Por: PAULO DE TARSO – JORNALISTA
Na política de Rondônia, quem já viu de tudo sabe: às vezes o maior adversário não está do outro lado, está dentro de casa. E, no caso do governador Marcos Rocha, essa máxima parece ganhar contornos bem reais na queda de braço com o vice Sérgio Gonçalves.
O que era pra ser só mais uma divergência de bastidor virou novela, daquelas com capítulos longos, tensão crescente e um final que ninguém ainda sabe, mas muita gente já desconfia.
Nos corredores do poder, o comentário é direto, sem rodeio: o tiro pode sair pela culatra.
Ao esticar demais a corda, o governador pode ter dado um passo maior que a perna. E não é exagero dizer que, no calor dessa briga política, pode ter tomado uma decisão que custa caro, talvez caro demais. Ao abrir mão de uma possível candidatura ao Senado, que garantiria sobrevida e protagonismo político, Rocha escolheu ficar até o fim do mandato. Na teoria, parece firmeza. Na prática, pode ser isolamento.
Porque política não perdoa vaidade mal calculada.
Enquanto isso, o vice, que muitos já davam como carta fora do baralho, pode acabar virando peça-chave no cenário. Ironia das boas: quem era apontado como fim de carreira pode sair fortalecido, enquanto quem tinha a caneta na mão corre o risco de terminar enfraquecido.
E aqui entra o tempero bem rondoniense da coisa: tem decisão que não é estratégia, é birra mesmo. E birra, na política, costuma cobrar juros altos.
Se tivesse escolhido deixar o governo no tempo certo, Rocha talvez saísse pela porta da frente, com capital político preservado e caminho aberto em Brasília. Mas preferiu ficar. Apostou alto. E agora joga uma partida onde cada movimento pode custar relevância.
E sabe como termina; quem briga demais pelo poder, às vezes, acaba ficando sem nenhum. Porque em Rondônia, meu amigo, não basta ter o cargo. tem que saber a hora de sair dele. E isso, convenhamos, nem todo mundo aprende.


