Pesquisa avalia como a população enxerga a preparação do país para futuras emergências de saúde
Uma pesquisa Datafolha realizada a pedido do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) revelou que 53% dos brasileiros não acreditam que o Brasil esteja preparado para uma possível nova pandemia.
A entrevista foi feita com 2.002 pessoas em todo o país e abordou temas como confiança nas instituições, acesso à informação e capacidade de respostas do sistema de saúde em caso de necessidade.
Os dados também revelam que 28% consideram que o Brasil está pouco preparado e apenas 18% acreditam que há uma boa organização para uma nova crise sanitária.
Quando questionados sobre o risco de novas crises sanitárias, os brasileiros demonstram preocupação. Quase metade (49%) afirma ter alto nível de apreensão, enquanto 36% classificam o risco como médio. Apenas uma pequena parcela declara ter pouca preocupação com a possibilidade de novas epidemias ou pandemias.
“Os dados mostram que o Brasil ainda não conseguiu transformar a experiência da covid-19 em uma sensação real de preparo. Quando mais de 80% da população afirma que o país está pouco ou nada preparado, estamos diante de um alerta claro da sociedade”, diz Gerson Penna, diretor-presidente do ITpS.
A sensação de insegurança aparece também na comparação com a pandemia recente. 46% dizem que se sentiriam menos seguros em uma nova emergência, enquanto apenas 28% acreditam que estariam mais protegidos hoje do que durante a covid-19, o que sugere percepção de retrocesso na capacidade de resposta.
Ao apontar o que precisa melhorar, os entrevistados destacam principalmente o fortalecimento do sistema de saúde (19%), seguido por melhor comunicação e informação à população (18%) e investimento em vacinas (17%).
Os resultados indicam que a população espera não apenas mais estrutura, mas também coordenação, clareza nas orientações e confiança nas autoridades durante situações de emergência.
Os resultados mostram que a busca por informação durante crises sanitárias é quase universal: 99% dos entrevistados afirmam recorrer a algum meio para se informar, utilizando, em média, quatro fontes differentes.
Entre as mais citadas estão profissionais ou unidades de saúde (88%) e televisão (78%), seguidos por médicos e especialistas, que são considerados as fontes mais confiáveis por 58% da população.
Também aparecem a Organização Mundial da Saúde (41%) e o Ministério da Saúde ou outros órgãos do governo (40%). Familiares e amigos são citados por 20%, líderes religiosos por 9% e políticos por apenas 3%.
Mesmo com amplo acesso à informação, 61% dos brasileiros dizem ter tido dificuldade em saber em quem confiar durante epidemias ou pandemias, o que evidencia o impacto da desinformação e da grande quantidade de fontes disponíveis.
Ainda assim, a maioria afirma seguir as orientações das autoridades de saúde, especialmente medidas básicas como a higiene das mãos, mencionada por 92% dos entrevistados.


