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A CONTA DA ELEIÇÃO: Quase R$ 5 bilhões para financiar campanhas eleitorais. O número, por si só, já deveria provocar uma boa conversa no país. Não porque democracia não tenha custo, mas porque dinheiro público tem dono: o cidadão.
O Fundo Eleitoral possui finalidade prevista em lei e busca garantir recursos para que partidos e candidatos possam disputar eleições. Isso é legítimo. O que não pode deixar de ser discutido é o tamanho dessa conta e se o sistema encontrou o equilíbrio entre financiar a democracia e evitar excessos.
Em Rondônia, onde a população ainda convive com problemas na saúde, educação, segurança e infraestrutura, ver campanhas movimentando milhões naturalmente causa desconforto.
E há o desperdício. Santinhos, cartazes, adesivos, bandeiras e toda a parafernália eleitoral têm sua função, mas boa parte termina no lixo depois da votação. É dinheiro público que poderia ser utilizado com muito mais parcimônia.
Também não parece razoável que algumas candidaturas tenham acesso a estruturas milionárias enquanto outras praticamente fazem campanha na sola do sapato. Se a eleição deve ser democrática, a diferença financeira não deveria transformar a disputa em corrida de quem tem o bolso mais fundo.
Nesse ponto, merece reconhecimento o trabalho da Justiça Eleitoral, que vem apertando a fiscalização e tornando mais rigorosa a análise das prestações de contas. É fundamental que continue assim. Afinal, se existem regras, elas precisam valer para todos.
E, embora não se possa generalizar, sempre haverá quem tente encontrar brechas para driblar a fiscalização. Por isso, quanto mais rigor na conferência das contas, melhor para o eleitor e para os candidatos que cumprem corretamente a legislação.
Também cabe uma reflexão: o cidadão que presta concurso público banca sua inscrição, transporte, alimentação e preparação. Quem pretende ocupar um cargo público, por que não poderia assumir uma parcela maior dos custos de sua própria campanha?
Talvez esteja na hora de discutir limites mais enxutos e uma distribuição mais equilibrada dos recursos.
Não se trata de acabar com o financiamento eleitoral. Trata-se de perguntar se quase R$ 5 bilhões são realmente necessários para fazer democracia.
Porque o eleitor pode até esquecer o número do candidato.
O que ele não deveria esquecer é quem paga a conta.
E essa conta, como sempre, chega para o povo.
POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA/EDITOR
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