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Defensivos biológicos conquistam o campo

Foto: Divulgação

Químicos ou biológicos, os defensivos agrícolas são imprescindíveis para o manejo de pragas, doenças e plantas daninhas, principalmente em um país tropical, como é o caso do Brasil, com capacidade de ter duas safras agrícolas por ano. “Por meio da aplicação correta de defensivos, cada vez mais modernos e desenvolvidos para alvos específicos, conseguimos garantir uma agricultura altamente produtiva, além de uma gestão sustentável das atividades agrícolas”, explica Leandro Bessa, diretor de portfólio de produtos da Syngenta, desenvolvedora de tecnologias para o mercado agrícola.

De acordo com a Kynetec, empresa especializada em análise e dados sobre agricultura, o mercado brasileiro de defensivos agrícolas movimentou US$ 19,7 bilhões na safra 2023/2024, uma queda de 12,26% em relação à safra 2022/2023. A soja foi responsável por 51% do mercado total de defensivos, movimentando aproximadamente US$ 9,9 bilhões. Na segunda posição vem o milho, com 14%, ou US$ 2,7 bilhões, seguido da cana-de-açúcar, com 10%, e do algodão, com 7%.

A retração dos negócios de defensivos na última safra tem sua razão de ser, de acordo com Ademar De Geroni, vice-presidente de marketing da divisão de soluções para a agricultura da Basf na América Latina. “O mercado agrícola como um todo atravessou um ritmo lento de comercialização de grãos e, consequentemente, dos defensivos e sementes. Entretanto, no final do segundo trimestre deste ano, em função da aproximação do plantio da safra 2024/2025, os negócios começaram a se aquecer. O mercado reagiu e está em nível parecido com o da safra anterior, com tendência de aceleração nos próximos meses”, diz.

Paralelamente à reação das vendas pós-safra 2023/2024, o mercado de defensivos vem se modernizando, principalmente o segmento de agroquímicos. “Os produtos estão cada vez mais eficientes e capazes de proporcionar menores danos ao meio ambiente. Soma-se a isso uma agenda regulatória rígida, encarregada de respaldar a segurança para quem manuseia os defensivos e quem compra ou consome o alimento”, argumenta Marcelo Pessanha, diretor VP de marketing e vendas da Lavoro.

Em função da menor toxicidade por toda a cadeia produtiva e vantagens técnicas e econômicas, os defensivos biológicos, responsáveis ainda por uma pequena parcela do mercado, vão ganhando cada vez mais espaço na agricultura brasileira. Segundo pesquisa recente da CropLife Brasil, o segmento de bioinsumos no país, incluindo produtos de controle, inoculantes, bioestimulantes e solubilizadores, cresceu 15% na safra 2023/2024, em comparação à safra anterior. Foram comercializados, nesse período, R$ 5 bilhões, considerando o preço final ao consumidor.

Dados da mostra apontam ainda uma taxa anual de crescimento de 21% nos últimos três anos, quatro vezes acima do mercado global de defensivos. A soja lidera o uso de bioinsumos no Brasil, com 55%, vindo em seguida o milho, a cana-de-açúcar, o algodão, o café e os citrus.

Existem 130 empresas atuando no segmento de bioinsumos no país. De acordo com a Embrapa, até 2023 foram registrados 616 biopesticidas – em 2011 eram apenas 23. Ao todo, eles reúnem 95 ativos em espécie, que podem ser utilizados contra 193 pragas e doenças, como a cigarrinha, helicoverpa, ferrugem da soja, entre outras pragas.

“Um dos fatores que estão alavancando o uso dos defensivos biológicos é o fato de as pragas das lavouras, depois de um certo tempo de uso, se tornarem mais resistentes aos defensivos químicos. Por causa disso, os biodefensivos se apresentam como mais indicados”, salienta Lucas Santiago, sócio-associado da consultoria Mirow & Co.

As vantagens desses insumos não param por aí. “Defensivos biológicos apresentam boa eficácia no controle de doenças e pragas. Além disso, são seletivos nos alvos em que pretendem estabelecer o controle. Em função disso, não agridem o meio ambiente”, afirma Pedro Marcellino, diretor de marketing da AgBiTech.

A Basf investiu em uma nova fábrica de fermentação para produtos biológicos em uma de suas unidades da Alemanha e outros 2,5 milhões de euros na ampliação de sua capacidade produtiva de biológicos na Argentina. E a Syngenta, por sua vez, anunciou em 2023 a criação de sua marca global para biológicos: a Syngenta Biologicals.

Fonte: Maria Lúcia D’Urso, da Valor Econômico

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