Empresa acumula prejuízo de R$ 10,1 bi no 2o trimestre de 2026 e oito trimestres consecutivos de perdas
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) manifestou-se favoravelmente ao processamento da recuperação judicial do grupo Casas Bahia nesta quinta-feira (15/10). A promotoria entendeu que as dez empresas envolvidas atendem aos requisitos previstos no artigo 48 da Lei de Recuperação Judicial e Falências, mas apontou pendências documentais que deverão ser corrigidas.
O grupo declarou R$ 17,3 bilhões em dívidas no pedido de recuperação judicial. No segundo trimestre de 2026, a varejista registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, o oitavo trimestre consecutivo no vermelho. A companhia também anunciou cortes de funcionários em meio à reestruturação de suas operações.
A manifestação do MP-SP não representa uma decisão definitiva sobre o pedido. Cabe à Justiça de São Paulo decidir se autoriza o processamento da recuperação judicial.
O que o MP-SP disse
A promotoria considerou que o cumprimento dos requisitos legais permite dar andamento ao pedido, sem exigir formalidades que atrasem a reestruturação da empresa. No parecer, afirmou não se justificar “apego a formalismos excessivos que comprometam a celeridade do soerguimento”.
Apesar da avaliação favorável, o órgão apontou a necessidade de complementar certidões e apresentar projeções contábeis individualizadas. As pendências foram classificadas como passíveis de correção.
A análise da viabilidade econômica do plano de recuperação ocorrerá em uma etapa posterior, durante as negociações com os credores, caso o pedido seja aceito pela Justiça. O parecer favorável, portanto, não significa que o plano de recuperação tenha sido aprovado.
O que a perícia encontrou
A ACFB Administração Judicial realizou inspeções nas unidades do grupo entre 27 de agosto e 17 de setembro e entregou o laudo à Justiça em 2 de outubro.
O levantamento identificou atividade em 735 das 744 lojas físicas e em 25 dos 29 centros de distribuição. Oito lojas e três centros não apresentaram indícios de funcionamento, enquanto dois endereços permaneceram sem confirmação.
A perícia constatou que a rede continua em operação, mas registrou a entrega incompleta de documentos exigidos pela legislação. Na avaliação técnica, as omissões não seriam suficientes, por si só, para inviabilizar o processamento do pedido.
O laudo também apontou uma queda acentuada no movimento em agosto, mês em que a empresa protocolou a solicitação de recuperação judicial.
A perita afirmou que “a narrativa inicial [da varejista] mostrou-se plausível nos limites expostos, sem afastar as divergências e pendências identificadas”. Segundo o documento, os resultados oferecem elementos para a análise do pedido e das medidas solicitadas pela empresa.
O tamanho da crise
Fundada em 1952, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, a Casas Bahia fechou 298 lojas como parte de seu processo de reestruturação em 2026.
No segundo trimestre deste ano, o prejuízo líquido contábil chegou a R$ 10,1 bilhões. Desse total, R$ 9,1 bilhões corresponderam a efeitos contábeis não recorrentes que, segundo a companhia, não tiveram impacto no caixa do período. Sem esses efeitos, o prejuízo ajustado foi de R$ 978 milhões.
Antes de recorrer novamente à Justiça, o grupo havia concluído uma recuperação extrajudicial que reorganizou R$ 4,8 bilhões em dívidas. Nesse tipo de procedimento, a empresa negocia a reestruturação com credores fora do processo judicial, embora a homologação possa ser submetida à Justiça.
A decisão sobre o processamento da atual recuperação judicial será tomada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Fonte: TMC


