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SENADO: Disputa em Rondônia segue aberta, sem favorito absoluto e marcada por indefinições políticas

A Gazeta de Rondônia

Texto: Paulo de Tarso

Com múltiplos grupos dividindo espaço nas pesquisas, corrida ao Senado entra em fase de tensão estratégica, incertezas jurídicas e pré-candidaturas que ainda não empolgaram o eleitorado.

A corrida pelo Senado em Rondônia continua longe de apresentar um nome dominante capaz de assumir sozinho a dianteira da disputa. A leitura política dos números mais recentes mostra um cenário fragmentado, com eleitorado dividido, crescimento pulverizado entre pré-candidatos e forte sensação de indefinição nos bastidores.

Os dados da Veritá reforçam justamente essa percepção. Dependendo do cenário analisado — espontânea, estimulada ou composição do segundo voto — os nomes se alternam nas posições, sem que nenhum consiga construir vantagem sólida.

Na prática, a disputa permanece completamente aberta.

A deputada federal Sílvia Cristina mantém presença consistente principalmente junto ao eleitorado ligado às pautas sociais e da saúde. Já o deputado federal Fernando Máximo segue competitivo em segmentos urbanos e conserva boa lembrança espontânea.

Enquanto isso, Bruno Bolsonaro Scheid aparece sustentado pelo eleitorado conservador mais ideológico, grupo que continua fortemente mobilizado no estado.

Mas talvez uma das maiores interrogações da disputa esteja em torno da ex-deputada federal Mariana Carvalho. Embora tenha estrutura política, recall eleitoral e presença consolidada na capital, sua pré-candidatura ainda não conseguiu produzir o impacto esperado no cenário estadual.

Nos bastidores, parte da classe política avalia que ainda existe reflexo do desgaste provocado pela derrota na disputa pela Prefeitura de Porto Velho. A sensação entre analistas é que Mariana Carvalho ainda não conseguiu transformar seu capital político em movimento eleitoral consistente para o Senado. Falta musculatura de rua, discurso mais agressivo e presença mais forte no interior.

Outro nome que segue cercado de expectativa é o do ex-senador Acir Gurgacz. Politicamente, Acir continua sendo tratado como peça relevante no jogo eleitoral, principalmente pelo histórico de votos e pela influência construída ao longo dos anos. Porém, sua situação ainda permanece envolta em incertezas jurídicas.

A leitura é quase unânime, Acir vive hoje o cenário do “vou ou não vou”. Enquanto aguarda definições judiciais que possam representar um verdadeiro xeque-mate dos tribunais sobre sua condição eleitoral, o ex-senador mantém cautela e evita movimentos precipitados.

E justamente aí mora uma das maiores dificuldades da eleição deste ano em Rondônia, o excesso de variáveis ainda em aberto.

Como a disputa permite dois votos para o Senado, o eleitorado tende a se dividir entre diferentes perfis políticos, embaralhando ainda mais o cenário. Em situações assim, alianças municipais, força digital, desempenho em debates e capacidade de mobilização regional passam a ter peso decisivo.

Analistas avaliam que Rondônia atravessa uma espécie de transição política silenciosa. Há desgaste evidente em parte das lideranças tradicionais, mas também não surgiu, até agora, um nome novo capaz de monopolizar o sentimento popular.

Na linguagem da ciência política, o estado vive um ambiente de alta volatilidade eleitoral, quando o eleitor demonstra intenção de voto, mas ainda sem cristalizar preferência definitiva.

Traduzindo para o clima dos bastidores; a campanha já começou, os grupos estão em movimento, mas ninguém conseguiu, até aqui, sentar sozinho na cadeira de favorito.

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