Redação A Gazeta de Rondônia
Ao completar 44 anos de instalação, Rondônia celebra uma trajetória marcada por pioneirismo, riqueza natural, diversidade cultural e uma economia que hoje sustenta o Brasil com produção, trabalho e identidade própria.
Rondônia chega hoje aos 44 anos de instalação reafirmando sua condição de um dos estados mais estratégicos da Região Norte. Oficialmente instalado em 4 de janeiro de 1982, após deixar a condição de território federal, o estado construiu em pouco mais de quatro décadas uma história intensa, marcada por migrações, desafios estruturais, conquistas sociais e uma economia em permanente expansão.
A origem de Rondônia está ligada à ideia de fronteira e ocupação. Antes mesmo da instalação do estado, a região já atraía brasileiros de todas as partes do país, impulsionados por projetos de colonização, abertura de estradas e pelo sonho da terra própria. Esse movimento formou uma população diversa, miscigenada e profundamente resiliente, composta por migrantes, povos indígenas, ribeirinhos, seringueiros e comunidades tradicionais.

Os fundadores de Rondônia tiveram papel decisivo na construção das bases administrativas, políticas e sociais do novo estado. Servidores públicos, militares, lideranças políticas e comunitárias e os primeiros produtores rurais enfrentaram a precariedade da infraestrutura e as grandes distâncias para implantar municípios, organizar serviços públicos e garantir governabilidade a uma região ainda isolada do restante do país. Esse espírito pioneiro permanece como traço marcante da identidade rondoniense.
Uma economia que cresceu com a terra
A economia de Rondônia está fortemente ligada ao uso produtivo da terra. O agronegócio se consolidou como o principal pilar econômico do estado, responsável por grande parte do Produto Interno Bruto (PIB), geração de empregos e exportações. A pecuária de corte colocou Rondônia entre os maiores produtores e exportadores de carne bovina do Brasil, com rebanho reconhecido por qualidade sanitária e acesso a mercados internacionais.
A agricultura também avançou de forma significativa. O estado se destaca na produção de soja, milho, arroz e feijão, além de ocupar posição de liderança nacional na cafeicultura, especialmente com o café robusta amazônico, que vem conquistando prêmios de qualidade e valorização no mercado. A piscicultura é outro setor em expansão, fazendo de Rondônia um dos maiores produtores de peixe nativo cultivado do país.
Esse crescimento do campo impulsionou cadeias produtivas ligadas à agroindústria, frigoríficos, armazéns, transporte e logística, fortalecendo a economia regional. O comércio e o setor de serviços acompanharam essa evolução, ampliando a oferta de empregos urbanos e dinamizando os municípios.
Energia, infraestrutura e desenvolvimento
Outro eixo fundamental da economia rondoniense é o setor energético. A presença de grandes usinas hidrelétricas no rio Madeira ampliou a relevância estratégica do estado no cenário nacional, contribuindo para o abastecimento energético do país e atraindo investimentos. Apesar dos debates ambientais e sociais, o setor energético consolidou Rondônia como peça importante da matriz elétrica brasileira.
A infraestrutura segue como desafio e, ao mesmo tempo, motor do desenvolvimento. Rodovias, hidrovias e projetos logísticos são essenciais para o escoamento da produção e a integração do estado aos grandes centros consumidores. Investimentos em conectividade, tecnologia e modernização administrativa também passaram a integrar a agenda econômica do estado nos últimos anos.
Riquezas naturais e sustentabilidade
Rondônia abriga vastas áreas de floresta amazônica, unidades de conservação, reservas extrativistas e terras indígenas, que representam não apenas patrimônio ambiental, mas também potencial econômico sustentável. O extrativismo vegetal, a bioeconomia, o turismo ecológico e a valorização de produtos da floresta surgem como alternativas de desenvolvimento alinhadas à preservação ambiental.
Rios como Madeira, Guaporé, Mamoré e Jamari formam paisagens imponentes e cumprem papel histórico e econômico, servindo como rotas de transporte, fonte de sustento para comunidades ribeirinhas e cenários de grande beleza natural.
O povo como maior riqueza

Mais do que números e produção, a principal riqueza de Rondônia é seu povo. A diversidade cultural, fruto do encontro de várias regiões do Brasil com a Amazônia, moldou uma identidade própria, expressa na culinária, nas festas populares, na música e no modo de viver. O rondoniense carrega a marca do trabalho árduo, da simplicidade e do orgulho de pertencer a um estado jovem e promissor.
Olhar para o futuro
Ao completar 44 anos, Rondônia vive um momento de amadurecimento institucional e econômico. O estado enfrenta desafios históricos, como a necessidade de diversificação econômica, melhoria dos serviços públicos, redução das desigualdades sociais e fortalecimento da sustentabilidade ambiental. Ao mesmo tempo, reúne condições para avançar com responsabilidade, inovação e inclusão.
Celebrar os 44 anos de Rondônia é reconhecer uma história construída com coragem, esforço coletivo e esperança. É afirmar que o estado deixou de ser apenas uma fronteira amazônica para se consolidar como um território de oportunidades, riquezas e protagonismo no Brasil do presente e do futuro.
Os fundadores e o espírito pioneiro de Rondônia

A história de Rondônia é inseparável da coragem de seus fundadores. Muito antes da instalação oficial do estado, em 4 de janeiro de 1982, a região já era moldada por homens e mulheres que enfrentaram o isolamento, a floresta densa, as dificuldades de transporte e a ausência de infraestrutura para transformar um território distante em espaço de vida, trabalho e esperança.
Entre os primeiros protagonistas estão os povos indígenas, verdadeiros fundadores originários, que há séculos ocupam e preservam a região. Seus conhecimentos sobre os rios, a floresta e os ciclos da natureza foram fundamentais para a ocupação humana da Amazônia Ocidental e seguem sendo parte essencial da identidade rondoniense.
No período moderno, Rondônia foi estruturada a partir da ação de servidores públicos, militares, engenheiros, trabalhadores da construção civil, seringueiros e extrativistas. A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, no início do século XX, marcou um dos primeiros grandes marcos de ocupação, reunindo brasileiros e estrangeiros em um esforço histórico que deu origem a núcleos urbanos e consolidou Porto Velho como centro regional.


