Redação A Gazeta de Rondônia
Com perfil municipalista e trânsito no interior, deputado pode equilibrar forças políticas e ampliar alcance eleitoral em Rondônia
A política rondoniense começa a dar sinais cada vez mais claros de que 2026 já está em movimento, ainda que, oficialmente, o calendário eleitoral pareça distante. Nos bastidores, articulações ganham forma, alianças são testadas e nomes passam a ser medidos não apenas pela popularidade, mas pela capacidade de somar. É nesse cenário que o deputado estadual Cirone Deiró começa a aparecer com força como possível vice em uma eventual chapa liderada por Hildon Chaves.
Mais do que uma escolha simbólica, a composição de uma chapa majoritária carrega, historicamente, o peso do equilíbrio político. E Cirone, nessa equação política, oferece algo que poucos conseguem reunir com naturalidade: presença consolidada no interior, diálogo com diferentes correntes e uma imagem associada a pautas práticas, longe dos grandes embates ideológicos que costumam desgastar nomes em disputas amplas.
Hildon Chaves, por sua vez, caso confirme uma candidatura ao governo, tende a buscar exatamente esse tipo de contraponto. Com trajetória marcada pela gestão em Porto Velho, ele carrega uma identidade mais urbana e administrativa. A presença de Cirone como vice poderia funcionar como ponte direta com municípios menores, lideranças regionais e setores produtivos que, muitas vezes, se sentem distantes das decisões concentradas na capital.
Nos corredores da Assembleia Legislativa e entre lideranças partidárias, a leitura é pragmática; Cirone não chega para disputar protagonismo, mas para agregar. E, em tempos de eleitorado mais atento e desconfiado, a escolha de um vice que não provoque rejeição pode ser tão estratégica quanto a definição do cabeça de chapa.
Há também um componente silencioso, mas decisivo: a capacidade de articulação. Cirone construiu, ao longo dos mandatos, uma relação estável com prefeitos, vereadores e bases locais, algo que, em uma eleição estadual, pode significar capilaridade real, voto consolidado e menos dependência de estruturas artificiais de campanha.
Ainda assim, o cenário está longe de ser definitivo. Outras forças políticas também se movimentam, e a definição de alianças dependerá de fatores como composição partidária, espaço de poder e, principalmente, viabilidade eleitoral medida por pesquisas mais consistentes nos próximos meses.
No entanto, o simples fato de o nome de Cirone Deiró começar a circular como vice já revela muito sobre o momento político de Rondônia: menos espaço para apostas arriscadas e mais valorização de perfis que tragam estabilidade, diálogo e conexão com a realidade do estado.
Se a chapa vai se confirmar, ainda é cedo para afirmar. Mas uma coisa é certa: em um jogo onde cada peça precisa fazer sentido, Cirone deixa de ser apenas um coadjuvante e passa a ocupar um lugar estratégico no xadrez eleitoral que já começou a ser jogado, mesmo antes do apito oficial.


