O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato à Presidência da República, avalia incluir em seu plano de governo a defesa do fim da reeleição para cargos do Executivo. A proposta seria apresentada como compromisso de debate institucional com o Congresso, caso a candidatura avance.
O tema ganhou tração no Senado no ano passado, quando a Comissão de Constituição e Justiça aprovou uma proposta que extingue a reeleição e estabelece mandato único de cinco anos para presidente, governadores e prefeitos. A iniciativa integra um movimento mais amplo de discussão sobre reformas no sistema político e eleitoral.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou posição contrária à mudança, ainda que a proposta não produza efeitos imediatos sobre o atual mandato. O posicionamento mantém o tema no campo do debate político, sem consenso entre governo e oposição.
Paralelamente, Flávio Bolsonaro busca estruturar uma plataforma econômica com perfil liberal. Interlocutores indicam que o senador procura um economista com trânsito no mercado financeiro — especialmente na Faria Lima — para formular diretrizes voltadas a crescimento, responsabilidade fiscal e atração de investimentos.
O movimento também inclui tentativa de ampliar o alcance eleitoral por meio da incorporação de pautas direcionadas a mulheres e grupos específicos do eleitorado, sinalizando estratégia de discurso mais pragmático e menos restrito ao núcleo tradicional do bolsonarismo.
Na prática, a defesa do fim da reeleição funciona como bandeira institucional com potencial simbólico relevante, ao dialogar com críticas recorrentes ao uso político da máquina pública por mandatários que disputam novo mandato. Ao mesmo tempo, a proposta permite ao senador ocupar espaço no debate sobre reforma política e apresentar agenda própria antes da consolidação do cenário eleitoral de 2026.
O plano ainda está em fase preliminar e não há confirmação sobre quando — ou se — a proposta será formalmente incorporada ao programa de governo. O tema deve permanecer no radar do Congresso e das articulações eleitorais nos próximos meses.


