Com frota crescente e ruas lotadas de veículos, Vilhena enfrenta realidade complexa no trânsito
De 2018 para cá o número de acidentes em Vilhena dobrou, contudo, análise realizada pela FOLHA do Anuário Estatístico de Sinistros do Estado de Rondônia, emitido pelo Detran, mostra que proporcionalmente à frota local, que cresce rapidamente, o total de acidentes está reduzindo.
Os dados fornecidos pelo Detran-RO revelam uma escalada contínua no número médio mensal de acidentes no município. Em 2018, a cidade registrava uma média de 74 acidentes por mês. Esse número saltou para 140 ocorrências mensais em 2025 (dados consolidados até outubro), quase o dobro.
O gráfico histórico mostra que o município viveu um período de relativa calmaria entre 2020 e 2021, coincidindo com as restrições de mobilidade da pandemia, quando a média mensal de acidentes no município caiu para 57 e 63 acidentes, respectivamente. No entanto, a retomada pós-pandemia foi agressiva: em 2022, a média mensal disparou para 132, mantendo-se em patamares elevados desde então.
Apesar do aumento nos números absolutos, a análise da taxa de acidentes por cada 10 mil veículos traz uma perspectiva diferente e mais alentadora. Esse indicador é fundamental para entender se o trânsito está ficando mais perigoso ou se o aumento de acidentes é apenas um reflexo natural do maior número de carros e motos circulando, bem como do crescimento da cidade, que viu diversos bairros sendo abertos.
O momento mais crítico para o motorista vilhenense, proporcionalmente, ocorreu em 2022, quando foram registrados 214 acidentes para cada 10 mil veículos. Desde esse pico, o índice vem caindo consistentemente. Em 2023, a taxa baixou para 188; em 2024, subiu levemente para 193; e em 2025, atingiu a marca de 161 acidentes por 10 mil veículos (considerando dados até outubro).
Por outro lado, comparando 2025 com o ano de 2018, percebe-se que o crescimento dos acidentes foi maior que o da frota. Em 2018 havia 60 mil veículos na cidade e agora a cidade já contabiliza 87 mil, um crescimento de 45%. A elevação em 90% na média mensal de acidentes, portanto, é duas vezes maior que o aumento da frota.
Na comparação com outros municípios, em 2024 Vilhena ficou na primeira colocação das cidades com mais acidentes por 10 mil veículos com vítimas, elaborado pelo Detran, estando entre os primeiros em toda a série histórica, sempre marcada em vermelho no mapa. No mapa, em 2018, boa parte dos municípios eram também vermelhos, agora só Vilhena, Pimenta Bueno, Castanheiras e Rolim de Moura estão nessa classificação.
O volume de acidentes pressiona o sistema de saúde e a Prefeitura, recentemente, reagiu com a implantação de “pardais” em toda a cidade, bem como trabalhando para a implantação dos Agentes Municipais de Trânsito, que fiscalizarão os condutores e veículos no município, visto que a maioria dos acidentes é causada por imprudência.
Texto: Folha do Sul


