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PEDÁGIO VOLTA NA BR 364 E OS "PAIS DA SUSPENSÃO" DESAPARECERAM DO MAPA: Quando a cobrança do pedágio na BR-364 foi suspensa, não faltou parlamentar em Rondônia batendo no peito, exibindo papel timbrado e dizendo: “fui eu”. Teve coletiva, vídeo nas redes sociais e discurso inflamado em defesa do bolso do povo. Agora, com a decisão da Justiça Federal liberando a retomada da cobrança, o silêncio virou unânime. Nenhuma selfie, nenhum pronunciamento heroico, nenhum documento erguido para as câmeras. Cadê os pais da criança? Sumiram. Na política rondoniense, obra com aplauso sempre tem muitos padrinhos. Mas medida impopular vira órfã em tempo recorde. Fica a dúvida: quem assume a paternidade do retorno do pedágio? Ou, como de costume, a conta fica só para quem passa na cancela? Por Paulo de Tarso - Jornalista
SALA DE AULA SOB PRESSÃO; QUANDO ENSINAR ADOECE: Não é força de expressão: professores estão adoecendo em ritmo acelerado no Brasil. Relatórios do INSS mostram crescimento dos afastamentos por transtornos mentais nos últimos anos, e educadores estão entre os grupos mais atingidos. Ansiedade, depressão, síndrome de burnout e problemas vocais lideram a lista. Na ponta, quem sente primeiro é a escola. A rotina ajuda a explicar. Jornadas que ultrapassam o horário de aula, acúmulo de turmas, metas inalcançáveis, burocracia sem fim e salários corroídos pela inflação formam um caldeirão de pressão. Soma-se a isso a desvalorização social, a violência — física e simbólica — dentro e fora da sala e, em muitos casos, a perseguição institucional por cobrar direitos ou denunciar problemas. O resultado é o esgotamento. Levantamentos de entidades representativas indicam que a maioria dos docentes relata níveis elevados de estresse e sensação de desamparo. Não é raro que o professor trabalhe doente, por medo de represálias ou por não haver substituto. Quando o corpo e a mente pedem pausa, o afastamento vira regra — e a aprendizagem, exceção. O fundo do poço não é individual; é sistêmico. Adoece quem ensina, perde quem aprende. Valorizar o professor não é slogan: passa por condições dignas de trabalho, apoio psicológico contínuo, gestão humanizada e respeito. Sem isso, a escola continua em pé — mas sustentada por gente exausta. Por Paulo de Tarso - Jornalista
O PODER E SEUS EFEITOS COLATERAIS: Na política, o desejo pelo poder parece não ter idade. Os experientes, calejados por décadas de mandato, querem permanecer a qualquer custo. Os inexperientes, embalados pelo discurso da mudança, sonham em chegar rápido demais. No meio disso tudo, fica a pergunta que o eleitor faz em silêncio: por quê? O poder, quando bem conduzido, pode transformar realidades, levar dignidade e corrigir injustiças. Mas, quando sobe à cabeça, vira vício. Afasta, cega, cria vaidades e transforma representantes em donos de mandato. Rondônia conhece bem esse filme — e ele se repete com novos atores e velhos roteiros. Os “dinossauros” da política resistem em sair de cena, mesmo com o surgimento de nomes novos, com outra linguagem, outras ideias e outras narrativas. Já parte dessa nova geração corre o risco de repetir erros antigos, seduzida por holofotes, curtidas e promessas fáceis. As redes sociais aceleraram tudo. A notícia chega antes da apuração, a opinião vem antes do fato, e a Fake News muitas vezes corre mais que a verdade. Nesse ambiente, quem grita mais nem sempre é quem faz melhor. No fim das contas, o poder revela mais do que constrói. Mostra caráter, limites e intenções. E cabe ao eleitor decidir se quer continuidade, ruptura ou apenas mais do mesmo — agora com filtro, legenda e compartilhamento. Por Paulo de Tarso - Jornalista
PEDÁGIO NÃO FREIA A MORTE NA BR 364: A BR-364 virou sinônimo de luto. Em poucos dias, mais tragédias, mais famílias destruídas, mais vidas interrompidas de forma brutal. Caminhões retorcidos, carros esmagados, sirenes no asfalto — um roteiro que se repete com uma crueldade cansativa. E isso tudo depois da implantação do pedágio, vendido como solução mágica para segurança e infraestrutura. O pedágio chegou, o risco ficou. O asfalto segue perigoso, a sinalização falha, os pontos críticos continuam sendo armadilhas fatais. O motorista paga, mas não vê retorno. Paga para ter medo. Paga para rezar antes de seguir viagem. Enquanto isso, Rondônia política vive outro mundo. Um mundo climatizado, longe da rodovia e do cheiro de combustível queimado. Deputados, líderes e aspirantes a poder estão ocupados demais reorganizando partidos, trocando de legenda como quem troca de camisa, costurando alianças e calculando votos para 2026. A BR-364 sangra. E Brasília, Porto Velho e os gabinetes fingem que não veem. Vidas seguem sendo ceifadas, mas o assunto do momento é outro: quem vai com quem, quem sai de qual partido, quem manda em qual sigla. No fim das contas, a conta chega sempre igual: o cidadão paga o pedágio, paga com impostos… e paga, muitas vezes, com a própria vida. Por Paulo de Tarso - Jornalista 
EX-POLÍTICOS DE RO E A URNA QUE NÃO CHAMA MAIS: Em Rondônia, alguns nomes que já foram figurinha carimbada em palanques, plenários e solenidades hoje encaram uma realidade bem menos glamourosa: a carreira política, ao que tudo indica, ficou no passado. O termômetro é simples e implacável — não vencem eleição nem em condomínio, quanto mais nas urnas oficiais. O cenário revela um eleitorado mais atento, menos tolerante a discursos repetidos e promessas recicladas. A velha fórmula do “já fiz muito pelo Estado” perdeu força diante de novos rostos, outras narrativas e, principalmente, da memória coletiva, que resolveu cobrar a conta. Nos bastidores, ainda há quem aposte no retorno triunfal, mas o clima é de nostalgia. São lideranças que já tiveram mandato, estrutura e holofotes, mas hoje enfrentam o silêncio das ruas e a frieza dos votos. O apoio minguou, o grupo se dispersou e o sobrenome, sozinho, não empurra campanha. A política, como o eleitor, muda. E em Rondônia, alguns políticos descobriram da forma mais dura que mandato não é vitalício — é empréstimo. E, para alguns, o prazo venceu faz tempo. Por Paulo de Tarso - Jornalista
ENTRE O ESFORÇO DIÁRIO E A URGÊNCIA DE MUDANÇAS: A saúde pública em Rondônia resiste graças ao esforço de profissionais que fazem muito com pouco, todos os dias. Médicos, enfermeiros e técnicos seguram a ponta mesmo diante da superlotação, da falta de insumos e de uma demanda que só cresce. Isso precisa ser reconhecido. Mas reconhecer não é fechar os olhos. A população sente na pele a demora por consultas, exames que não chegam e cirurgias que viram esperança adiada. Em muitos municípios, o atendimento ainda depende mais da boa vontade de quem trabalha no sistema do que de uma política pública bem estruturada. É verdade que há investimentos e tentativas de melhoria, mas eles ainda não alcançam a ponta como deveriam. Saúde não pode ser remendo nem discurso. Precisa de planejamento, transparência e prioridade real no orçamento. Cobrar não é torcer contra. Pelo contrário: é exigir que o direito básico à saúde funcione de forma digna. Rondônia merece um sistema que cuide das pessoas antes que a dor vire estatística. Por Paulo de Tarso - Jornalista
POLÍTICA EM MOVIMENTO: Entre o dito e o não feito, o governador Marcos Rocha tenta ganhar tempo — e preservar espaço. Ao afirmar que “dificilmente volta atrás”, mas sem fechar completamente a porta, Rocha mantém viva a ambiguidade que virou marca recorrente do atual tabuleiro político de Rondônia. Não assume o PSD, agradece o convite, reafirma que não será candidato agora, mas pede cautela e paciência. Traduzindo: não é sim, mas também não é nunca. O gesto mais concreto até aqui é o alinhamento político com o prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, visto como nome competitivo ao Palácio Rio Madeira. O encontro recente com o ex-senador Expedito Júnior, que deixou o convite aberto para Rocha comandar o PSD e ajudar na montagem da chapa federal, reforça que as articulações seguem aquecidas nos bastidores, mesmo quando o discurso público é de recuo. Na política, decisões adiadas também são decisões. E, enquanto o governador diz que não bebe dessa água, o copo segue estrategicamente sobre a mesa. Por Paulo de Tarso - Jornalista
MEDICINA SOB PROVA; QUANTIDADE NÃO SUBSTITUI QUALIDADE: Os dados do primeiro Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgados pelo MEC, funcionam como um sinal de alerta: cerca de 30% dos cursos de medicina do país tiveram desempenho insatisfatório, com menos de 60% dos estudantes atingindo o nível mínimo de proficiência ao final da graduação. Rondônia aparece nesse cenário com a Faculdade Metropolitana (UNNESA), de Porto Velho, incluída entre os cursos que passarão por supervisão. O registro não é uma condenação, mas um chamado à correção de rumos, especialmente em um estado que ainda convive com falta de médicos no interior e em áreas mais distantes. O resultado do Enamed reforça um debate nacional. Instituições públicas obtiveram médias mais altas, enquanto parte significativa dos cursos privados com fins lucrativos concentrou os piores desempenhos. A expansão acelerada das vagas, quando não acompanha investimento em estrutura e ensino, cobra seu preço. As medidas previstas pelo MEC, como redução de vagas ou restrições ao Fies, seguem a legislação e buscam proteger o interesse público. A mensagem é clara: formar médicos vai além de emitir diplomas. A saúde da população começa na qualidade da sala de aula — e esse é um compromisso que não pode ser relativizado. Por: Paulo de Tarso - Jornalista 
TROCA DE SIGLA, MUDANÇA DE COMANDO: A saída do governador Marcos Rocha do União Brasil e sua filiação ao PSD vão muito além de um simples ajuste partidário. Ao assumir a liderança da sigla em Rondônia, o governador reposiciona forças, reassume o centro das decisões e passa a conduzir, com mais autonomia, o debate sobre a sucessão estadual. Nos bastidores, o movimento já traz uma definição central: Fúria é o nome escolhido para disputar o governo. A sinalização interna é clara e reduz as especulações que se arrastavam nos corredores do poder. A discussão agora não gira mais em torno de “se”, mas de “como” a candidatura será consolidada e apresentada ao eleitorado. Com isso, Marcos Rocha deixa evidente que não pretende ser um espectador do processo eleitoral. Ao contrário, atua como articulador direto de um projeto político que busca continuidade administrativa, controle partidário e protagonismo no jogo de 2026. A troca de legenda, portanto, marca o início formal de uma nova disputa — com comando definido. Por: Paulo de Tarso - Jornalista
TROCA DE SIGLA, MESMA DESCONFIANÇA: A filiação de Expedito Júnior ao PT de Rondônia é legal e faz parte do jogo político, mas não passa despercebida pelo eleitor. Para o partido, é estratégia. Para parte da população, é estranhamento. Nas ruas, a pergunta é simples: mudou a ideia ou só a legenda? Sem uma explicação clara, cresce a sensação de que a política se move distante da realidade de quem observa. Não é escândalo. É símbolo de um tempo em que a troca de partidos ainda soa, para muitos rondonienses, como piada de gosto duvidoso. Por Paulo de Tarso - Jornalista