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Café de Rondônia ganha o Brasil e transforma qualidade em oportunidade para produtores

Fotos: Reprodução/PMPVH

A Gazeta de Rondônia

Grãos premiados, sabores amazônicos e histórias de famílias do campo mostram que o café rondoniense deixou de ser promessa e já ocupa espaço entre os grandes

O cheiro de café torrado, o sabor marcante e as histórias de quem acorda cedo para cuidar da lavoura ajudam a explicar uma transformação que vem acontecendo dentro das propriedades rurais de Rondônia. O café produzido no estado ganhou qualidade, reconhecimento e, cada vez mais, espaço entre consumidores que procuram produtos com identidade e origem.

Entre os exemplos está o trabalho da família Fuzinato, de Rolim de Moura, na Zona da Mata rondoniense. O Café Amazônico Fuzinato chegou ao topo do Concafé em 2025, conquistou o primeiro lugar na etapa da Zona da Mata e ainda figurou entre os 30 melhores cafés do Brasil.

Por trás das premiações, entretanto, existe uma rotina que pouco aparece nos certificados: trabalho familiar, cuidado com a lavoura, atenção à colheita e uma série de etapas que determinam o que chegará à xícara.

Para José Fuzinato, apresentar o produto diretamente ao consumidor é uma forma de mostrar que o café de Rondônia tem história e qualidade para competir em mercados cada vez mais exigentes.

“É uma satisfação muito grande poder apresentar um café que representa o trabalho da nossa família. Esses resultados mostram que Rondônia produz café de qualidade e que temos condições de conquistar cada vez mais espaço”, afirma.

A produtora Débora Buziquia também destaca que a aproximação com o público vai muito além da venda. É uma oportunidade para explicar o caminho percorrido pelo grão, desde a propriedade até a xícara.

“Mais do que vender, é importante contar a história que existe por trás do café, conversar com o consumidor e mostrar todo o cuidado que existe durante a produção”, relata.

Do campo para a xícara

Quem visita os espaços dedicados à cafeicultura encontra uma verdadeira viagem pelos aromas e sabores produzidos em diferentes regiões de Rondônia.

Os chamados Robustas Amazônicos, variedade que ganhou identidade própria no estado, aparecem em diferentes versões e métodos de preparo. Há cafés tradicionais, gourmet, especiais, naturais e fermentados, mostrando que o produtor rondoniense vem investindo não apenas no aumento da produção, mas principalmente na qualidade.

A experiência também permite conhecer melhor etapas como pós-colheita, torra, preparo e análise sensorial. Para o consumidor, é uma oportunidade de perceber que uma xícara de café pode carregar características diferentes dependendo do cultivo, processamento e maneira de preparo.

Porto Velho também produz café de qualidade

A produção não está restrita às regiões tradicionalmente conhecidas pela cafeicultura. Porto Velho também começa a mostrar sua força nesse segmento.

O Café Chaleira Quente, produzido por Adriano Vrena, é um exemplo. Os grãos cultivados no próprio município chegam ao consumidor depois de um processo que envolve cuidado desde a lavoura.

A marca apresenta diferentes opções justamente para alcançar paladares variados e mostrar que o café produzido na capital também pode surpreender.

“É um café produzido em Porto Velho, com muito carinho e cuidado desde a lavoura para entregar qualidade à população. Trouxemos opções para diferentes gostos, incluindo tradicional, gourmet, especial natural e fermentado”, explica Adriano.

A diversidade também chama a atenção de quem experimenta os produtos. Para Maria José, colocar diferentes cafés lado a lado ajuda o consumidor a perceber as características de cada grão e valorizar aquilo que é produzido dentro do próprio estado.

“O público consegue experimentar, comparar sabores e descobrir a qualidade dos cafés que temos em Rondônia. É uma vitrine importante para nossos produtores”, avalia.

Café que movimenta a economia

A evolução da cafeicultura rondoniense representa mais do que uma conquista gastronômica. O setor também abre possibilidades de geração de renda, valorização da agricultura familiar, criação de marcas e conquista de novos mercados.

Para o secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Douglas Bener, aproximar produtores e consumidores é fundamental para fortalecer essa cadeia produtiva.

Segundo ele, o reconhecimento obtido pelos cafés rondonienses ajuda a agregar valor ao produto e cria novas oportunidades comerciais para quem vive da produção rural.

O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, também destaca a importância de valorizar produtos que carregam a identidade da região.

Quando um café produzido em Rondônia conquista reconhecimento nacional, a vitória ultrapassa os limites da propriedade rural. O resultado ajuda a projetar o nome do estado, estimula outros produtores e mostra ao consumidor que qualidade também nasce no chão amazônico.

Uma nova imagem do café rondoniense

Durante muito tempo, falar em café de Rondônia esteve associado principalmente à quantidade produzida. Agora, a conversa mudou.

O produtor passou a olhar com mais atenção para qualidade, processamento, identidade e experiência do consumidor. E os resultados começam a aparecer em concursos, premiações e na procura por cafés especiais.

Cada grão premiado representa, na verdade, uma história de persistência. São famílias que enfrentam sol, chuva, dificuldades de mercado e os desafios próprios da vida no campo, mas continuam apostando na terra.

Da Zona da Mata à capital, o café rondoniense começa a ocupar um lugar diferente no imaginário de quem aprecia a bebida.

Não é mais apenas o café que acompanha o começo do dia.

É um produto que carrega o cheiro da Amazônia, o trabalho de quem planta e colhe e uma mensagem cada vez mais clara: Rondônia também sabe produzir café de excelência.

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