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Correios acumulam prejuízos de R$ 5,55 bi em 2026, mas perda trimestral recua

(Foto: Divulgação/Correios)

Empresa contratou R$ 12 bi em empréstimos com garantia da União em 2025 e prevê mais R$ 7 bi em 2026 para sustentar operação

Os Correios fecharam o segundo trimestre de 2026 com prejuízo de R$ 2,39 bilhões. O resultado é negativo, mas representa uma melhor, a perda foi 24,4% menor do que a registrada no primeiro trimestre do mesmo ano, quando o déficit chegou a R$ 3,16 bilhões. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a queda foi de 5,5%, naquele período, o rombo havia sido de R$ 2,53 bilhões.

Ao longo dos seis primeiros meses de 2026, o resultado negativo acumulado pelos Correios atingiu R$ 5,55 bilhões, superando o déficit de R$ 4,26 bilhões registrado no mesmo intervalo de 2025. Os números foram tornados públicos pela estatal neste sábado (29/06).

O que isso significa?

No primeiro semestre de 2026, a receita líquida gerada por vendas e serviços totalizou R$ 7,8 bilhões, recuando em relação aos R$ 8,1 bilhões apurados um ano antes. Apenas no segundo trimestre, o faturamento líquido alcançou R$ 4 bilhões, valor inferior aos R$ 4,2 bilhões contabilizados no mesmo trimestre de 2025.

Em contrapartida, houve retração nos custos. No segundo trimestre de 2026, as despesas gerais e administrativas totalizaram R$ 1,52 bilhão, uma queda expressiva frente aos R$ 2,08 bilhões do segundo trimestre de 2025. Considerando o semestre inteiro, esse grupo de despesas somou R$ 3,8 bilhões, acima dos R$ 3,3 bilhões do primeiro semestre de 2025.

O total de R$ 7,6 bilhões em custos dos serviços no semestre ficou R$ 1,3 bilhão aquém do valor previsto no orçamento. As despesas totais do período também vieram R$ 302 milhões abaixo do planejado. O Ebitda, resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, superou a meta em R$ 910 milhões, equivalente a 18% acima do esperado.

Dívida reestruturada

Um dos fatores que ajudou a conter os gastos foi o Plano de Demissão Voluntária (PDV). Ao todo, 6.545 empregados deixaram a empresa. Só no segundo semestre de 2026, os desligamentos pelo PDV somaram 2.767 trabalhadores.

Como reflexo dessas medidas, as despesas com pessoal encolheram aproximadamente 4%, a despeito do reajuste salarial de 5,1% concedido no período.

No campo financeiro, em 2025 os Correios firmaram operação de crédito de R$ 12 bilhões lastreada em garantia da União, estruturada por um consórcio composto por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. Em janeiro de 2026, a empresa pública liquidou antecipadamente uma parcela de R$ 1,8 bilhão, reduzindo o estoque total de empréstimos de R$ 14 bilhões para R$ 12,9 bilhões.

O prazo da dívida foi alongado de 18 para 180 meses, com carência de 3 anos. A taxa efetiva é de DI + 1,89%, o DI (Depósito Interbancário) é uma taxa de referência do mercado financeiro, próxima à Selic (taxa básica de juros do país). Em 30/06, o caixa e as aplicações financeiras da empresa somavam R$ 4,9 bilhões.

Mais dívida e aporte federal à vista

Para 2026, os Correios preveem contratar mais R$ 7 bilhões em empréstimos com garantia da União. Além disso, a empresa negocia R$ 2,9 bilhões com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) para financiar um programa de modernização.

No Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) de 2027, a União deverá prever um aporte de pelo menos R$ 6 bilhões na estatal. O custo da universalização dos serviços postais, a obrigação legal de entregar cartas e encomendas em todo o território nacional, inclusive em regiões remotas, é estimado pelo governo federal em R$ 4 bilhões por ano.

O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirmou que “o governo estuda rever o financiamento da universalização dos serviços postais”. O Tribunal de Contas da União (TCU) fez ressalvas às estimativas do plano de recuperação da empresa.

Operação melhora, mas histórico pesa

No lado operacional, o resultado melhorou aproximadamente 25% entre o primeiro e o segundo trimestres de 2026. O fluxo de caixa operacional, dinheiro gerado pelas atividades do negócio, avançou R$ 852 milhões no mesmo intervalo.

O Índice de Entrega no Prazo superou 90% em junho de 2026 e passou de 97% em agosto. A receita de vendas do semestre superou o planejado em R$ 202 milhões.

O histórico recente da empresa mostra a dimensão do desafio. Em 2024, o prejuízo foi de R$ 2,6 bilhões. Em 2025, saltou para R$ 8,5 bilhões.

*estagiária sob supervisão de Carolina Ferreira

TMC

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