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Carnaval, Redes Sociais e Vulnerabilidade: Especialistas alertam para riscos à infância em Rondônia

Foto: Reprodução/portalsplishsplash

Redação A Gazeta de Rondônia

Por Paulo de Tarso

Exposição digital e descuido em meio à folia podem facilitar crimes contra crianças; orientação é clara: proteger é prioridade.

O Carnaval em Rondônia ganhou força nos últimos anos. Blocos tradicionais em Porto Velho arrastam multidões, distritos entram na programação, o interior acompanha. O clima é de festa, reencontro e celebração cultural.

Mas enquanto o glitter brilha, cresce também um alerta silencioso: crianças e adolescentes ficam mais vulneráveis durante o período carnavalesco — tanto nas ruas quanto na internet.

A reportagem ouviu especialistas da área de proteção infantil e segurança digital para entender os riscos e orientar famílias rondonienses.

“Grandes eventos aumentam a vulnerabilidade”

A assistente social Mariana Costa, que atua há mais de 15 anos na rede de proteção à infância na Região Norte, explica que o Carnaval cria um ambiente propício para violações.

“Não é o Carnaval em si que é o problema. O problema é o contexto: aglomeração, consumo de álcool por adultos, dispersão familiar e distração com celular. Tudo isso aumenta a vulnerabilidade da criança. E criminosos procuram exatamente esses cenários.”

Segundo ela, a exploração sexual infantil raramente acontece de forma abrupta.

“Muitas vezes começa com observação, aproximação gradual e identificação de fragilidades. Crianças desacompanhadas ou excessivamente expostas tornam-se alvos mais fáceis.”

O perigo invisível das redes sociais

Para o especialista em segurança digital Ricardo Almeida, a exposição online durante o Carnaval é um dos pontos mais críticos.

“Pais postam com carinho, mas esquecem que perfis públicos permitem que qualquer pessoa visualize e baixe aquela imagem. Uma foto aparentemente inocente pode ser retirada de contexto e parar em ambientes criminosos.”

Ele alerta especialmente para a marcação de localização em tempo real.

“Quando o adulto marca o bloco, o bairro ou o evento enquanto ainda está lá, ele está informando onde aquela criança pode ser encontrada. Isso é extremamente perigoso.”

Segundo o especialista, o ideal é publicar apenas depois do evento — e ainda assim, com perfil restrito.

Hiper sexualização precoce também preocupa

Outro ponto levantado pelos profissionais é a escolha de fantasias.

A psicóloga infantil Dra. Helena Andrade ressalta que fantasias que reproduzem estética adulta podem gerar exposição desnecessária.

“A criança precisa viver o tempo dela. Quando há uma adultização precoce da imagem, infelizmente isso pode atrair olhares inadequados. Não se trata de julgamento moral, mas de proteção.”

Ela reforça que a responsabilidade é do adulto.

“Crianças não têm maturidade para decidir sobre a própria exposição. Cabe aos responsáveis agir com prudência.”

A realidade brasileira que exige atenção local

O Brasil registra milhares de denúncias anuais envolvendo violência sexual contra crianças e adolescentes. Em períodos festivos, os registros costumam crescer.

Embora não haja divulgação segmentada por município em tempo real, profissionais da rede de proteção afirmam que a Região Norte historicamente enfrenta desafios estruturais que exigem atenção redobrada.

Rondônia, que vive expansão urbana e fortalecimento de eventos públicos, precisa acompanhar esse crescimento com políticas preventivas e vigilância comunitária.

O que os pais devem fazer

Especialistas são unânimes nas recomendações:

✔ Evitar perfis públicos para fotos de crianças
✔ Não divulgar localização em tempo real
✔ Não expor uniformes escolares ou identificação
✔ Manter crianças sempre acompanhadas em eventos
✔ Orientar adolescentes sobre abordagem de desconhecidos
✔ Denunciar qualquer suspeita pelo Disque 100

Uma responsabilidade coletiva

Para além da família, a proteção também envolve organizadores de eventos, poder público, comerciantes e a própria comunidade.

“Proteger criança não é exagero. É dever”, resume a assistente social Mariana Costa. “Carnaval é alegria, mas segurança não pode tirar férias.”

Entre o brilho do palco e a tela do celular, a escolha é simples — e urgente, nenhuma curtida vale mais do que a segurança de uma criança.

 

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