A informação que constrói sociedade

Mais previsões: Previsao do tempo 30 dias
Categoria: Ao ponto
VOTO SEM CONSCIÊNCIA COBRA CARO: Tem muita gente que encara a urna como obrigação, não como poder. Vai lá, aperta qualquer número, cumpre o “dever” e volta pra casa como se tivesse feito o suficiente. Mas voto não é carimbo de presença, é decisão que pesa por quatro anos, às vezes muito mais. Aqui em Rondônia, como em boa parte do país, ainda tem eleitor que escolhe no impulso, na amizade, no favor, no “me ajuda que eu te ajudo”. Outros votam pela raiva, pela onda do momento, ou simplesmente porque não quiseram perder tempo pesquisando. E depois vem a cobrança: cadê a saúde? cadê a estrada? cadê a segurança? A verdade é dura, mas precisa ser dita: político ruim não nasce do nada, ele é eleito. E muitas vezes eleito por falta de atenção, de interesse ou de consciência de quem vota. O voto é simples na hora de apertar, mas gigante nas consequências. Não é só um direito, é uma responsabilidade. E enquanto a gente tratar isso como algo pequeno, vai continuar colhendo resultados do mesmo tamanho. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA
CHEGA DE PROMESSA, RONDÔNIA QUER ENTREGA: O eleitor de Rondônia já não se impressiona com discurso afinado nem com agenda cheia de fotos. O que ele quer é bem mais simples e, curiosamente, mais difícil de encontrar: resultado. Depois de tantos ciclos eleitorais, a paciência encurtou. E a memória, ao contrário do que muitos políticos ainda apostam, anda mais afiada. No interior, onde o asfalto acaba e a realidade começa, o sentimento é direto, não dá mais para governar só em período eleitoral. Estrada que some no inverno, hospital que vive no limite, segurança que depende do acaso isso não cabe mais em promessa. Cabe em solução. E com prazo. O próximo governador não precisa ser o dono do melhor marketing, nem o campeão de palanque. Precisa ser alguém que entenda que gestão pública não é campanha permanente. É entrega diária, silenciosa e, muitas vezes, ingrata. Porque, no fim, o que conta não é o discurso que emociona é o problema que deixa de existir. Há também um eleitor mais atento, menos tolerante com velhos vícios. Aquele que já percebeu que troca de grupo político nem sempre significa mudança de prática. Que sabe identificar quando o “novo” vem com manual antigo. E que começa a exigir coerência algo raro, mas cada vez mais cobrado. O rondoniense não espera milagre. Mas também não aceita mais desculpa pronta. Quer saúde funcionando, estrada trafegável, presença do Estado onde hoje só chega promessa. Quer, sobretudo, respeito algo que começa quando o voto deixa de ser tratado como favor e passa a ser entendido como cobrança. O eleitor de Rondônia já não se impressiona com discurso afinado nem com agenda cheia de fotos. O que ele quer é bem mais simples e, curiosamente, mais difícil de encontrar: resultado. Depois de tantos ciclos eleitorais, a paciência encurtou. E a memória, ao contrário do que muitos políticos ainda apostam, anda mais afiada. No interior, onde o asfalto acaba e a realidade começa, o sentimento é direto; não dá mais para governar só em período eleitoral. Estrada que some no inverno, hospital que vive no limite, segurança que depende do acaso isso não cabe mais em promessa. Cabe em solução. E com prazo. O próximo governador não precisa ser o dono do melhor marketing, nem o campeão de palanque. Precisa ser alguém que entenda que gestão pública não é campanha permanente. É entrega diária, silenciosa e, muitas vezes, ingrata. Porque, no fim, o que conta não é o discurso que emociona é o problema que deixa de existir. Há também um eleitor mais atento, menos tolerante com velhos vícios. Aquele que já percebeu que troca de grupo político nem sempre significa mudança de prática. Que sabe identificar quando o “novo” vem com manual antigo. E que começa a exigir coerência algo raro, mas cada vez mais cobrado. O rondoniense não espera milagre. Mas também não aceita mais desculpa pronta. Quer saúde funcionando, estrada trafegável, presença do Estado onde hoje só chega promessa. Quer, sobretudo, respeito algo que começa quando o voto deixa de ser tratado como favor e passa a ser entendido como cobrança. Por Paulo de Tarso - Jornalista
MOVIMENTO QUE MUDA O JOGO: A ida do ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, para a Federação União Progressista que reúne União Brasil e Progressistas, não é apenas mais uma troca de partido. É um movimento calculado, com endereço certo: o Governo de Rondônia em 2026. Na política, ninguém muda de casa por acaso. E, neste caso, a mudança vem acompanhada de estrutura, tempo de televisão, fundo partidário e, principalmente, poder de articulação. Hildon sai de um PSDB enfraquecido e desembarca em um bloco que hoje oferece musculatura real para uma disputa majoritária. Mas nem tudo são aplausos. Se por um lado o ex-prefeito ganha força partidária, por outro assume o peso de liderar um projeto que vai exigir mais do que discurso técnico e gestão administrativa. Ele precisará provar que sua experiência em Porto Velho é suficiente para dialogar com um estado diverso, com demandas que vão muito além da capital. Há também o fator político puro: alianças. A federação é grande, mas não caminha sozinha. Hildon terá que costurar apoios, enfrentar resistências e, sobretudo, mostrar habilidade em um campo onde a técnica nem sempre vence, a política raiz, de bastidores, acordos e sobrevivência. Outro ponto que não pode ser ignorado é o eleitor. Em tempos de descrença, trocar de partido pode soar estratégico para quem está dentro do jogo, mas para quem está fora, muitas vezes parece apenas mais do mesmo. Cabe a ele transformar essa movimentação em narrativa convincente. Ainda assim, é inegável, Hildon entra no radar como um nome competitivo. Não é mais uma aposta distante, é um jogador sentado à mesa principal. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA - EDITOR
CURRÍCULO OU SÓ CORAGEM? À medida que se aproximam as eleições para o governo de Rondônia, o cenário político de Rondônia começa a se encher de pré-candidatos ao governo. Alguns surgem com experiência administrativa, outros com capital político acumulado, e há também aqueles que parecem ter descoberto a vocação para governar quase como quem descobre um hobby novo. Faz parte da democracia. O problema é quando a distância entre ambição e preparo se torna grande demais. Governar Rondônia não é tarefa simples. O estado enfrenta desafios históricos em áreas como saúde pública, infraestrutura, desenvolvimento regional e gestão fiscal. Exige conhecimento de máquina pública, capacidade de articulação política e, principalmente, histórico de decisões que demonstrem maturidade administrativa. Ainda assim, a cada ciclo eleitoral surgem nomes que parecem acreditar que popularidade momentânea ou visibilidade nas redes sociais substituem trajetória. Há pré-candidatos com carreira consolidada, que já passaram por mandatos legislativos ou cargos executivos e carregam no currículo acertos e erros, algo natural em quem realmente exerceu função pública. Esses, pelo menos, oferecem ao eleitor um histórico concreto para ser avaliado. Mas também aparecem figuras cuja principal credencial ainda é a própria intenção de disputar. E política, como se sabe nos bastidores, é um terreno onde coragem ajuda, mas currículo pesa. O eleitor rondoniense, que ao longo dos anos tem demonstrado senso crítico cada vez maior, provavelmente fará a pergunta mais simples — e ao mesmo tempo mais incômoda, a cada novo nome apresentado: o que essa pessoa já fez que demonstre capacidade real de governar um estado inteiro? Porque entre querer governar e estar preparado para governar existe uma diferença considerável. E não raro, nas eleições, essa diferença aparece justamente quando se olha com calma para a trajetória de cada pretendente ao cargo. No fim das contas, o governo de Rondônia não é um estágio político, nem um laboratório de boas intenções. É uma responsabilidade gigantesca. E talvez esteja na hora de a disputa sair um pouco do terreno do discurso e entrar, de vez, no território do histórico e da competência. POR PAULO DE TARSO JORNALISTA E EDITOR
BOA INTENÇÃO, RISCO DE CENSURA: A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que pretende restringir a divulgação de imagens de vítimas de crimes e acidentes. A justificativa é nobre: preservar a dignidade humana e evitar que tragédias se transformem em espetáculo. No papel, parece uma medida sensata. Na prática, porém, a proposta levanta uma preocupação legítima: até onde vai a proteção da vítima e onde começa o risco de censura à informação? Quem trabalha diariamente com jornalismo, especialmente na cobertura policial, sabe que a realidade muitas vezes é dura. Violência, acidentes e tragédias fazem parte do cotidiano das cidades. Mostrar esses fatos nunca foi, ou não deveria ser, uma questão de sensacionalismo, mas de transparência. A sociedade tem o direito de saber o que acontece à sua volta. O problema de legislações desse tipo é a subjetividade. O texto fala em “interesse público relevante”, mas não deixa claro quem define esse limite. O que para um jornalista é informação, para outro pode ser considerado excesso. Quando essa decisão passa a envolver risco de processo ou até pena criminal, cria-se um ambiente de medo que pode levar à autocensura. É evidente que existem exageros na exposição de imagens chocantes, e isso precisa ser debatido com seriedade. O próprio jornalismo responsável já possui limites éticos que orientam essa cobertura. Mas transformar essa discussão em crime pode acabar punindo justamente quem trabalha para informar a sociedade. No fim, o desafio não é esconder a realidade, mas tratá-la com responsabilidade. Proteger a dignidade das vítimas é essencial. Mas proteger também o direito de informar é o que garante que a sociedade continue enxergando a realidade como ela é, e não apenas como alguns gostariam que fosse. PAULO DE TARSO - EDITOR E JORNALÍSTA
O GRITO DAS VÍTIMAS QUE NÃO PODE SER CALADO: Existem crimes que não podem ser tratados como estatística ou apenas mais uma ocorrência policial. O estupro de vulnerável e o feminicídio representam o ponto mais cruel da violência humana. São atos que revelam o quanto ainda falhamos em proteger quem mais precisa. Toda vez que uma criança é abusada ou uma mulher perde a vida vítima da violência, não estamos diante apenas de um caso isolado. Estamos diante de um alerta doloroso de que algo precisa mudar com urgência. Cada história carrega um sofrimento que vai muito além do registro em um boletim de ocorrência — são famílias destruídas, traumas profundos e cicatrizes que muitas vezes acompanham as vítimas por toda a vida. O problema é que, em muitos momentos, a indignação da sociedade dura pouco. O assunto ganha espaço por alguns dias, gera revolta, mobiliza comentários e depois acaba sendo substituído por outra notícia. Enquanto isso, a realidade de quem sofreu a violência continua marcada por dor, medo e, muitas vezes, pela sensação de abandono. Tolerância zero não significa discursos inflamados ou punições fora da lei. Significa investigação séria, justiça que funcione e uma sociedade que não vire o rosto diante da violência. Significa também fortalecer mecanismos de proteção, incentivar denúncias e garantir que vítimas e familiares encontrem apoio real quando mais precisam. Mais do que endurecer palavras, é necessário endurecer o compromisso coletivo de não normalizar a barbárie. Porque quando a violência encontra silêncio, ela se fortalece. Quando encontra indiferença, ela se repete. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA 
SETENTA VEZES SETE... MENOS NA POLÍTICA: Em Rondônia, a política às vezes parece mais novela do que gestão pública. Nos últimos capítulos, o enredo gira em torno do desentendimento entre o governador Marcos Rocha e o vice-governador Sérgio Gonçalves. Dois nomes que, publicamente, costumam mencionar valores cristãos, mas que, na prática do poder, parecem ter deixado o exercício do perdão em algum versículo esquecido da estante. Nos bastidores, a sensação é de que ninguém quer dar o primeiro passo. Um não cede, o outro não recua. E assim a política vira queda de braço, enquanto o cidadão assiste da arquibancada tentando entender onde termina o interesse público e começa o orgulho pessoal. Curioso é que, para quem se declara cristão, o manual de instruções é bastante claro. No Evangelho de Jesus Cristo, está escrito em Bíblia, no livro de Mateus (18:21-22): “Não te digo que perdoes até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” Ou seja, perdão não é exceção, é prática constante. Mas quando o assunto é poder, cargos e influência, parece que até a paciência bíblica fica pequena. A política, que deveria ser ponte, vira muro. E o que poderia ser resolvido com diálogo acaba virando disputa de bastidores, alimentando rumores e desgastes desnecessários. No fim das contas, fica a velha pergunta que ecoa nas rodas de conversa de Porto Velho ao interior; será que o problema é falta de perdão… ou excesso de vaidade? Porque, convenhamos, se a política de Rondônia dependesse apenas da capacidade de perdoar, talvez alguns líderes ainda estivessem presos no primeiro versículo. Por Paulo de Tarso - Jornalista 
COTA DE GÊNERO; OBRIGAÇÃO, NÃO FAVOR: Nas eleições proporcionais de 2026, partidos e federações são obrigados a preencher no mínimo 30% e no máximo 70% das candidaturas de cada sexo para deputado federal, estadual/distrital e vereador. A exigência é fiscalizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e não é mera recomendação, é lei. A regra também alcança dinheiro e visibilidade: o Fundo Eleitoral e o tempo de propaganda devem ser distribuídos na mesma proporção das candidaturas femininas registradas. Se houver fraude, como candidaturas fictícias apenas para cumprir tabela, a Justiça Eleitoral pode anular a chapa e aplicar sanções. A cota não garante vitória a ninguém. Mas garante presença mínima numa disputa historicamente desigual. Desde que as brasileiras conquistaram o direito ao voto, em 1932, a participação feminina avançou, porém ainda não reflete o tamanho das mulheres na sociedade. A política, por muito tempo, foi um espaço quase exclusivo dos homens, e isso deixou marcas. Em 4 de outubro de 2026, o país volta às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados. A cota de gênero, goste-se ou não, é uma tentativa institucional de tornar essa escolha mais representativa. Não resolve tudo. Mas ignorar o problema seria ainda pior. Por Paulo de Tarso - Jornalista 
SETENTA MILHÕES PARA O GOL, ENQUANTO O PRONTO=SOCORRO JOGA NA DEFESA: A proposta de ampliação do Estádio Aluízio Ferreira surge como símbolo de modernização e incentivo ao esporte em Porto Velho. O investimento previsto, na casa dos R$ 70 milhões, promete estrutura mais ampla, conforto ao torcedor e novo fôlego ao futebol local. Não há questionamento sobre a importância do esporte. A capital precisa, sim, de equipamentos públicos atualizados. O problema não está na arquibancada; está na ordem das prioridades. Enquanto se desenham projetos para cadeiras numeradas e iluminação de padrão nacional, pacientes seguem ocupando corredores do Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II. Lá, o apito inicial soa diferente: falta leito, sobra demanda e o placar raramente é favorável. A discussão, portanto, não é “estádio ou esporte”. É planejamento. Em um cenário onde a saúde opera no limite, destinar milhões ao concreto esportivo parece uma escolha ousada — para usar um termo educado. Talvez a gestão pública esteja apostando que, com um estádio maior, a torcida não repare no campeonato que se perde diariamente fora das quatro linhas. A pergunta é; Este é o momento? Por Paulo de Tarso - Jornalista 
ENTRE O COEFICIENTE E A CONVENIÊNCIA: Começou a temporada oficial do “muda que dá tempo”. Antes das convenções partidárias, o cenário político vira pista de dança: entra partido, sai partido, troca a música, mas o dançarino é o mesmo. A explicação é sempre técnica. Falam em coeficiente eleitoral, estratégia, viabilidade. Palavras bonitas que soam como manual de instrução. Nos bastidores, porém, o clima lembra liquidação de fim de estoque: disputa por legenda, corrida por espaço e alianças que até ontem eram impossíveis, mas hoje são “amadurecidas pelo diálogo”. É curioso como a ideologia consegue caber na mala de viagem. Dobra, encaixa e segue para o novo endereço. Tudo, claro, pelo bem do povo. Sempre pelo bem do povo. Coincidentemente, também pelo bem da própria sobrevivência política. O barulho é tanto que assusta. Mexe pra lá, mexe pra cá, líderes calculando cenários como se fosse campeonato de xadrez, mas com torcida organizada. No final, o eleitor observa da arquibancada e tenta entender; é convicção ou conveniência? Estratégia ou sobrevivência? Porque, se for apenas jogo, o público já entendeu as regras. e anda cada vez menos disposto a aplaudir coreografia repetida. Por Paulo de Tarso - Jornalista