A relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional voltou a se deteriorar publicamente nesta quarta-feira (26), após os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não comparecerem à cerimônia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda.
A ampliação da isenção do Imposto de Renda era apresentada pelo governo como uma das principais promessas sociais de Lula. A ausência simultânea dos chefes das duas Casas — que tradicionalmente comparecem a esse tipo de solenidade — foi vista como uma quebra de protocolo deliberada.
Segundo parlamentares que transitam entre Câmara e Senado, o gesto foi entendido internamente como uma demonstração explícita de insatisfação com:
-
as articulações políticas conduzidas pelo Planalto,
-
a indicação de Jorge Messias ao STF, que contrariou preferências do Senado,
-
e a condução de votações consideradas prioritárias pelo governo, sem pactuação prévia com a base aliada.
Nos últimos dias, tanto Motta quanto Alcolumbre têm enviado sinais públicos de distanciamento:
Hugo Motta declarou ter rompido relação com o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, acusando o governo de “falsas narrativas” na derrota do PL Antifacção.
-
Davi Alcolumbre afirmou estar “fora” da articulação para aprovar Jorge Messias ao STF, indicando que não fará esforço para garantir os votos desejados pelo governo — movimento raro para um presidente do Senado.
A ausência de ambos na cerimônia reforça a avaliação de que o Congresso, mesmo sob lideranças supostamente alinhadas ao governo, não pretende mais atuar como garantidor automático da agenda do Planalto.
Publicamente, o Planalto tentou minimizar a ausência, atribuindo o esvaziamento da cerimônia a compromissos paralelos das lideranças. Nos bastidores, porém, auxiliares reconhecem que a relação com o Congresso vive um dos pontos mais críticos do ano, especialmente após os episódios envolvendo:
-
o desgaste pela indicação de Messias ao STF,
-
a derrota do governo na pauta de segurança pública,
-
e a crescente articulação de parlamentares independentes para impor derrotas simbólicas ao Executivo.
Para analistas políticos, a dupla ausência representa um marco:
“Quando os presidentes das duas Casas boicotam o principal ato econômico do governo no ano, é sinal de que o Planalto perdeu a centralidade da articulação política”, avalia um consultor legislativo ouvido pela reportagem.
A tendência, segundo parlamentares de centro e centro-direita, é de que o Congresso continue endurecendo e impondo obstáculos à agenda do governo — especialmente em temas sensíveis como:
-
reforma administrativa,
-
recomposição de despesas,
-
e sabatina de autoridades indicadas por Lula.
Fonte: Hora Brasilia


