Gestão de Adriane Lopes (PP) é reprovada por 90% da população
A prefeita de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, Adriane Lopes (PP), que transformou sua administração em um reduto de lideranças da Igreja Assembleia de Deus Missões (IADMCG), acumula a maior rejeição popular do país entre administradores das capitais.
Pesquisa realizada em 2026 pelo Instituto Ranking Brasil Inteligência indica que a gestão de Adriane Lopes é reprovada por 90% da população. Anteriormente, levantamentos dos institutos AtlasIntel e Veritá já haviam apontado uma enorme rejeição da administração.
Segundo o instituto Ranking Brasil Inteligência, a gestão de Adriane tem aprovação de apenas 7%, sendo que 3% não sabem ou não responderam. 80% dos entrevistados disseram que a administração dela é ruim ou péssima, 13% falaram que é regular e 4% declararam que é boa ou ótima.
O intervalo de confiança é de 95% e margem de erro de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi realizada de 16 a 20 de março deste ano, junto a 1.000 eleitores, com 16 anos ou mais de idade, nas sete regiões urbanas de Campo Grande (MS) e nos distritos de Anhanduí, Rochedinho e zona rural.
Nomeação de pastores
Adriane, evangélica, colocou 12 pastores no comando de setores estratégicos da gestão pública, inclusive, gerenciando, diretamente, o orçamento municipal de R$ 6,9 bilhões previsto para 2026. As nomeações geram custo mensal superior a R$ 130 mil na folha de pagamento do município, de acordo com levantamento realizado pelo site local O Jacaré.
Os pastores definem questões fundamentais, como licitações, contratações de serviços essenciais e definição de políticas públicas.
A gestão das finanças municipais está sob responsabilidade de Isaac José de Araújo, titular da Secretaria de Fazenda e um dos pastores evangélicos nomeados pela administração. Antes de assumir o comando de um orçamento bilionário na capital sul-mato-grossense, ele atuava na contabilidade interna da ADMCG.

Outros líderes religiosos também ocupam cargos estratégicos em áreas como regulação e mobilidade urbana. Paulo da Silva preside a Agência de Regulação (Agereg), enquanto Ciro Vieira Ferreira comanda a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran).
Na área social, a presença se estende às pastas de maior peso orçamentário. A Secretaria de Saúde, que concentra cerca de R$ 2 bilhões, conta com quatro pastores em funções ligadas à gestão financeira e aos processos de licitação. Entre eles estão Julinei Herão Ferreira e Fausto Azevedo Tlaes, responsável pela gerência de Suprimentos e Abastecimento.
Já na educação, Emerson Irala de Souza atua como analista técnico, somando-se a outros líderes religiosos que também ocupam postos na Casa Civil e na Agência de Habitação.
Prefeita sancionou lei que proíbe mulheres trans em banheiros femininos
Recentemente, a prefeita sancionou uma lei que restringe o uso de banheiros femininos por mulheres trans na capital de Mato Grosso do Sul. A norma foi publicada no Diário Oficial do Município de Campo Grande (Diogrande) e faz parte da Política Municipal de Proteção da Mulher. Pelo texto, os banheiros femininos devem ser usados apenas por “mulheres biológicas”.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a Lei Municipal 7.615/2026, que estabelece diretrizes para o uso de banheiros públicos com base no critério de “mulheres biológicas”. No ofício encaminhado ao procurador-geral, a parlamentar pede a análise da constitucionalidade da norma e a adoção de medidas para levá-la ao Supremo Tribunal Federal (STF).
No documento enviado à PGR, a deputada sustenta que a legislação “segrega mulheres trans e travestis ao proibir que usem banheiros públicos de acordo com sua identidade de gênero” e afirma que a norma cria um ambiente de constrangimento generalizado.
A prefeita Adriane Lopes publicou um vídeo nas redes sociais e reafirmou que sancionou a lei para, segundo ela, “resguardar o direito das mulheres”.
ICL


