Infectologista ganhou notoriedade na época da pandemia e recebeu perdão de Biden em 2025
Anos após o fim da pandemia causada pela Covid-19, o infectologista Anthony Fauci voltou a ser assunto nesta semana pois, em seu depoimento ao Senado dos Estados Unidos, ficou calado por três horas alegando que seu depoimento poderia ser usado para processá-lo.
O infectologista está sendo acusado pelo Senado norte-americano de enriquecer e financiar pesquisas que culminaram na criação da Covid-19.
Fauci liderou por mais de 30 anos o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) e sempre teve relativa popularidade por aparecer em programas de TV, especialmente em suas campanhas contra HIV, ebola, gripe aviária e zika.
Aos 85 anos, o médico deixou a vida pública, mas voltou aos holofores pelo caso.
Acusações de Trump sustentadas por um diário
Na época da pandemia, Fauci foi alvo de diversos ataques do presidente Donald Trump e seus apoiadores, que o acusam de esconder informações sobre a origem da Covid-19. Os apontamentos ganharam mais peso após a descoberta de um diário do infectologista que tornou-se público – o médico mantinha essas anotações com sua conta governamental, então pôde ser recuperado.
De acordo com o jornal The New York Times, são mais de 1.100 páginas escritas entre os anos de 2019 e 2022.
Como liderava o NIAID, Anthony Fauci passou a aconselhar presidentes e líderes mundiais, além de conceder diversas entrevistas sobre a pandemia. O diário mostra certo deslumbramento do médico. “Saiu um grande artigo sobre mim na capa do Washington Post. Muito lisonjeiro. A situação com a minha fama nacional e internacional é explosiva e realmente inimaginável”, escreveu o médico em 21 de maio de 2020. “Não é uma hipérbole dizer que hoje sou a pessoa mais famosa e da qual mais se fala no país, e uma das pessoas mais reconhecidas do mundo.”
Os pontos mais destacados pelos senadores republicanos foram os escritos no início da pandemia. Sob comando de Fauci, o NIAID financiou estudos no Instituto de Virologia de Wuhan, cidade chinesa apontada como berço da Covid-19.
“Sabemos que o mercado (de animais de Wuhan) não foi a fonte, mas o amplificador da pandemia. Dito isso, em algum lugar o vírus passou de animais para humanos”, escreveu Fauci em seu diário em janeiro de 2020.
Perdão concedido por Joe Biden
Outra situação que já gerava polêmica e foi reforçada com a divulgação do diário é que no último dia completo de seu mandato, em 19 de janeiro de 2025, o ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden concedeu indulto preventivo a Anthony Fauci. Essa medida é como um perdão oficial concedido pelo país.
Embora não tivesse nenhuma acusação de crime, o infectologista recebeu esse perdão de Biden por tudo que tenha feito de 2014 até aquele momento. À época, o então presidente dos EUA justificou o indulto como uma prevenção para eventuais perseguições quando Donald Trump assumisse. Além de Fauci, foram beneficiados o general reformado Mark Milley e membros do comitê de investigação da invasão do Capitólio.
O caso gerou alerta pois a última vez que foi concedido indulto preventivo foi em 1974, do presidente Gerald Ford a Richard Nixon antes dele ser acusado pelo caso Watergate.


