A Gazeta de Rondônia
Agricultora, médica, dona de casa e professora revelam a maternidade real longe das propagandas perfeitas do Dia das Mães
Em Rondônia, o Dia das Mães chega cercado por flores, homenagens e mensagens emocionadas nas redes sociais. Mas por trás das fotos felizes existe uma realidade muito mais pesada, silenciosa e humana. Mulheres que acordam antes do sol nascer, enfrentam jornadas duplas e até triplas, seguram a família sozinhas e continuam tentando encontrar forças mesmo quando o corpo pede descanso.
Da zona rural às salas de aula, dos hospitais às cozinhas apertadas das periferias, mães rondonienses convivem diariamente com desafios que quase nunca aparecem nas homenagens prontas da internet.
Na zona rural de Guajará Mirim, a agricultora Albetiza Souza Batista, de 61 anos, conta que criou os três filhos trabalhando na lavoura.

“Teve tempo que eu levava menino pequeno pra roça porque não tinha ninguém pra cuidar. Trabalhava no sol quente o dia inteiro e chegava em casa ainda tinha comida, roupa e limpeza. Mãe aprende cedo que não pode parar.”
Ela diz que o maior presente da vida não foi comprado em loja.
“Foi ouvir meu filho dizer que conseguiu emprego e que eu não precisava mais sofrer na enxada. Aquilo valeu mais que qualquer homenagem.”
Em Porto Velho, a médica pediatra Ana Cláudia Ribeiro, de 38 anos, revela que a maternidade dentro da profissão exige renúncias diárias.

“Enquanto estou no hospital cuidando de outras crianças, muitas vezes meu filho está em casa esperando por mim. Existe uma culpa constante na vida da mãe trabalhadora.”
Ela afirma que muitas mulheres vivem pressionadas tentando ser perfeitas.
“A sociedade cobra demais da mãe. Se trabalha muito, criticam. Se não trabalha, também criticam. A verdade é que quase toda mãe está cansada emocionalmente.”
Na zona Leste da capital, a dona de casa Rosângela Ferreira, de 44 anos, diz que muitas mães vivem sem reconhecimento dentro da própria casa.
“As pessoas acham que dona de casa não faz nada, mas a mãe dentro de casa faz de tudo. Acorda cedo, cozinha, limpa, cuida dos filhos, resolve problemas e quase nunca recebe um obrigado.”
Ela acredita que muitas homenagens acabam ficando apenas no discurso.
“Tem filho que posta mensagem bonita no Dia das Mães mas passa o resto do ano sem ajudar dentro de casa. O que muita mãe queria era ser valorizada todos os dias.”
Já em Ji-Paraná, a professora Simone Araújo, de 47 anos, afirma que a maternidade em Rondônia vem sendo marcada pelo excesso de responsabilidades.

“Muitas mães estão criando filhos praticamente sozinhas enquanto tentam sobreviver financeiramente. A escola acaba vendo o reflexo disso nas crianças.”
Segundo ela, o Dia das Mães também é um momento de dor para muitas famílias.
“Tem mães enfrentando desemprego, ansiedade, depressão, luto e abandono. Nem toda mãe consegue viver esse domingo com felicidade.”
Em Rondônia, milhares de mulheres sustentam suas casas praticamente sozinhas, dividindo o tempo entre trabalho, filhos e contas acumuladas. São mães que enfrentam o transporte lotado, a correria dos hospitais, o peso da lavoura, o calor das cozinhas e a pressão de nunca poder falhar.
Enquanto o comércio aposta nas vendas e as redes sociais se enchem de mensagens prontas, muitas mães rondonienses continuam vivendo uma realidade dura, mas marcada pela resistência.
HOMENAGEM
Neste Dia das Mães, o Portal A GAZETA DE RONDÔNIA, deixa sua homenagem a todas as mães de Rondônia, mulheres que diariamente enfrentam batalhas silenciosas para manter suas famílias de pé, muitas vezes abrindo mão dos próprios sonhos para garantir o futuro dos filhos.
Sejam agricultoras, professoras, médicas, donas de casa, comerciantes ou trabalhadoras anônimas espalhadas pelos quatro cantos do estado, cada mãe carrega uma história de luta, coragem e amor que merece ser reconhecida não apenas hoje, mas todos os dias do ano.
Que esta data seja também um momento de respeito, gratidão e valorização daquelas que nunca desistem mesmo diante das dificuldades.
Feliz Dia das Mães para todas as mães de Rondônia.


