Redação A Gazeta de Rondônia
Quatro confirmações no estado reacendem vigilância epidemiológica; país já ultrapassou 12 mil casos desde o início da emergência em 2022
A confirmação de quatro casos de Mpox em Rondônia recoloca o estado no radar da vigilância epidemiológica nacional. Embora o número não represente surto, ele confirma que o vírus continua em circulação no Brasil — mesmo após a queda significativa registrada depois do pico histórico de 2022.
Desde o início da emergência sanitária, o país acumulou mais de 12 mil casos confirmados ou prováveis da doença. O momento mais crítico ocorreu em 2022, quando o Brasil ultrapassou a marca de 10 mil registros e chegou a contabilizar mais de mil casos em uma única semana epidemiológica.
O cenário mudou nos anos seguintes, mas o vírus não desapareceu.
2022 — Ano do pico
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Mais de 10 mil casos confirmados ou prováveis.
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Auge da transmissão concentrado no segundo semestre.
2023 — Redução expressiva
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853 casos registrados durante todo o ano.
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Indicação de controle após intensificação da vigilância e informação pública.
2024 — Circulação persistente
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Mais de 1.600 casos confirmados ou prováveis até as últimas semanas epidemiológicas consolidadas.
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Patamar menor que 2022, mas suficiente para manter monitoramento ativo.
2023 ── ▇▇▇ (853 casos)
2024 ── ▇▇▇▇ (~1.600 casos)
A curva revela retração após o pico, mas não erradicação.
Situação em Rondônia
Os quatro pacientes confirmados no estado estão em isolamento e acompanhamento clínico. O trabalho das autoridades de saúde agora é rastrear possíveis vínculos epidemiológicos e evitar novas transmissões.
A Mpox é causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus, da mesma família da antiga varíola humana. O período de incubação varia de 5 a 21 dias.
Os primeiros sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e aumento de gânglios linfáticos. Em seguida surgem lesões cutâneas que evoluem até formar crostas — fase em que o paciente ainda pode transmitir o vírus.
Como ocorre a transmissão
A disseminação acontece principalmente por:
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Contato direto com lesões de pele;
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Contato íntimo prolongado;
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Secreções corporais;
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Objetos contaminados, como roupas e toalhas.
Diferentemente de vírus respiratórios como a Covid-19, a Mpox exige contato físico próximo e sustentado para transmissão eficaz.
O que dizem os especialistas
O infectologista Dr. Marcelo Abramovici explica que o momento é de atenção técnica:
“Quatro casos indicam circulação viral ativa, mas não configuram transmissão comunitária sustentada. A chave é o diagnóstico precoce e o isolamento imediato. O período infeccioso termina apenas com a cicatrização completa das lesões.”
Ele reforça que subestimar os primeiros sinais pode ampliar a cadeia de transmissão:
“Muitas vezes as lesões iniciais são confundidas com alergias ou dermatites. Quanto mais cedo o paciente procura atendimento, menor o impacto coletivo.”
Especialistas orientam:
Evitar contato direto com lesões suspeitas
Não compartilhar objetos pessoais
Higienizar as mãos com frequência
Procurar atendimento ao surgirem sintomas
Manter isolamento até completa cicatrização
Os números mostram que a Mpox já teve seu momento mais crítico no país. Porém, a confirmação de novos casos reforça que o vírus ainda está presente e exige vigilância contínua.
Não há cenário de pânico. Há cenário de prevenção. E em saúde pública, agir cedo continua sendo a melhor estratégia.

