faltam discursos inflamados em defesa desta ou daquela corrente ideológica. O problema é que, muitas vezes, sobra paixão partidária e falta compromisso com quem realmente paga a conta: o cidadão. É saudável que existam pensamentos diferentes. A democracia vive do debate. O que não faz sentido é transformar a política em uma torcida organizada, onde o adversário vira inimigo e qualquer diálogo passa a ser tratado como traição. Sob a ótica da administração pública, um gestor que deixa de buscar ou de aproveitar recursos públicos exclusivamente por divergências político-partidárias comete um grave equívoco. Emendas parlamentares, convênios e programas governamentais existem para beneficiar a população. O dinheiro público não é da direita. Não é da esquerda. O dinheiro é do povo. Se uma emenda parlamentar chega para construir uma ponte, ampliar um hospital, comprar ambulâncias ou levar asfalto a um bairro, pouco importa se ela foi destinada por um deputado de direita, de esquerda ou de centro. O que realmente importa é que aquele recurso chegue a quem mais precisa. Da mesma forma, fechar as portas para investimentos do Governo Federal ou de qualquer outro ente público apenas por divergências ideológicas não parece fazer sentido do ponto de vista do interesse coletivo. Quem acaba pagando essa conta não é o político. É a população. É a dona Maria que continua esperando uma cirurgia. É o seu João que ainda enfrenta a estrada cheia de buracos. É o agricultor que precisa escoar a produção. É o comerciante que aguarda melhorias na infraestrutura para vender mais. Quando o fanatismo político entra pela porta da administração, muitas vezes o interesse público acaba saindo pela janela. Nos últimos anos, a política brasileira passou a valorizar mais os rótulos do que os resultados. Há campanhas que parecem investir mais tempo em demonstrar fidelidade a líderes nacionais do que em apresentar soluções concretas para os problemas da cidade ou do Estado. O eleitor merece muito mais do que marketing ideológico. Merece competência. Planejamento. Resultado. A boa política não deveria ter dificuldade em dialogar com quem pensa diferente quando o assunto é melhorar a vida da população. Obras não têm ideologia. Remédios não votam. Escolas não perguntam em quem você votou. Asfalto não escolhe partido. No fim da eleição, o palanque é desmontado. Os jingles deixam de tocar. As bandeiras são guardadas. Mas os problemas continuam exatamente no mesmo lugar. O buraco permanece na rua. A fila continua no hospital. O ônibus segue lotado. A escola ainda precisa de melhorias. E a dona Maria, o seu João, o agricultor, o comerciante e o trabalhador continuam esperando aquilo que realmente importa, Resultado. Talvez esteja na hora de parte da classe política entender uma verdade simples. O eleitor não mora na direita. O eleitor não mora na esquerda. O eleitor mora no bairro. E é lá que ele espera encontrar uma rua asfaltada, um posto de saúde funcionando, uma escola de qualidade e governantes que trabalhem menos para a plateia e mais para quem os elegeu. Por Paulo de Tarso - Jornalista
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