Governo Lula considera inaceitável abrir setores químico, automotivo, industrial e aeroespacial às empresas dos EUA
Os Estados Unidos solicitaram ao Brasil a eliminação das tarifas de importação em setores considerados estratégicos, como os segmentos aeroespacial, industrial, químico e automotivo. Segundo a Folha de São Paulo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considerou a proposta inegociável diante dos impactos que ela teria sobre a economia e a indústria nacionais.
“Eles pretendiam nada mais, nada menos do que a abertura de todo o mercado do setor químico, a redução a zero das tarifas dos bens industriais. O acesso ao mercado do setor automotivo norte-americano, e dentre outros setores”, disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, durante entrevista coletiva, na quinta-feira (16), sobre o tarifaço.
A exigência estadunidense ocorreu às vésperas da entrada em vigor da sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, prevista para 22 de julho, no âmbito das medidas comerciais adotadas pelo governo do presidente Donald Trump.
Governo considera proposta inaceitável
Integrantes do governo avaliam que a abertura total desses mercados representaria perdas significativas para a indústria brasileira. A avaliação é de que zerar tarifas em áreas como química, automotiva, industrial e aeroespacial comprometeria a competitividade de empresas nacionais e ampliaria a dependência de produtos importados. Por esse motivo, a proposta apresentada pelos Estados Unidos é considerada fora do campo de negociação.
Exportações brasileiras serão afetadas
Com a implementação da tarifa adicional de 25%, aproximadamente US$ 7,4 bilhões em exportações brasileiras para o mercado estadunidense poderão ser atingidos, o equivalente a cerca de 18% das vendas brasileiras aos Estados Unidos. O governo brasileiro acompanha os impactos esperados sobre os setores exportadores e prepara medidas para reduzir os efeitos econômicos da decisão americana.
Brasil reforça programa e prepara retaliação
Como resposta inicial, o governo anunciou o fortalecimento do programa Brasil Soberano, ampliando linhas de crédito destinadas a empresas afetadas pelas novas barreiras comerciais.
Além disso, Brasília pretende recorrer à Lei da Reciprocidade, aprovada em 2025, que autoriza o país a adotar medidas econômicas proporcionais em resposta a sanções comerciais impostas por outros países.
Patentes e audiovisual estão entre os alvos estudados
Entre as alternativas analisadas pelo governo para uma eventual retaliação estão áreas consideradas sensíveis aos interesses americanos, como os setores de propriedade intelectual, patentes e audiovisual.
A intensidade das medidas dependerá da evolução das negociações e da efetiva aplicação das tarifas pelos Estados Unidos.
Tarifaço é resultado de investigação comercial
A sobretaxa estadunidense foi autorizada com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, instrumento utilizado para responder ao que Washington considera práticas comerciais desleais.
As investigações tiveram início em julho do ano passado e envolveram temas como o Pix, o mercado de etanol e outros pontos da relação comercial entre os dois países.
O governo brasileiro afirma que já vinha preparando uma resposta antes mesmo do anúncio das novas tarifas e avalia utilizar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade caso as sanções entrem em vigor conforme anunciado.
Brasil 247


