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Categoria: Ao ponto
PESQUISA NÃO ELEGE: Em ano pré-eleitoral, começa a velha enxurrada de números, gráficos e pesquisas aparecendo em grupos de WhatsApp, sites e redes sociais como se fossem verdade absoluta. Mas o eleitor de Rondônia precisa ficar atento e desconfiar quando uma pesquisa parece mais propaganda do que retrato da realidade. Nem todo instituto tem credibilidade. Muitas vezes aparecem levantamentos sem transparência, sem metodologia clara e, em alguns casos, claramente puxando a sardinha para determinado candidato. Isso vale tanto para a corrida regional, envolvendo deputados e senadores, quanto para a disputa nacional pela Presidência da República. Já teve eleição em que pesquisa mostrava um candidato lá na frente e, no fim, outro acabou vencendo nas urnas. Em muitos casos, quem aparecia como último colocado surpreendeu e ganhou a eleição, enquanto o favorito das pesquisas terminou derrotado. Isso mostra que pesquisa pode indicar tendência, mas nunca pode ser tratada como resultado definitivo. Em Rondônia, onde a política ainda é muito decidida no corpo a corpo, na conversa e no sentimento das ruas, pesquisa distante da realidade dificilmente se sustenta até o dia da votação. O eleitor precisa observar quem contratou a pesquisa, qual instituto realizou, quantas pessoas foram entrevistadas, onde o levantamento foi registrado e se aquele instituto realmente possui histórico de credibilidade. No fim das contas, quem decide eleição não é gráfico de internet nem manchete patrocinada. É o voto consciente dentro da urna. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA 
NA FALTA DE ARGUMENTO, SOBROU SOCO: O que aconteceu nesta terça-feira (12) dentro da Câmara Municipal de Porto Velho ultrapassa qualquer limite do aceitável. Um jornalista, no exercício da profissão, acabou agredido fisicamente pelo vereador MARCOS COMBATE em pleno espaço público, justamente onde deveria prevalecer o diálogo, o respeito e o equilíbrio. Foram socos, empurrões e uma cena lamentável que rapidamente movimentou toda classe de jornalistas, repudiando as agressões. A Câmara, que deveria ser a casa do povo, acabou virando palco de intolerância. E o mais grave: contra um profissional que estava ali trabalhando, fazendo perguntas e cumprindo seu papel de informar a população. Gostando ou não da imprensa, ninguém tem o direito de partir para agressão porque se incomodou com questionamentos. Política não pode funcionar na base da pancada. Se essa moda pega, daqui a pouco vereador irritado resolve trocar debate por violência toda vez que ouvir algo que não gosta. A democracia aceita crítica, cobrança e divergência. O que ela não aceita é covardia travestida de autoridade. Quem ocupa cargo público precisa entender uma coisa básica: mandato não dá licença para intimidar ninguém. Muito menos jornalista. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA
TARDE DEMAIS, MEU AMIGO: Agora não adianta chorar o leite derramado. O pedágio da BR-364 virou aquele tipo de problema que todo mundo viu chegando, mas fingiu que era só poeira na estrada. Pois é… não era poeira, era pedágio vindo — e dos mais caros. O que a gente vê agora é barulho. Muito discurso, muita indignação de última hora, muito pré-candidato querendo pegar uma beirinha pra aparecer. Amor pelo povo, assim, de repente… só quando convém. Antes disso, era um silêncio que dava até eco. E aí entra a BANCADA FEDERAL DE RONDÔNIA. Que tinha caneta, tinha espaço, tinha tempo — e preferiu assistir tudo de camarote, lá em Brasília, com ar-condicionado e café quente. Viram o processo andar, a concessão sair, o pedágio nascer… e não fizeram nada que mudasse o rumo da história. Agora querem correr atrás. Mas correr atrás do quê, exatamente? O contrato já tá assinado, o povo já tá pagando e a realidade já bateu na porta faz tempo. E não é só pedágio, não. Aqui em Rondônia parece que tudo vem com preço inflado: combustível, energia, custo de vida… viver virou um desafio diário. E quem podia ter segurado lá atrás, deixou passar.  No fim, fica aquele roteiro velho conhecido: primeiro deixaram acontecer, depois ficam brigando — ou fingindo que estão empenhados em cancelar contrato, como já vimos no caso da nossa energia. Aí passa a eleição, o assunto esfria e some junto com a coragem. Quero só ver se depois das urnas vai ter alguém eleito mantendo essa mesma disposição toda… sinceramente, tô quase pagando pra ver. POR PAULO DE TARSO - JORNALÍSTA 
VICE; O "PARÇA" QUE PODE VIRAR PATRÃO: Em Rondônia, tem candidato que escolhe vice como quem escolhe padrinho de casamento: na empolgação, no aperto de mão e na promessa de “tamo junto”. O problema é que, na política, o “tamo junto” costuma ter prazo de validade — e, quando vence, o que era parceria vira disputa de egos. Vice não é enfeite de chapa, não. É seguro de vida… ou risco calculado. Porque basta uma viagem mais longa, uma licença estratégica ou aquela velha vontade de disputar outro cargo, e pronto: o vice senta na cadeira e descobre que o ar lá em cima é diferente. Tem gente que se encanta rápido. O poder, meu amigo, não sobe só pra cabeça — faz até quem era sombra querer virar sol do meio-dia. E aí começa o roteiro que o rondoniense já conhece bem; o titular sai achando que deixou um aliado, mas quando olha pelo retrovisor, o discurso já mudou. O que antes era “continuidade” vira “agora vai”. O vice, agora comandante, quer mostrar serviço a qualquer custo. E, pra isso, tem quem não pense duas vezes antes de jogar a gestão anterior na fogueira, mesmo tendo assinado embaixo de tudo até ontem. É nessa hora que “a cobra fuma”. Aparecem auditorias, revisões, cortes simbólicos e aquele jeitinho de dizer: “se deu errado, não fui eu”. Tudo embalado com discurso de renovação, transparência e, claro, um olho já na reeleição. Política tem memória curta, mas o eleitor não é bobo, percebe quando a crítica vem mais de conveniência do que de convicção. Mas justiça seja feita, também tem titular que trata o vice como figurante, esquece de dividir decisões e planta o próprio problema. Aí, quando precisa, descobre que deixou crescer um concorrente dentro de casa. Escolher vice em Rondônia, e no Brasil inteiro, é um ato de coragem e de cálculo fino. Não basta ser “gente boa”, tem que ser leal quando convém e firme quando aperta. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA
PORTO VELHO SÓ EXISTE ATÉ ONDE TEM ASFALTO: Nos distritos de Porto Velho, a sensação é de estar sempre no fim da fila, quando não fora dela. Enquanto a cidade tenta manter a aparência de normalidade, basta pegar a estrada de chão pra ver a realidade; buraco que vira atoleiro, poeira que vira lama e promessa que nunca vira obra. Tem aluno perdendo aula porque o ônibus não chega. E não chega porque a estrada simplesmente não deixa. Na saúde, o cenário não melhora, falta atendimento, falta estrutura e, muitas vezes, falta até esperança de ser atendido sem precisar encarar horas de deslocamento. Pra quem vive nessas regiões, o básico virou luxo. O mais curioso, ou revoltante, é que os distritos só aparecem no discurso. Na prática, ficam esquecidos, como se não fizessem parte do município. A gestão parece enxergar Porto Velho só do asfalto pra dentro. Do outro lado, onde a poeira sobe e a lama trava, o abandono fala mais alto. E aí fica a pergunta que ecoa entre quem vive essa realidade todo dia: até quando? Porque enquanto o problema é tratado como detalhe, tem gente vivendo o prejuízo na pele. E não é pouco. Por Paulo de Tarso - Jornalista 
ANO ELEITORAL; MILAGRE ATÉ EM PROMESSA: Em ano eleitoral, meu amigo, até o impossível vira política pública — pelo menos no discurso. É como se, de repente, o Brasil descobrisse que tem dinheiro, solução e boa vontade pra tudo. O que faltava ontem, hoje aparece com pressa, embrulhado em anúncio, bônus e coletiva. Não é novidade. É roteiro repetido. A eleição vai chegando e o poder vira um balcão de boas intenções: crédito facilitado, benefício ampliado, tarifa segurada, promessa espalhada feito santinho em dia de votação. Tudo urgente. Tudo necessário. Tudo “pro povo”. Mas curiosamente, esse zelo todo com a população tem prazo de validade. Passa outubro, some a pressa, volta o discurso da responsabilidade, do ajuste, do “não dá pra fazer agora”. A conta? Ah, essa nunca desaparece — só muda de endereço e, no fim, cai no colo de sempre. No Congresso, a conversa também muda de tom. Projetos que antes dormiam em gaveta ganham prioridade. Afinal, ninguém quer sair na foto como quem travou benefício em ano de urna aberta. No fim das contas, não é sobre se pode ou não pode gastar. É sobre quando convém. E, convenhamos, em ano eleitoral, convém tudo. POR PAULO DE TARSO - JORNALÍSTA
CORRIDA AO GOVERNO; TODO MUNDO PRONTO... SERÁ? : Nos bastidores da política rondoniense, o clima já é de pré-campanha — mesmo que, oficialmente, ainda se fale em cautela. Três nomes começam a ganhar corpo nesse cenário: Marcos Rogério, Adailton Fúria e Hildon Chaves. Cada um com seu estilo, sua base e, principalmente, seus desafios. Marcos Rogério joga com a força de quem já tem visibilidade nacional e trânsito em Brasília. Mas carrega o peso de precisar provar que discurso firme se traduz em gestão eficiente — algo que o eleitor anda cobrando cada vez mais. Não basta falar bonito no Senado; o povo quer saber se resolve no chão de Rondônia. Já Adailton Fúria vem com aquele perfil mais direto, de gestor que gosta de mostrar serviço. Cresceu politicamente com uma imagem de “fazedor”, especialmente no interior. O problema é romper a bolha regional e convencer o restante do estado de que sua experiência local dá conta de um governo inteiro — e não apenas de uma prefeitura bem avaliada. Hildon Chaves, por sua vez, tenta capitalizar sua passagem pela capital. Tem discurso técnico, postura moderada e aposta na imagem de administrador equilibrado. Mas enfrenta o desafio de empolgar o eleitorado. Em política, às vezes, ser correto não é suficiente — é preciso também criar conexão, gerar entusiasmo. No fim das contas, o que se desenha é um cenário sem favorito absoluto. Rondônia parece caminhar para uma disputa aberta, onde o eleitor, mais atento e desconfiado, não está disposto a comprar promessa vazia. Quem quiser chegar forte em 2026 vai precisar mais do que estratégia: vai ter que mostrar resultado, verdade e, acima de tudo, respeito com quem vota. Porque por aqui, meu amigo, o povo até escuta… mas só acredita vendo. Por: Paulo de Tarso - Jornalista
ROCHA FICA, E O SONHO ESPERA : Na política de Rondônia, nem sempre o que parece certo vira realidade. E dessa vez, o recado veio direto, sem rodeio, o governador Marcos Rocha decidiu ficar. Segue no comando do Estado até o fim do mandato, sem abrir espaço, sem passar a caneta e, principalmente, sem alimentar expectativas nos bastidores. A decisão, apesar de legítima e dentro das regras do jogo, caiu como um balde de água fria em quem esperava uma reviravolta, principalmente no vice, Sérgio Gonçalves. O que se ouve é que havia, sim, um sonho sendo construído. A chance de assumir o governo, ainda que por um período, poderia mudar o rumo de uma trajetória política e colocar de vez o nome dele no jogo grande. Mas não foi dessa vez. Rocha optou pela estabilidade. Preferiu segurar o leme até o fim, manter o controle da gestão e evitar abrir espaço em um momento delicado do cenário político nacional. É uma escolha estratégica, claro, e também pessoal. No fundo, política é isso: cálculo, timing e, muitas vezes, silêncio. Para Sérgio Gonçalves, fica o aprendizado, e talvez a frustração guardada. Porque em Rondônia, quem vive de política sabe: oportunidade não se pede, se constrói. E, quando ela não vem, o jeito é continuar caminhando, mesmo com o gosto amargo do “quase”. Por: PAULO DE TARSO - JORNALISTA 
VOTO SEM CONSCIÊNCIA COBRA CARO: Tem muita gente que encara a urna como obrigação, não como poder. Vai lá, aperta qualquer número, cumpre o “dever” e volta pra casa como se tivesse feito o suficiente. Mas voto não é carimbo de presença, é decisão que pesa por quatro anos, às vezes muito mais. Aqui em Rondônia, como em boa parte do país, ainda tem eleitor que escolhe no impulso, na amizade, no favor, no “me ajuda que eu te ajudo”. Outros votam pela raiva, pela onda do momento, ou simplesmente porque não quiseram perder tempo pesquisando. E depois vem a cobrança: cadê a saúde? cadê a estrada? cadê a segurança? A verdade é dura, mas precisa ser dita: político ruim não nasce do nada, ele é eleito. E muitas vezes eleito por falta de atenção, de interesse ou de consciência de quem vota. O voto é simples na hora de apertar, mas gigante nas consequências. Não é só um direito, é uma responsabilidade. E enquanto a gente tratar isso como algo pequeno, vai continuar colhendo resultados do mesmo tamanho. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA
CHEGA DE PROMESSA, RONDÔNIA QUER ENTREGA: O eleitor de Rondônia já não se impressiona com discurso afinado nem com agenda cheia de fotos. O que ele quer é bem mais simples e, curiosamente, mais difícil de encontrar: resultado. Depois de tantos ciclos eleitorais, a paciência encurtou. E a memória, ao contrário do que muitos políticos ainda apostam, anda mais afiada. No interior, onde o asfalto acaba e a realidade começa, o sentimento é direto, não dá mais para governar só em período eleitoral. Estrada que some no inverno, hospital que vive no limite, segurança que depende do acaso isso não cabe mais em promessa. Cabe em solução. E com prazo. O próximo governador não precisa ser o dono do melhor marketing, nem o campeão de palanque. Precisa ser alguém que entenda que gestão pública não é campanha permanente. É entrega diária, silenciosa e, muitas vezes, ingrata. Porque, no fim, o que conta não é o discurso que emociona é o problema que deixa de existir. Há também um eleitor mais atento, menos tolerante com velhos vícios. Aquele que já percebeu que troca de grupo político nem sempre significa mudança de prática. Que sabe identificar quando o “novo” vem com manual antigo. E que começa a exigir coerência algo raro, mas cada vez mais cobrado. O rondoniense não espera milagre. Mas também não aceita mais desculpa pronta. Quer saúde funcionando, estrada trafegável, presença do Estado onde hoje só chega promessa. Quer, sobretudo, respeito algo que começa quando o voto deixa de ser tratado como favor e passa a ser entendido como cobrança. O eleitor de Rondônia já não se impressiona com discurso afinado nem com agenda cheia de fotos. O que ele quer é bem mais simples e, curiosamente, mais difícil de encontrar: resultado. Depois de tantos ciclos eleitorais, a paciência encurtou. E a memória, ao contrário do que muitos políticos ainda apostam, anda mais afiada. No interior, onde o asfalto acaba e a realidade começa, o sentimento é direto; não dá mais para governar só em período eleitoral. Estrada que some no inverno, hospital que vive no limite, segurança que depende do acaso isso não cabe mais em promessa. Cabe em solução. E com prazo. O próximo governador não precisa ser o dono do melhor marketing, nem o campeão de palanque. Precisa ser alguém que entenda que gestão pública não é campanha permanente. É entrega diária, silenciosa e, muitas vezes, ingrata. Porque, no fim, o que conta não é o discurso que emociona é o problema que deixa de existir. Há também um eleitor mais atento, menos tolerante com velhos vícios. Aquele que já percebeu que troca de grupo político nem sempre significa mudança de prática. Que sabe identificar quando o “novo” vem com manual antigo. E que começa a exigir coerência algo raro, mas cada vez mais cobrado. O rondoniense não espera milagre. Mas também não aceita mais desculpa pronta. Quer saúde funcionando, estrada trafegável, presença do Estado onde hoje só chega promessa. Quer, sobretudo, respeito algo que começa quando o voto deixa de ser tratado como favor e passa a ser entendido como cobrança. Por Paulo de Tarso - Jornalista