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“Quando Deus entra na campanha”

(Foto: Alexandre Meneghini/Reuters)

Entre fé, poder e polarização, a política brasileira volta a transformar religião em instrumento de disputa eleitoral

A Marcha para Jesus voltou a expor uma velha característica da política: a tentativa de transformar a fé em instrumento de disputa por poder. De um lado, aliados de Jair Bolsonaro falam em “batalha espiritual”.

Do outro, Lula evita associar diretamente sua imagem ao evento, mas sabe que o voto evangélico segue decisivo para qualquer projeto eleitoral no Brasil.

Nada disso é novidade histórica. Religião e política caminham juntas desde as primeiras formas de organização humana. Muito antes dos Estados modernos, líderes espirituais já ocupavam posição central nas tribos e influenciavam guerras, decisões e lideranças.

Por isso, é natural que diferentes grupos políticos tentem associar Deus aos próprios interesses. A fé tem um componente emocional, identitário e passional — exatamente como a política. As pessoas raramente escolhem líderes apenas pela razão. Escolhem também por pertencimento, valores e emoção.

A separação entre religião e Estado surgiu justamente como tentativa de limitar esse poder. Mas esse equilíbrio nunca foi absoluto. Em períodos de polarização, a tendência é que a política volte a buscar legitimidade na fé.

Por isso, nos próximos meses, veremos mais políticos em marchas, cultos e eventos religiosos. Não por acaso. Em política, símbolos mobilizam tanto quanto propostas.

Por Luiz Felipe Pondé

TMC

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