A Gazeta de Rondônia
Adailton Fúria, Hildon Chaves, Samuel Costa, Expedito Neto e Marcos Rogério ampliam articulações políticas pelo estado, mas cenário eleitoral ainda permanece aberto e sem liderança isolada nas ruas.
Mesmo com a movimentação cada vez mais intensa nos bastidores da política rondoniense, o cenário da disputa pelo Governo de Rondônia ainda está longe de apresentar um nome consolidado como favorito para as eleições de 2026. Diferente de outros momentos da política estadual, quando determinadas lideranças já apareciam em posição confortável a mais de um ano do pleito, desta vez o quadro segue pulverizado, imprevisível e marcado muito mais por articulações do que por hegemonia eleitoral.
Nos corredores políticos, nas agendas pelo interior e nas redes sociais, nomes como Adailton Fúria, Hildon Chaves, Samuel Costa, Expedito Neto e Marcos Rogério já se movimentam de olho na sucessão estadual. Porém, até agora, nenhum deles conseguiu transformar presença política em favoritismo consolidado junto ao eleitorado.
Analistas políticos observam que Rondônia vive um momento diferente das últimas disputas. O eleitor aparece mais fragmentado, menos fiel a grupos tradicionais e cada vez mais desconfiado de discursos prontos. A antecipação da campanha também contribui para um desgaste precoce de pré-candidaturas que ainda tentam construir identidade estadual fora de seus redutos políticos.
Adailton Fúria, por exemplo, ganhou força após ampliar presença no interior e intensificar agendas públicas, principalmente após a projeção administrativa em Cacoal. Ainda assim, enfrenta o desafio de transformar popularidade regional em musculatura eleitoral estadual.
Já Hildon Chaves aposta na experiência administrativa construída em Porto Velho e no discurso de gestão técnica. Apesar disso, interlocutores políticos reconhecem que o ex-prefeito ainda trabalha para ampliar sua conexão com regiões fora da capital, especialmente no Cone Sul e na Zona da Mata.
Samuel Costa, por sua vez, busca ocupar um campo mais ideológico e crítico, especialmente em temas ligados à desigualdade social, incentivos fiscais e agricultura familiar. Embora tenha conquistado espaço no debate político, ainda enfrenta o desafio de ampliar penetração eleitoral além de segmentos específicos.
Expedito Neto mantém forte trânsito político, articulação partidária e presença em diversas regiões do estado, mas também integra a lista de nomes que ainda buscam converter capital político em sentimento real de favoritismo.
No caso de Marcos Rogério, o senador continua sendo uma das figuras mais conhecidas da política rondoniense e possui base eleitoral consolidada. Mesmo assim, aliados admitem reservadamente que o cenário atual ainda não permite tratar qualquer candidatura como dominante ou praticamente encaminhada.
Outro fator que contribui para a ausência de um favorito é a própria distância do calendário eleitoral. Embora a pré-campanha já tenha começado informalmente, o eleitor médio ainda demonstra foco maior em problemas do cotidiano, como saúde, segurança, emprego, infraestrutura e custo de vida, deixando o debate eleitoral em segundo plano neste momento.
Além disso, a tendência é que alianças partidárias, decisões nacionais e possíveis mudanças no cenário político estadual alterem significativamente o cenário político nos próximos meses. Em Rondônia, historicamente, campanhas majoritárias costumam ganhar força de maneira mais intensa próximo ao período oficial eleitoral, especialmente após definições partidárias e início efetivo das ruas.
A leitura predominante entre observadores políticos é clara, quem tratar a disputa como resolvida antecipadamente pode cometer um erro estratégico. A eleição de 2026 ainda não tem dono, não tem liderança isolada e, principalmente, não possui hoje um candidato capaz de reunir consenso suficiente para ser chamado de favorito absoluto.
Por enquanto, a corrida ao Palácio Rio Madeira segue aberta, e totalmente indefinida.


