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Picanha, sebo e até pênis: Brasil aproveita 100% do boi nas exportações

Brasil lidera exportações Foto: Reprodução

Estratégia de aproveitamento total permite liderança global nos embarques de carne bovina

O setor pecuário brasileiro consolidou um modelo de negócio onde o ditado “do boi só se perde o berro” é levado ao pé da letra. Muito além da picanha e do filé mignon, a indústria frigorífica nacional transformou o aproveitamento integral do animal em um pilar de sustentabilidade econômica, exportando desde cortes nobres até sebo, pênis, outros órgãos e insumos farmacêuticos para todos os continentes.

Estratégia de aproveitamento total permite que o Brasil atenda tanto ao mercado de luxo europeu quanto às demandas de segurança alimentar em países em desenvolvimento, além de abastecer indústrias de energia e moda.

Mapa do aproveitamento: para onde vai cada parte do boi?

A eficiência do setor está na capacidade de destinar cada subproduto ao mercado que melhor o remunera. Confira os principais destinos:

Categoria Produtos Principais Mercados
Cortes nobres Picanha, Filé Mignon União Europeia, Restaurantes Premium
Cortes industriais Acém, Paleta China, Egito, Indonésia, Chile
Miúdos Fígado, Língua, Bucho, Rabada, Pênis Hong Kong, Vietnã, Nigéria, Peru
Subprodutos Couro (Wet Blue e acabado) Itália, China, EUA (Moda e Automotivo)
Energia e química Sebo Bovino Singapura, Holanda (Biodiesel e Cosméticos)
Saúde e nutrição Colágeno, Heparina, Pet Food EUA, Japão, Alemanha, França
Eficiência econômica e sustentável

“Quando falamos em exportação, muita gente pensa apenas nos cortes nobres, mas o diferencial está no aproveitamento integral. Isso torna a cadeia mais competitiva e sustentável”, explicou Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).

A diversificação é surpreendente:

  • Culinária exótica: itens como pênis bovino e bucho são iguarias em mercados asiáticos e africanos, superando em valor alguns cortes tradicionais brasileiros.
  • Indústria Farmacêutica: o boi fornece insumos valiosos como a heparina (anticoagulante) e colágeno para mercados de alta tecnologia, como Japão e França.
  • Energia limpa: o sebo bovino tornou-se protagonista na produção de biodiesel na Europa, transformando o que antes era resíduo em combustível renovável.
Fertilizantes e pet food

Até mesmo o que resta do processamento, como ossos e sangue, encontra destino certo. Transformados em farinhas ricas em nutrientes, esses produtos abastecem o setor de ração animal (pet food) na América Latina e Tailândia, enquanto os ossos viram fertilizantes orgânicos utilizados na agricultura sustentável do Canadá e da Europa.

Para o Imac, essa integração é o que garante a resiliência do setor frente às oscilações globais. Ao não desperdiçar nada, o Brasil maximiza a receita por animal abatido e reforça sua posição como o maior exportador de carne bovina do mundo.

Fonte: Itatiaia Agro

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