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Quem mandou matar Marielle Franco? Julgamento começa nesta terça, no STF

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Primeira Turma da Corte analisa responsabilidade criminal de acusados quase oito anos após o crime

O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar nesta terça-feira (24) os acusados de planejar o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, mortos a tiros no centro do Rio de Janeiro em março de 2018. Quase oito anos após o crime, a Corte analisa pela primeira vez a responsabilidade criminal dos apontados como mandantes do atentado.

O caso será analisado pela Primeira Turma do STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Os réus respondem por duplo homicídio qualificado, tentativa de homicídio e organização criminosa.

Quem estará no banco dos réus

Serão julgados o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro Domingos Brazão; o ex-deputado federal Chiquinho Brazão; o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio; o ex-policial militar Ronald Paulo de Alves, conhecido como Major Ronald; e o ex-assessor do TCE-RJ Robson Calixto Fonseca, o “Peixe”.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, os irmãos Brazão teriam sido os mandantes do crime, motivado pela atuação política de Marielle contra interesses relacionados à ocupação de áreas dominadas por milícias no Rio de Janeiro. Rivaldo Barbosa é acusado de ter atuado para dificultar as investigações, enquanto Major Ronald teria monitorado a rotina da vereadora. Robson Calixto responde por participação em organização criminosa.Todos negam envolvimento.

Por que o caso será julgado pelo STF

Crimes dolosos contra a vida costumam ser julgados pelo Tribunal do Júri. Neste caso, porém, o processo chegou ao Supremo devido ao suposto envolvimento do então deputado federal Chiquinho Brazão, que possuía foro privilegiado durante as investigações.

Pelas regras atuais da Corte, ações penais envolvendo autoridades com prerrogativa de foro são julgadas pelas Turmas do tribunal.

A sessão começa com a leitura do relatório pelo ministro Alexandre de Moraes, que fará um resumo das investigações, das acusações e das teses das defesas.

Na sequência, haverá as sustentações orais. O vice-procurador-geral da República apresentará a acusação, seguido pelo assistente de acusação indicado pela família da vítima. Depois, os advogados dos réus terão prazo individual para defender seus clientes.

Encerradas as manifestações, os ministros iniciam a votação. Além do relator, votam Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e o presidente da Turma, Flávio Dino.

A decisão será tomada por maioria de votos. Os ministros poderão absolver ou condenar os acusados. Em caso de condenação, a própria Turma definirá as penas aplicáveis.

O caso Marielle

Marielle e Anderson foram executados na noite de 14 de março de 2018, quando o carro em que estavam foi atingido por disparos na região central da capital fluminense. A assessora parlamentar Fernanda Chaves, que também estava no veículo, sobreviveu ao ataque.

As investigações identificaram, em 2019, os executores do crime – o ex-policial militar Ronnie Lessa, apontado como autor dos disparos, e o ex-PM Élcio de Queiroz, acusado de dirigir o veículo usado na ação. A apuração sobre quem teria ordenado o assassinato, no entanto, se estendeu por anos.

Os acusados de atuar como mandantes foram presos apenas em março de 2024, após operação da Polícia Federal baseada em novos elementos obtidos durante as investigações e na delação premiada de Ronnie Lessa. Segundo a Procuradoria-Geral da República, o crime teria sido motivado pela atuação política de Marielle contra interesses ligados à expansão de áreas controladas por milícias no Rio de Janeiro.

Itatiaia

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