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Crítica do ministro, faltou estratégia e o prefeito de Cacoal Tony Pablo jogando contra

Reprodução
Carlos Sperança/Jornalista

Tudo se relaciona

Há pouco foram divulgadas “sete recomendações dos povos indígenas para um mundo sem combustíveis fósseis”. A base das recomendações é a observância dos direitos dos amazônidas e a necessidade de compreender que todas as partes do mundo estão conectadas e se interferem mutuamente, compreensão que deve levar a atitudes adequadas em benefício geral.

Um dos obstáculos ao desenvolvimento brasileiro é a radicalização em pontos de vista que excluem os demais. Um debate sério e responsável deveria inicialmente buscar os elementos de convergência e partir de imediato para ações necessárias, ao mesmo tempo isolando os pontos divergentes para debate específico e à parte, em busca de novos esclarecimentos, correções e consensos. Isso se faz com respeito, sem insultos.

Sem considerar o mérito de um assunto com tantas divergências, uma aula de como buscar as convergências veio do ministro da Educação, Leonardo Barchini, ao tratar da escala 6×1. Para ele, o fim da escala terá como importantes consequências “maior letramento das crianças e alfabetização mais rápida”.

É a aplicação da tese de que uma coisa leva a outra, ou seja, tudo tem consequências. O Congresso jogou todas as opiniões sobre o assunto num liquidificador para reduzir as divergências a pequenas teimosias. Haverá tempo depois disso para verificar até que ponto as crianças ganharão realmente com as modificações.

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Crítica do ministro

O ministro da Fazenda Dario Durigan criticou o governo de Rondônia por se recursar a participar do esforço do governo federal para amenizar os preços dos combustíveis no estado, em vista dos reflexos da crise provocada pela guerra no Oriente Médio, ressaltando que Rondônia foi o único estado que ficou fora. O ministro considerou e lamentou que a recusa ocorreu por motivos ideológicos já que estados mais pobres (e igualmente bolsonaristas) do que Rondônia (onde floresce o agronegócio) aceitaram dividir o impacto. Justificando a recusa, a turma de Marcos Rocha alegou que a perda seria de mais de R$ 20 bilhões, um valor fora do orçamento e a importância que faria falta.

Questão ideológica

Não tenho procuração para defender o governador Marcos Rocha da acusação do ministro, mas creio que o motivo da recusa não ocorreu por razões ideológicas. Mesmo porque Rocha deixou o bolsonarismo e ingressou no PSD, que é um partido da base do presidente Lula e como dizem os concorrentes, um puxadinho do PT.  Na verdade, acredito que o governo de Rondônia tenta se adequar a um rombo no orçamento – até deputados da sua base tem advertido que a coisa pode estourar a qualquer momento – e a falta desta dinheirama toda poderia refletir até no pagamento do funcionamento e dos credores do CPA.

Mais estratégia

A divulgação do nome do televisivo Everton Leoni para a condição de candidato a vice-governador de Adailton Fúria (PSD), ex-prefeito de Cacoal, poderia ter sido mais bem tratada pela articulação e marqueteiros da postulação chapa branca. Merecia um grande evento, reunindo que existe de melhor na coalizão e com isto mais repercussão. Ficou parecendo que o nome de Leoni foi anunciado para ser testado junto à opinião pública para depois ser referendando em algum evento de maior importância, o que também não deixa de ser um jogo de estratégia. Mas uma coisa é certa: a indicação vem do governador Marcos Rocha ratificada pelo ex-governador Ivo Cassol.

Em condições

Nos prós e contra a campanha chapa branca de Adailton Fúria (PSD), tem como a favor a máquina estadual a seu favor. A maior nominata de candidatos a Assembleia Legislativa. O alinhamento do governador Marcos Rocha e o apoio do ex-governador Ivo Cassol a ser anunciado. Agora, um vice de peso, Everton Leoni. Está com as paliçadas reforçadas para quebrar a polarização inicial entre as postulações do Senador Marcos Rogério (PL) com o ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves (União Progressista) que depende muito da capital para sonhar com uma vaga num previsível segundo turno.

Jogando contra

Mas o que joga contra o jovem candidato Adailton Fúria? Pesa contra, por exemplo as ações do vice-prefeito de Cacoal Tony Pablo, que assumiu o cargo e está desmoralizando a gestão do postulante do PSD na Capital do Café. Pablo deverá apoiar Marcos Rogério ou Hildon Chaves, adversários de Fúria e está caprichando no desgaste do antecessor. A combinação com o candidato do PT Expedito Neto, numa campanha praticamente de parceria, sendo o ex-senador Expedito Junior a frente de ambos, afasta o eleitorado conservador. Rogério já alfinetou: o PSD dizendo que é base aliada de Lula, ou seja, um puxadinho do PT na campanha eleitoral 2026.

Eleições 2026

Com boas cartas na manga para ganhar a eleição ao Palácio Rio Madeira, o senador Marcos Rogério (PL) sonha em se eleger em turno único. Para reduzir a influência do ex-prefeito Hildon Chaves na capital, conta com o alinhamento em Porto Velho com seu candidato ao Senado Fernando Máximo e o possível apoio do atual prefeito Leo Moraes (Podemos) que poderá indicar seu vice. Mas a grande carta na manga de Rogério é o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (no interior do estado) e a presença no seu palanque da ex-primeira dama Michele Bolsonaro. E o senador está caprichando na escolha do vice, que pode ser também oriundo de Porto Velho.

Dois turnos

Com tantos candidatos disputando o governo de Rondônia já é possível prever que teremos eleições em dois turnos no estado. São duas vagas no segundo turno com a campanha inicialmente polarizada por Rogerio e Hildon Chaves. Na medida em que a máquina estadual entrar em ação, mais os reforços obtidos recentemente, Adaiton Fúria entra na briga direta por uma vaga ao segundo turno e aí a coisa vai esquentar. Na oposição a Rogério existe um consenso: quem for ao segundo turno contra o senador bolsonarista leva. Por isto Hildão e Fúria não podem brigar muito, podem precisar um do outro no segundo turno.

Via Direta

*** Bruno Scheidt o candidato ao Senado bolsonarista em Rondônia enfrenta o mesmo problema que Carlos Bolsonaro em Santa Catarina e Hélio Negão em Roraima: falta de apoio nas bases *** Falei com adeptos do ex-governador Confúcio Moura e todos são unanimes em dizer que ele já está em campanha à reeleição. O MDB está mobilizando neste sentido *** A família e amigos do ex-senador Expedito Junior estão divididos na eleição rondoniense: uma parte com Adailton Fúria, outra com seu filho Expedito Neto. Quem sabe as duas candidaturas não se unem até as convenções?

Coluna Sperança

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