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A TESOURA DE MARCOS ROGÉRIO: O governador eleito Marcos Rogério terá pela frente uma missão que não aceita maquiagem nem discurso bonito: arrumar a casa, cortar gastos e enfrentar os problemas que se acumularam no governo de Marcos Rocha. A primeira prova de fogo deverá ser a revisão da máquina pública, com atenção especial aos cargos comissionados, enquanto a saúde exige medidas urgentes, dinheiro bem aplicado e resultados que apareçam na vida de quem depende do SUS. Em Rondônia, o cidadão já cansou de ouvir promessa enquanto enfrenta filas, demora por atendimento e dificuldades para conseguir assistência médica. A paciência da população não é infinita, e o novo governo precisará entender isso desde o primeiro dia. A tesoura nos comissionados, porém, promete provocar arrepios nos corredores do poder. Para alguns, será um alívio; para outros, uma notícia capaz de tirar o sono. Afinal, cargo político tem dessas coisas: quando o governo muda, muita gente começa a conferir se a cadeira continua firme. Mas é justamente aí que mora a dúvida que a população precisa ver respondida: Marcos Rogério vai promover um verdadeiro enxugamento da máquina pública ou apenas trocar os indicados de Marcos Rocha pelos seus próprios aliados? Porque, se a ideia for somente mudar os ocupantes das cadeiras, sem reduzir despesas nem melhorar os serviços, teremos apenas uma reforma de fachada — muda-se o crachá, mas a conta continua chegando ao contribuinte. O Estado precisa de um choque de gestão, com revisão de contratos, controle de despesas, avaliação de resultados e prioridades bem definidas. E a saúde deve estar no topo dessa lista. Não basta anunciar economia se o dinheiro poupado não chegar à ponta, onde estão os pacientes que aguardam consultas, exames, cirurgias e atendimento digno. Cortar por cortar não resolve; é preciso separar o que é gasto desnecessário do que é serviço essencial. A população não quer apenas um governo que economize, quer um governo que saiba onde investir e que tenha coragem de enfrentar problemas antigos sem empurrá-los para o próximo mandato. Marcos Rocha deixa um legado político que será avaliado pela população e pelos órgãos de controle, mas a gestão que se inicia não poderá usar o governo anterior como desculpa permanente. Problemas na saúde, na educação e na segurança pública exigem respostas concretas. Se a situação está tão difícil quanto apontam as críticas e as reclamações da população, o novo governador terá de mostrar serviço rapidamente. A herança recebida pode explicar parte dos desafios, mas não servirá de justificativa para quatro anos de omissão. Marcos Rogério contará com uma base de apoio expressiva na Assembleia Legislativa, o que poderá facilitar a aprovação de reformas e medidas administrativas. Esse apoio, entretanto, será uma oportunidade e também uma responsabilidade. Ter deputados aliados ajuda a governar, mas não garante uma boa gestão. A Assembleia precisará fiscalizar, cobrar resultados e defender os interesses da população, em vez de funcionar apenas como carimbadora das decisões do Executivo. Se houver compromisso com Rondônia, a parceria poderá produzir avanços; se prevalecer a velha política do toma lá, dá cá, o Estado continuará pagando a conta. No fim, a grande pergunta não é quantos comissionados Marcos Rogério vai exonerar, mas o que fará depois da canetada. Vai reduzir despesas de verdade, melhorar a saúde, fortalecer a educação e dar respostas à segurança pública? Ou a tesoura será usada apenas para abrir espaço aos aliados que esperam sua vez na fila dos cargos? O eleitor não escolheu um novo governador para assistir a uma simples troca de placas nas portas dos gabinetes. Escolheu alguém que terá de mostrar resultados. Marcos Rogério tem a oportunidade de provar que economia pública não é sinônimo de perseguição política e que governar não significa distribuir cargos entre amigos. Se fizer o dever de casa, poderá iniciar uma mudança importante. Se decepcionar, descobrirá que a mesma caneta usada para nomear e exonerar também não apaga a cobrança das urnas. E, em política, quando a expectativa é alta e a entrega é baixa, nem a melhor base na Assembleia consegue segurar a conta por muito tempo. POR PAULO DE TARSO CABRAL - JORNALISTA

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