Encontro na Casa Branca tenta reaproximar o bolsonarismo do trumpismo em meio à crise provocada pela relação com Daniel Vorcaro
Flávio Bolsonaro pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o PCC e o Comando Vermelho sejam classificados como organizações terroristas pelos EUA. O pedido foi feito durante um encontro de cerca de 1h30 na Casa Branca, que não constava na agenda oficial divulgada previamente pelo governo americano.
A reunião acontece em meio à crise provocada pela revelação da proximidade entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro. Nos bastidores, a avaliação é de que o senador tenta transformar a crise de imagem ligada ao caso Daniel Vorcaro em uma narrativa de protagonismo internacional, combate ao crime organizado e articulação estratégica — além de buscar reanimar a base bolsonarista com pautas ligadas à segurança pública.
O tema preocupa o governo Lula porque uma eventual classificação abriria espaço para aumento da pressão internacional sobre o Brasil, ampliação de mecanismos de cooperação com os Estados Unidos e possíveis impactos diplomáticos e econômicos. Dentro do governo, existe o receio de que a pauta seja usada politicamente para associar a gestão petista a uma fragilidade no combate ao crime organizado – justamente em um momento em que segurança pública aparece entre as maiores preocupações da população brasileira.
Em entrevista coletiva depois do encontro, Flávio disse que recebeu de Trump uma “challenge coin” – moeda simbólica tradicionalmente usada nos meios militar e político dos Estados Unidos para representar reconhecimento, prestígio e proximidade institucional.
Além da pauta de segurança, Flávio disse ter discutido temas estratégicos ligados a minerais de terras raras e tecnologia. As terras raras são consideradas essenciais para a indústria de alta tecnologia, produção de semicondutores, baterias, equipamentos militares, carros elétricos e inteligência artificial.
Ao levar para a conversa temas como combate ao crime organizado, soberania, segurança pública e minerais estratégicos, Flávio tenta aproximar o discurso da direita brasileira das pautas que hoje mobilizam a “nova direita” americana ligada a Trump. Nos bastidores, aliados enxergam a reunião como uma forma de reposicionar o bolsonarismo dentro de uma rede internacional de movimentos conservadores que compartilham críticas ao globalismo, às instituições multilaterais e ao avanço de pautas progressistas.
No governo brasileiro, porém, o clima é de cautela. Segundo fontes, o Ministério das Relações Exteriores só pretende adotar alguma reação institucional caso Trump faça declarações públicas contra o governo Lula ou contra instituições brasileiras. Até aqui, a leitura no Itamaraty é de que o encontro tem mais impacto político interno do que efeito diplomático.
TMC


