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Calor extremo redesenha mapa da agricultura global, diz FAO

Trabalhadores iraquianos colhem batatas, que foram danificadas por onda de calor, em Mosul • 15 de julho de 2023 REUTERS/Khalid Al-Mousily

Ondas de calor mais frequentes e intensas alteram o que agricultores, pescadores e silvicultores podem cultivar

O calor extremo está levando os sistemas agroalimentares globais ao limite, ameaçando os meios de subsistência ​e a saúde de mais de 1 bilhão de pessoas, ​de acordo com um novo relatório das agências de alimentação e de meteorologia da ONU (Organização das Nações Unidas).

A FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) e a OMM (Organização Meteorológica Mundial) afirmaram que as ondas de calor estão se tornando mais frequentes, intensas e prolongadas, prejudicando as colheitas, a pecuária, a pesca e as florestas.

“O calor extremo está reescrevendo o roteiro sobre o que os agricultores, pescadores e silvicultores podem cultivar e quando podem ⁠cultivar. Em alguns casos, está até mesmo ​determinando se eles ainda podem trabalhar”, disse Kaveh Zahedi, chefe do escritório de mudanças climáticas ​da FAO.

“Em sua essência, esse relatório está nos dizendo que enfrentamos um futuro muito incerto”, disse ele à ⁠Reuters.

Conjuntos de dados climáticos recentes mostram que o aquecimento ⁠global está se acelerando, com 2025 entre os três anos mais quentes já registrados, ​provocando ‌extremos climáticos mais frequentes e severos.

Atuando como um multiplicador de riscos, o calor extremo intensifica as secas, os ⁠incêndios florestais e os surtos de pragas e reduz drasticamente a produtividade das colheitas quando os limites críticos de temperatura são ultrapassados.

O relatório afirma que as temperaturas mais altas estão diminuindo a margem de segurança da qual as plantas, os ‌animais ⁠e os seres humanos ‌dependem para funcionar, com queda na produtividade da maioria das principais culturas quando as temperaturas ultrapassam cerca de 30 graus Celsius.

Zahedi citou o Marrocos, onde seis anos de seca foram seguidos por ondas de calor recordes. “Isso levou ⁠a uma queda na produção de cereais em mais de ⁠40%. Isso dizimou a colheita de azeitonas e frutas cítricas. Basicamente, essas colheitas fracassaram”, disse ele.

As ondas de calor marinhas também estão se ‌tornando mais frequentes, reduzindo os níveis de oxigênio na água e ameaçando os estoques de peixes. Em 2024, 91% dos oceanos do mundo sofreram pelo menos uma onda de calor marinha, segundo o relatório.

Os riscos aumentam acentuadamente à medida que o aquecimento se acelera. Espera-se que a intensidade dos eventos extremos de calor ‌dobre aproximadamente a 2 graus Celsius de aquecimento e quadruplique a 3 graus, em comparação com 1,5 grau, segundo o relatório.

Zahedi disse que cada aumento de um grau na temperatura média global reduz a produção das ⁠quatro principais culturas do mundo – milho, arroz, soja e trigo – em cerca de 6%.

A FAO e a OMM disseram que as respostas fragmentadas são inadequadas e pediram uma melhor governança dos riscos e sistemas meteorológicos de alerta ​antecipado para ajudar os agricultores e pescadores a tomar medidas preventivas.

“Se você conseguir colocar os dados nas mãos dos agricultores, ​eles poderão ajustar quando plantam, o que plantam e quando colhem”, disse Zahedi.

Mas o relatório afirma que a adaptação por si só não é suficiente, argumentando que a única solução duradoura para a crescente ameaça do calor extremo é uma ação ambiciosa e coordenada para conter ‌a mudança climática.

 

Por Crispian Balmer, da Reuters/CNN BRASIL

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