MPF aponta 28 manobras fraudulentas ao longo de sete anos; ex-CEO Miguel Gutierrez é apontado como mentor do esquema
A Justiça Federal do Rio de Janeiro recebeu a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e instaurou ação penal contra 12 ex-executivos da Americanas. Sob segredo de justiça, o caso corre na 6ª Vara Federal Criminal e representa um ponto de inflexão no maior escândalo contábil do varejo brasileiro.
A denúncia, protocolada em março de 2025, imputa à companhia uma fraude de R$ 25 bilhões e elenca 28 manobras fraudulentas. De acordo com o MPF, o esquema se estendeu por sete anos, sendo que os indícios mais antigos identificados pela procuradoria remontam a fevereiro de 2016.
Quem são os réus
O ex-CEO Miguel Gutierrez encabeça a lista. A peça da procuradoria afirma que ele planejou, ordenou e executou a fraude. Gutierrez deixou a Americanas em dezembro de 2022, pouco antes do colapso da empresa.
Também figuram entre os réus Anna Christina Saicali, ex-CEO da B2W, braço de comércio eletrônico que se fundiu com as Lojas Americanas em 2022, formando a Americanas S.A. Segundo o MPF, ela comandava as fraudes no segmento digital.
Completam o rol de réus: José Timotheo de Barros, Anna Cristina Sotero, Luis Augusto Saraiva Henriques, Carlos Eduardo Rosalba Padilha, Murilo dos Santos Correa, João Guerra Duarte Neto, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, Maria Christina Ferreira do Nascimento, Raoni Lapagesse Franco Fabiano e Fabien Picavet, que ocupou a diretoria de Relações com Investidores da Americanas.
Um nome ficou de fora da conversão em réu: Márcio Cruz foi incluído na denúncia, mas não foi transformado em réu. O motivo não foi divulgado.
Delatores e defesa
Parte das informações que sustentaram a denúncia foi fornecida por meio de acordos de delação firmados pelos ex-diretores Marcelo da Silva Nunes e Flávia Pereira Carneiro.
O advogado Antonio Pitombo, que defende José Timotheo de Barros, afirmou que o recebimento da acusação é um ato formal, sem julgamento de mérito. Para ele, o processo é “uma excelente oportunidade para mostrarmos, de vez, a inocência do nosso cliente”.
Sem acesso à decisão judicial, a Americanas se manifestou por nota, afirmando ter sido “vítima de uma fraude estruturada e de natureza dolosa cometida pelos ex-executivos que, ao longo de anos, manipularam controles internos, registros contábeis e informações relevantes ao mercado, em violação direta aos deveres fiduciários inerentes aos cargos que ocupavam e à legislação do mercado de capitais”.
O colapso da varejista
O caso veio a público no começo de janeiro de 2023, quando Sergio Rial (que havia deixado a presidência do Santander) tomou as rédeas da Americanas e, nove dias após assumir, apresentou sua renúncia. No mesmo mês, a empresa ingressou com pedido de recuperação judicial.
Em paralelo ao processo judicial, a Polícia Federal toca a Operação Disclosure. Numa fase executada em junho deste ano, nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos e atingiram acionistas e altos executivos de instituições financeiras. A operação já acumula duas fases concluídas.
Fonte: TMC


