Adolescentes forçados a manter relações sexuais somam 8,8%. Na maioria dos casos, a violência ocorre dentro do ambiente familiar
A violência sexual entre adolescentes brasileiros atinge níveis preocupantes e revela um cenário marcado pela ocorrência dentro do ambiente familiar. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, 18,5% dos estudantes de 13 a 17 anos já sofreram algum tipo de abuso, como toques ou exposição do corpo sem consentimento. O levantamento foi realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação.
Além disso, 8,8% dos jovens relataram ter sido obrigados a manter relações sexuais contra a própria vontade, número superior ao registrado na edição anterior da pesquisa, em 2019. A violência sexual foi identificada em todas as regiões do país, com maior incidência na Região Norte.
Crescimento dos casos entre estudantes
Os dados mostram aumento de 3,8 pontos percentuais no número de adolescentes que afirmaram já ter sofrido assédio sexual em comparação com 2019. A pesquisa abrangeu alunos do 7º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do 1º ao 3º ano do Ensino Médio, de escolas públicas (84,3%) e privadas (15,7%).
A incidência do problema cresce com a idade: entre adolescentes de 16 e 17 anos, 20,9% relataram experiências de assédio, enquanto na faixa de 13 a 15 anos o índice foi de 17,1%.
Desigualdade de gênero nas vítimas
A vulnerabilidade das meninas se destaca nos resultados. Entre elas, 26% afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência sexual, percentual mais que o dobro do registrado entre os meninos, que ficou em 10,9%.
O aumento dos casos também foi mais expressivo entre estudantes da rede pública e entre o público feminino, evidenciando desigualdades estruturais no enfrentamento desse tipo de violência.
Ambiente familiar como principal cenário
A pesquisa aponta que a maior parte dos casos ocorre dentro do ambiente familiar. Entre os estudantes que sofreram violência sexual, 26,6% indicaram outros membros da família como responsáveis.
Outros agressores mencionados incluem pessoas desconhecidas (23,2%), parceiros afetivos (22,6%) e amigos. O levantamento evidencia ainda que o perfil dos autores varia conforme a região do país.
Um dos dados mais graves refere-se à idade das vítimas: entre os 1,1 milhão de adolescentes que relataram ter sido forçados a manter relações sexuais, 66,2% tinham até 13 anos quando o abuso ocorreu.
Distribuição regional e perfis dos agressores
A violência sexual atinge todo o território nacional, mas apresenta maior prevalência na Região Norte, com 11,7%. Entre os estados, destacam-se Amazonas (14,0%), Amapá (13,5%) e Tocantins (13,0%).
O perfil dos agressores varia conforme a localidade. No Paraná, 30% dos estudantes apontaram namorado(a) como autor da violência. Na Paraíba, 20,6% indicaram amigos. Em Goiás, outros familiares foram responsáveis por 34,5% dos casos, enquanto no Piauí 31,2% relataram agressões cometidas por pessoas desconhecidas.
Nos estados do Piauí e do Pará, também foram registrados os maiores percentuais de vítimas que sofreram violência sexual antes dos 13 anos, com índices de 75,8% e 73,5%, respectivamente.
Brasil 247


