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Categoria: Ao ponto
BOA INTENÇÃO, RISCO DE CENSURA: A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que pretende restringir a divulgação de imagens de vítimas de crimes e acidentes. A justificativa é nobre: preservar a dignidade humana e evitar que tragédias se transformem em espetáculo. No papel, parece uma medida sensata. Na prática, porém, a proposta levanta uma preocupação legítima: até onde vai a proteção da vítima e onde começa o risco de censura à informação? Quem trabalha diariamente com jornalismo, especialmente na cobertura policial, sabe que a realidade muitas vezes é dura. Violência, acidentes e tragédias fazem parte do cotidiano das cidades. Mostrar esses fatos nunca foi, ou não deveria ser, uma questão de sensacionalismo, mas de transparência. A sociedade tem o direito de saber o que acontece à sua volta. O problema de legislações desse tipo é a subjetividade. O texto fala em “interesse público relevante”, mas não deixa claro quem define esse limite. O que para um jornalista é informação, para outro pode ser considerado excesso. Quando essa decisão passa a envolver risco de processo ou até pena criminal, cria-se um ambiente de medo que pode levar à autocensura. É evidente que existem exageros na exposição de imagens chocantes, e isso precisa ser debatido com seriedade. O próprio jornalismo responsável já possui limites éticos que orientam essa cobertura. Mas transformar essa discussão em crime pode acabar punindo justamente quem trabalha para informar a sociedade. No fim, o desafio não é esconder a realidade, mas tratá-la com responsabilidade. Proteger a dignidade das vítimas é essencial. Mas proteger também o direito de informar é o que garante que a sociedade continue enxergando a realidade como ela é, e não apenas como alguns gostariam que fosse. PAULO DE TARSO - EDITOR E JORNALÍSTA
O GRITO DAS VÍTIMAS QUE NÃO PODE SER CALADO: Existem crimes que não podem ser tratados como estatística ou apenas mais uma ocorrência policial. O estupro de vulnerável e o feminicídio representam o ponto mais cruel da violência humana. São atos que revelam o quanto ainda falhamos em proteger quem mais precisa. Toda vez que uma criança é abusada ou uma mulher perde a vida vítima da violência, não estamos diante apenas de um caso isolado. Estamos diante de um alerta doloroso de que algo precisa mudar com urgência. Cada história carrega um sofrimento que vai muito além do registro em um boletim de ocorrência — são famílias destruídas, traumas profundos e cicatrizes que muitas vezes acompanham as vítimas por toda a vida. O problema é que, em muitos momentos, a indignação da sociedade dura pouco. O assunto ganha espaço por alguns dias, gera revolta, mobiliza comentários e depois acaba sendo substituído por outra notícia. Enquanto isso, a realidade de quem sofreu a violência continua marcada por dor, medo e, muitas vezes, pela sensação de abandono. Tolerância zero não significa discursos inflamados ou punições fora da lei. Significa investigação séria, justiça que funcione e uma sociedade que não vire o rosto diante da violência. Significa também fortalecer mecanismos de proteção, incentivar denúncias e garantir que vítimas e familiares encontrem apoio real quando mais precisam. Mais do que endurecer palavras, é necessário endurecer o compromisso coletivo de não normalizar a barbárie. Porque quando a violência encontra silêncio, ela se fortalece. Quando encontra indiferença, ela se repete. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA 
SETENTA VEZES SETE... MENOS NA POLÍTICA: Em Rondônia, a política às vezes parece mais novela do que gestão pública. Nos últimos capítulos, o enredo gira em torno do desentendimento entre o governador Marcos Rocha e o vice-governador Sérgio Gonçalves. Dois nomes que, publicamente, costumam mencionar valores cristãos, mas que, na prática do poder, parecem ter deixado o exercício do perdão em algum versículo esquecido da estante. Nos bastidores, a sensação é de que ninguém quer dar o primeiro passo. Um não cede, o outro não recua. E assim a política vira queda de braço, enquanto o cidadão assiste da arquibancada tentando entender onde termina o interesse público e começa o orgulho pessoal. Curioso é que, para quem se declara cristão, o manual de instruções é bastante claro. No Evangelho de Jesus Cristo, está escrito em Bíblia, no livro de Mateus (18:21-22): “Não te digo que perdoes até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” Ou seja, perdão não é exceção, é prática constante. Mas quando o assunto é poder, cargos e influência, parece que até a paciência bíblica fica pequena. A política, que deveria ser ponte, vira muro. E o que poderia ser resolvido com diálogo acaba virando disputa de bastidores, alimentando rumores e desgastes desnecessários. No fim das contas, fica a velha pergunta que ecoa nas rodas de conversa de Porto Velho ao interior; será que o problema é falta de perdão… ou excesso de vaidade? Porque, convenhamos, se a política de Rondônia dependesse apenas da capacidade de perdoar, talvez alguns líderes ainda estivessem presos no primeiro versículo. Por Paulo de Tarso - Jornalista 
COTA DE GÊNERO; OBRIGAÇÃO, NÃO FAVOR: Nas eleições proporcionais de 2026, partidos e federações são obrigados a preencher no mínimo 30% e no máximo 70% das candidaturas de cada sexo para deputado federal, estadual/distrital e vereador. A exigência é fiscalizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e não é mera recomendação, é lei. A regra também alcança dinheiro e visibilidade: o Fundo Eleitoral e o tempo de propaganda devem ser distribuídos na mesma proporção das candidaturas femininas registradas. Se houver fraude, como candidaturas fictícias apenas para cumprir tabela, a Justiça Eleitoral pode anular a chapa e aplicar sanções. A cota não garante vitória a ninguém. Mas garante presença mínima numa disputa historicamente desigual. Desde que as brasileiras conquistaram o direito ao voto, em 1932, a participação feminina avançou, porém ainda não reflete o tamanho das mulheres na sociedade. A política, por muito tempo, foi um espaço quase exclusivo dos homens, e isso deixou marcas. Em 4 de outubro de 2026, o país volta às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados. A cota de gênero, goste-se ou não, é uma tentativa institucional de tornar essa escolha mais representativa. Não resolve tudo. Mas ignorar o problema seria ainda pior. Por Paulo de Tarso - Jornalista 
SETENTA MILHÕES PARA O GOL, ENQUANTO O PRONTO=SOCORRO JOGA NA DEFESA: A proposta de ampliação do Estádio Aluízio Ferreira surge como símbolo de modernização e incentivo ao esporte em Porto Velho. O investimento previsto, na casa dos R$ 70 milhões, promete estrutura mais ampla, conforto ao torcedor e novo fôlego ao futebol local. Não há questionamento sobre a importância do esporte. A capital precisa, sim, de equipamentos públicos atualizados. O problema não está na arquibancada; está na ordem das prioridades. Enquanto se desenham projetos para cadeiras numeradas e iluminação de padrão nacional, pacientes seguem ocupando corredores do Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II. Lá, o apito inicial soa diferente: falta leito, sobra demanda e o placar raramente é favorável. A discussão, portanto, não é “estádio ou esporte”. É planejamento. Em um cenário onde a saúde opera no limite, destinar milhões ao concreto esportivo parece uma escolha ousada — para usar um termo educado. Talvez a gestão pública esteja apostando que, com um estádio maior, a torcida não repare no campeonato que se perde diariamente fora das quatro linhas. A pergunta é; Este é o momento? Por Paulo de Tarso - Jornalista 
ENTRE O COEFICIENTE E A CONVENIÊNCIA: Começou a temporada oficial do “muda que dá tempo”. Antes das convenções partidárias, o cenário político vira pista de dança: entra partido, sai partido, troca a música, mas o dançarino é o mesmo. A explicação é sempre técnica. Falam em coeficiente eleitoral, estratégia, viabilidade. Palavras bonitas que soam como manual de instrução. Nos bastidores, porém, o clima lembra liquidação de fim de estoque: disputa por legenda, corrida por espaço e alianças que até ontem eram impossíveis, mas hoje são “amadurecidas pelo diálogo”. É curioso como a ideologia consegue caber na mala de viagem. Dobra, encaixa e segue para o novo endereço. Tudo, claro, pelo bem do povo. Sempre pelo bem do povo. Coincidentemente, também pelo bem da própria sobrevivência política. O barulho é tanto que assusta. Mexe pra lá, mexe pra cá, líderes calculando cenários como se fosse campeonato de xadrez, mas com torcida organizada. No final, o eleitor observa da arquibancada e tenta entender; é convicção ou conveniência? Estratégia ou sobrevivência? Porque, se for apenas jogo, o público já entendeu as regras. e anda cada vez menos disposto a aplaudir coreografia repetida. Por Paulo de Tarso - Jornalista 
A DIETA FORÇADA DA CÂMARA DE PORTO VELHO: A redução no repasse da Prefeitura de Porto Velho para a Câmara Municipal de Porto Velho caiu como aquele aviso de banco no fim do mês: curto, direto e impossível de ignorar. Diante do novo cenário, o presidente da Casa decidiu apertar o cinto — e não foi pouco. Entraram na tesoura os copos descartáveis, as horas extras, cursos, nomeações e outras despesas que, até ontem, pareciam parte da mobília institucional. Agora, cada folha impressa pode virar debate filosófico sobre responsabilidade fiscal. O detalhe que dá tempero à história é que a Câmara realizou recentemente um concurso público. Prova, expectativa, estrutura, custo. E agora? A pergunta que ecoa nos corredores é inevitável, planejamento falhou ou o caixa simplesmente encolheu mais rápido que discurso em fim de sessão? Nos bastidores, o clima é de contenção. Se antes o problema era acomodar novos servidores, agora o desafio parece ser acomodar o orçamento. A matemática pública é implacável: quando o repasse diminui, a realidade aumenta. Pelo visto, os próximos capítulos prometem menos cerimônia e mais calculadora. Paulo de Tarso – Jornalista
PAPAGAIO DE PIRATA, DISPUTA PELO MELHOR LUGAR NA FOTO: Todo ano a cena se repete em Porto Velho: basta começar a concentração da Banda do Vai Quem Quer para surgir uma verdadeira disputa por espaço nas fotos oficiais. Tem político que aparece mais rápido que confete no ar. Entre um sorriso ensaiado e um “deixa eu ficar aqui do lado”, formam-se filas estratégicas na frente do trio principal, sempre com aquele jeitinho de quem não quer nada — mas quer tudo: a melhor posição na imagem, querem se destacar mais do que a própria presidente da banda e autoridades convidadas. Então vale cotovelo estratégico, vale selfie coletiva, vale até surgir no enquadramento de última hora, como legítimo papagaio de pirata em alto-mar eleitoral. A lógica é simples e assumida nos bastidores; “quem não é visto não é lembrado”.  E quando o ano é de eleição, a animação dobra. O samba vira palanque improvisado, a selfie vira santinho digital e a folia ganha filtro eleitoral. No fim das contas, a banda continua do povo — mas tem gente que nunca perde o ritmo quando o assunto é aparecer. Por Paulo de Tarso - Jornalista
PEDÁGIO VOLTA NA BR 364 E OS "PAIS DA SUSPENSÃO" DESAPARECERAM DO MAPA: Quando a cobrança do pedágio na BR-364 foi suspensa, não faltou parlamentar em Rondônia batendo no peito, exibindo papel timbrado e dizendo: “fui eu”. Teve coletiva, vídeo nas redes sociais e discurso inflamado em defesa do bolso do povo. Agora, com a decisão da Justiça Federal liberando a retomada da cobrança, o silêncio virou unânime. Nenhuma selfie, nenhum pronunciamento heroico, nenhum documento erguido para as câmeras. Cadê os pais da criança? Sumiram. Na política rondoniense, obra com aplauso sempre tem muitos padrinhos. Mas medida impopular vira órfã em tempo recorde. Fica a dúvida: quem assume a paternidade do retorno do pedágio? Ou, como de costume, a conta fica só para quem passa na cancela? Por Paulo de Tarso - Jornalista
SALA DE AULA SOB PRESSÃO; QUANDO ENSINAR ADOECE: Não é força de expressão: professores estão adoecendo em ritmo acelerado no Brasil. Relatórios do INSS mostram crescimento dos afastamentos por transtornos mentais nos últimos anos, e educadores estão entre os grupos mais atingidos. Ansiedade, depressão, síndrome de burnout e problemas vocais lideram a lista. Na ponta, quem sente primeiro é a escola. A rotina ajuda a explicar. Jornadas que ultrapassam o horário de aula, acúmulo de turmas, metas inalcançáveis, burocracia sem fim e salários corroídos pela inflação formam um caldeirão de pressão. Soma-se a isso a desvalorização social, a violência — física e simbólica — dentro e fora da sala e, em muitos casos, a perseguição institucional por cobrar direitos ou denunciar problemas. O resultado é o esgotamento. Levantamentos de entidades representativas indicam que a maioria dos docentes relata níveis elevados de estresse e sensação de desamparo. Não é raro que o professor trabalhe doente, por medo de represálias ou por não haver substituto. Quando o corpo e a mente pedem pausa, o afastamento vira regra — e a aprendizagem, exceção. O fundo do poço não é individual; é sistêmico. Adoece quem ensina, perde quem aprende. Valorizar o professor não é slogan: passa por condições dignas de trabalho, apoio psicológico contínuo, gestão humanizada e respeito. Sem isso, a escola continua em pé — mas sustentada por gente exausta. Por Paulo de Tarso - Jornalista