A Gazeta de Rondônia
Por: Paulo de Tarso Cabral
Confrontos, acusações e questionamentos dominaram a noite na SIC TV, enquanto temas como saúde, estradas, energia e desenvolvimento ainda aguardam respostas mais concretas para o futuro de Rondônia.
O debate promovido pela SIC TV, afiliada da Record em Porto Velho, era uma das oportunidades mais aguardadas da campanha ao Governo de Rondônia. Com seis candidatos frente a frente, o eleitor esperava mais do que troca de acusações, respostas ensaiadas e velhos argumentos políticos. Esperava conhecer, com clareza, o que cada um pretende fazer caso chegue ao Palácio Rio Madeira.
O encontro desta segunda-feira (21), porém, novamente mostrou uma característica que vem aparecendo em outros debates desta eleição: muito confronto e pouco aprofundamento sobre como transformar promessas em ações concretas.
Saúde, Energisa, pedágios, infraestrutura, agricultura, educação e segurança estiveram entre os assuntos discutidos. Houve também embates mais duros entre os candidatos e pedidos de direito de resposta.
O problema não esteve na organização do debate. A SIC TV ofereceu aos candidatos espaço, regras e tempo para apresentarem suas ideias. A questão está no conteúdo que chegou ao eleitor.
Em vários momentos, a discussão caminhou para acusações, respostas políticas e questionamentos sobre trajetórias pessoais e administrativas. O eleitor, entretanto, precisa de algo mais objetivo: quanto será investido, de onde virão os recursos, quais obras serão priorizadas, quais hospitais serão construídos ou ampliados, como funcionará a regionalização da saúde e quais medidas efetivamente podem ser tomadas pelo Governo do Estado.
É nesse ponto que os debates ainda deixam uma lacuna.
Pedro Abib (MDB) apresentou propostas e críticas ao modelo tradicional de gestão, incluindo questionamentos sobre privatizações e concessões, mas algumas de suas ideias foram apresentadas sem o detalhamento necessário sobre execução, custos e prazos.
Samuel Costa adotou uma postura mais voltada aos questionamentos aos adversários. Os confrontos com outros candidatos ganharam espaço significativo em sua participação, inclusive com episódios que resultaram em pedidos de direito de resposta.
Hildon Chaves concentrou parte importante de sua participação em questões relacionadas à gestão municipal, infraestrutura e experiência administrativa. Em alguns momentos, as respostas acabaram dividindo espaço com confrontos diretos, deixando menos tempo para aprofundar determinadas propostas.
Adailton Fúria utilizou boa parte de seus confrontos para defender sua passagem pela administração de Cacoal e responder a questionamentos dos adversários. Energisa, saúde e infraestrutura estiveram entre os principais assuntos de sua participação.
Marcos Rogério também entrou nos principais confrontos da noite, especialmente em temas como saúde, infraestrutura, pedágios, concessões e Energisa. Em determinados momentos, conseguiu apresentar posições mais detalhadas sobre esses assuntos, mas também participou do ambiente de enfrentamento que marcou boa parte do programa.
Expedito Neto e Samuel Costa protagonizaram um dos momentos mais tensos da noite, com acusações pessoais que acabaram provocando direito de resposta. As alegações apresentadas no debate pelos candidatos não devem ser tratadas como fatos comprovados sem documentação independente.
O eleitor quer saber o “como”
Debate eleitoral não deveria ser apenas um palco para o candidato perguntar ao adversário aquilo que gostaria que o eleitor perguntasse. Também precisa ser uma oportunidade para explicar o próprio projeto.
Rondônia tem problemas conhecidos: filas e deslocamento de pacientes, estradas que precisam de manutenção e pavimentação, dificuldades de infraestrutura, custo da energia, desafios na educação, segurança pública e necessidade de fortalecer a economia.
O eleitor já conhece boa parte desses problemas.
O que ainda falta ouvir com mais clareza é o como.
Como será feito? Quanto vai custar? De onde virá o dinheiro? Em quanto tempo? Quem será responsável? Qual será a prioridade nos primeiros 100 dias de governo?
São perguntas simples, mas fundamentais.
E é justamente por isso que o debate da SIC TV, apesar da importância e da estrutura oferecida pela emissora, terminou deixando a sensação de que a campanha ainda deve aos eleitores uma discussão mais profunda sobre o futuro do Estado.
Rondônia não precisa apenas de candidatos preparados para o debate. Precisa conhecer projetos capazes de sobreviver ao debate e chegar à realidade.
E, até aqui, o eleitor ainda está esperando ouvir propostas que expliquem, de forma concreta, como Rondônia será governada a partir de 2027.


