Redação A Gazeta de Rondônia
Filiação ao partido de Kassab encerra ciclo no União Brasil, concentra poder político em Rondônia e antecipa disputa por protagonismo no próximo pleito
A filiação do governador Marcos Rocha ao PSD não é apenas uma troca de sigla — é um movimento estratégico com claros efeitos no xadrez político de Rondônia e reflexos diretos nas articulações para 2026. Ao aceitar o convite do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, Rocha não só passa a integrar um projeto nacional robusto, como também assume o controle do Diretório Estadual, concentrando poder partidário, estrutura e tempo de TV.
Anunciada em vídeo nas redes sociais, a chegada de Rocha ao PSD o coloca no mesmo campo político de governadores com forte projeção nacional, como Eduardo Leite (RS), Ratinho Júnior (PR) e Ronaldo Caiado (GO). O gesto indica alinhamento com um partido que tem estratégia clara: ocupar o centro ampliado da política brasileira e se apresentar como alternativa viável tanto ao lulismo quanto ao bolsonarismo.
Em Rondônia, o impacto é imediato. Rocha anunciou que levará consigo seu núcleo político-administrativo, incluindo nomes-chave do governo, como Elias Rezende, Jaqueline Cassol, Felipe Vital e Luiz Cláudio, sinalizando que o PSD passa a ser não apenas uma legenda de abrigo, mas o coração do projeto político do atual governador. Na prática, o movimento transforma o partido em uma plataforma competitiva para a disputa à Câmara Federal e para alianças majoritárias.
O União Brasil, por sua vez, segue sob a presidência de Júnior Gonçalves, hoje adversário político do governador, e mantém abrigo ao projeto de Sérgio Gonçalves, que insiste em se apresentar como pré-candidato ao Governo do Estado, mesmo sem consenso interno. O resultado é um partido dividido, sem liderança unificada e com dificuldades para se impor no cenário estadual.
PSD cresce, Rocha ganha fôlego
Ao migrar para o PSD, Marcos Rocha troca instabilidade por controle, discurso por estrutura e promessa por comando real. O movimento antecipa o debate sobre sucessão estadual e reposiciona o governador como ator central nas negociações políticas de 2026, seja como articulador, seja como protagonista direto.
Na política, filiação raramente é ideológica; quase sempre é estratégica. E, nesse caso, o recado é claro: Marcos Rocha não saiu de cena — reposicionou-se no tabuleiro. Quem ainda trata o PSD como coadjuvante em Rondônia talvez esteja olhando para o jogo com o placar atrasado.


