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1º de abril: as mentiras que contam sobre o agro e que muita gente ainda acredita

Primeiro de Abril: as mentiras que contam sobre o agro e que muita gente ainda acredita • Rodger BOSCH / AFP

Dia desses, tentando ajudar minha filha no dever de casa de Ciências, esbarrei em algumas questões, especialmente ambientais, que merecem ser revisitadas nos livros didáticos. Há, inclusive, uma associação chamada “De Olho no Material Escolar” que cobra atualizações nesse conteúdo. Confesso que vejo com cautela qualquer mudança brusca, mas neste 1º de abril, Dia da Mentira, resolvi fazer uma reflexão sobre alguns dos mitos do agro e do agronegócio brasileiro que, vez ou outra, ouvimos até de pessoas bem informadas e ocupando cargos importantes.

Se você já leu, ouviu ou viu alguém dizendo frases como “O Brasil é o celeiro do mundo”, “O país só transporta alimentos por rodovias”, “O agro mais destrói do que preserva” ou “Aqui tudo que se planta dá”, saiba: essas são algumas das grandes meias verdades — para não dizer mentiras completas — que se repetem há décadas.

“O Brasil é o celeiro do mundo”

Não é. Mas é, sim, um dos grandes “players” globais.

Nos últimos 40 anos, o país transformou a agricultura em clima tropical e alcançou saltos de produtividade. Segundo dados da Embrapa Territorial, o Brasil é competitivo e eficiente, mas ainda utiliza uma parcela relativamente pequena do território para produção vegetal. Somos importantes, mas não indispensáveis ao mundo — e reconhecer isso é o primeiro passo para agir com responsabilidade.

“O Brasil só transporta alimentos por rodovias”

É verdade que cerca de 60% das cargas agrícolas seguem pelas estradas — um gargalo histórico que nos distancia de países como a China, que investiram pesado em infraestrutura.

Mas dizer que “é só por rodovia” é mito.

O país também movimenta produção por ferrovias e hidrovias.

Só as hidrovias representam entre 5% e 14% da matriz logística — um modal estratégico, mais barato e sustentável, e que ainda tem enorme potencial de expansão. A verdade é que somos dependentes das rodovias, mas não exclusivos delas.

“O agro mais destrói do que preserva o meio ambiente”

Outro mito que se espalha com facilidade. O produtor rural tem papel significativo na preservação ambiental: 219 milhões de hectares dentro de propriedades privadas são destinados à proteção da vegetação nativa.

Segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil CNA, mais de 65% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, um percentual difícil de encontrar em outros grandes produtores agrícolas do planeta. Isso não significa que não haja problemas, eles existem e devem ser cobrados, mas generalizar é distorcer a realidade.

“O Brasil é a terra onde tudo que se planta dá”

A música “Meu País”, de Zezé Di Camargo & Luciano, imortalizou essa ideia, até bonita, poética… e equivocada. O solo pode ser recuperado com manejo adequado, mas isso exige conhecimento, técnica e investimento.

Segundo o IBGE, cerca de 32,4% do território brasileiro é formado por solos naturalmente pobres, com baixa fertilidade ou restrições moderadas a fortes para a agricultura.

Esses solos podem ter: compactação, acidez elevada, falta de matéria orgânica, ou degradação provocada por uso intenso, queimadas ou pastoreio inadequado. Ou seja, definitivamente, não, nem tudo que se planta dá.

Quando a mentira vira verdade

A frase atribuída a Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, diz que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.
Ela ajuda a explicar por que mitos sobre o agro ganham tanta força, por repetição e desconhecimento.

O setor é forte, tem futuro e segue sendo um dos pilares econômicos do Brasil. Mas depende de trabalho duro, do pequeno ao gigante , e de comunicação honesta para que a população compreenda o que realmente acontece no campo. No Dia da Mentira, nada melhor do que combater as falsas verdades com informação.

Itatiaia

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