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A LEI NÃO ESCOLHE CEP: Existe um princípio que deveria estar acima de partidos, amizades, interesses e conveniências políticas: a lei deve valer para todos.
A Constituição Federal estabelece a igualdade perante a lei e garante direitos como o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Na prática, porém, nem sempre a percepção da sociedade acompanha o que está escrito.
Denúncias envolvendo autoridades, empresários ou figuras conhecidas rapidamente chegam às redes sociais e às rodas de conversa. E surge uma curiosidade do nosso tempo: a investigação costuma ser muito mais lenta que o julgamento na internet.
Uma denúncia não é condenação. Uma investigação não significa culpa. Mas ocupar um cargo público também não transforma ninguém em cidadão acima das regras.
O problema aparece quando a régua muda conforme o personagem. Se uma conduta é questionável quando praticada pelo adversário, também deveria ser quando envolve um aliado. Caso contrário, não é princípio: é conveniência.
E existe uma ironia tipicamente brasileira: a estrada pode até ter buracos, mas a lei não deveria ter faixa exclusiva.
Mandatos passam, cargos mudam e alianças acabam. O que permanece é a necessidade de instituições capazes de aplicar as mesmas regras, independentemente de sobrenome, patrimônio, influência ou posição social.
No fim, fica uma pergunta: A lei é realmente igual para todos ou alguns ainda acreditam que podem trafegar por uma faixa exclusiva?
Porque Justiça não deveria escolher partido, bolso, sobrenome ou CEP. - Por Paulo de Tarso - Jornalista
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