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Dólar sustenta soja no Brasil em semana de pressão externa

Dólar sustenta soja no Brasil em semana de pressão externa | Foto: Canva

Oscilações cambiais influenciaram as negociações

O mercado brasileiro da soja encerrou a última semana de outubro com preços sustentados principalmente pela valorização do dólar, em um período marcado pela queda das cotações internacionais e pela redução das negociações em diversas regiões produtoras. Conforme a análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), as oscilações cambiais limitaram a pressão de baixa sobre os valores recebidos pelos produtores, mesmo diante da perspectiva de uma safra elevada no Brasil.

No Rio Grande do Sul, a média semanal dos preços pagos aos produtores ficou em R$ 138,00 por saca de 60 quilos, segundo dados da Emater reunidos pela CEEMA. Nas demais praças brasileiras com registros de comercialização, as cotações variaram de R$ 132,00 a R$ 141,00 por saca. Em Luís Eduardo Magalhães (BA), o preço alcançou R$ 141,00, enquanto Maracaju (MS) registrou R$ 140,00. Em Marechal Cândido Rondon (PR), a referência foi de R$ 136,00, e em Campo Novo do Parecis (MT), de R$ 133,00.

O comportamento do câmbio teve influência direta sobre a formação dos preços internos. Segundo o boletim, o dólar chegou a R$ 5,60 em 26 de outubro, depois de ter sido negociado a R$ 4,99 três dias antes. Na manhã de 29 de outubro, a moeda norte-americana estava próxima de R$ 5,35. A instabilidade, associada ao cenário político brasileiro após a eleição presidencial mencionada pela CEEMA, levou parte dos agentes a suspender temporariamente suas referências de compra e venda.

A valorização da moeda norte-americana favorece a conversão das receitas de exportação para reais, funcionando como fator de sustentação das cotações domésticas. Entretanto, o movimento também aumenta a incerteza nas negociações, especialmente quando ocorrem oscilações expressivas em poucos dias. Para produtores e compradores, esse cenário dificulta a definição de preços e o fechamento de contratos.

Na produção, o Brasil mantém expectativa de uma colheita superior a 181 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27. O plantio atingiu 42,8% da área prevista até 23 de outubro, conforme levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), superando a média de 40,2% das últimas cinco safras. Mato Grosso apresentou o avanço mais expressivo, com 75,8% da área semeada, acima da média histórica de 70,3%.

No Rio Grande do Sul, os trabalhos alcançaram 10% da área projetada até 29 de outubro, conforme a Emater, permanecendo abaixo da média de 12%. O ritmo de implantação das lavouras e a evolução do clima nas próximas semanas serão determinantes para confirmar o potencial produtivo nacional. A CEEMA destaca que condições climáticas semelhantes às observadas durante o El Niño de 2023/24 poderiam provocar uma redução de 9,7% na produção esperada, equivalente a aproximadamente 17,6 milhões de toneladas.

Mesmo com a perspectiva de uma produção recorde, os estoques finais brasileiros poderão diminuir. Projeções do escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília indicam que o volume de passagem poderá alcançar 3,96 milhões de toneladas em 2026/27, queda de 35% em relação ao período anterior. A redução seria consequência do crescimento simultâneo das exportações e do consumo doméstico.

Os embarques brasileiros de soja em grão são projetados em 117,5 milhões de toneladas, aumento de 2,2% na comparação anual. Ao mesmo tempo, o esmagamento interno poderá atingir 65 milhões de toneladas, avanço de aproximadamente 2,4%. Considerando o processamento industrial e as demais utilizações, o consumo total de soja deverá chegar a 69,6 milhões de toneladas.

O crescimento da demanda por óleo de soja, especialmente para a fabricação de biodiesel, também deverá fortalecer a participação da indústria na comercialização do grão. Esse movimento amplia a importância das negociações entre produtores, cooperativas e esmagadoras, que poderão disputar parte da oferta destinada tradicionalmente ao mercado externo.

Outro ponto de atenção está nas exigências europeias de rastreabilidade e combate ao desmatamento. Conforme a avaliação da Federação Europeia de Fabricantes de Ração (FEFAC) reproduzida pela CEEMA, dificuldades de adequação às regras poderão comprometer o acesso de parte do farelo brasileiro ao mercado europeu. A exigência amplia a relevância da comprovação de origem e das condições de produção para a competitividade das exportações.

Para os próximos meses, o mercado brasileiro deverá acompanhar principalmente a estabilidade cambial, a evolução climática das lavouras, o ritmo das exportações e a demanda industrial. A confirmação de uma grande safra tende a ampliar a oferta disponível, mas o crescimento previsto para o consumo e as vendas externas poderá limitar a recuperação dos estoques. Com informações do Agrolink.

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