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Duas Rodas, Vidas em Risco: a epidemia silenciosa das motos no trânsito de Rondônia

Foto: Reprodução

Redação A Gazeta de Rondônia

Por Paulo de Tarso – Jornalista

Com maioria da frota nas cidades e protagonismo nas estatísticas de mortes, motociclistas concentram quase 70% das vítimas fatais no estado. Especialistas alertam: é preciso mudar cultura, infraestrutura e fiscalização antes que o número de tragédias aumente.

Em Porto Velho e no interior de Rondônia, o barulho das motos domina o trânsito. São rápidas, econômicas e muitas vezes o único meio de transporte possível. Mas também são as mais vulneráveis.

Dados do Departamento Estadual de Trânsito de Rondônia (Detran-RO) revelam um cenário persistente: motociclistas e passageiros de motos representam entre 60% e 70% das mortes no trânsito do estado, dependendo do ano analisado.

O problema não está apenas na capital. Ji-Paraná, Ariquemes, Cacoal, Vilhena e outros municípios acompanham índices elevados, refletindo o crescimento acelerado da frota de duas rodas.

Panorama Geral do Trânsito em Rondônia

Proporção de vítimas fatais por tipo de veículo (média dos últimos anos)

Motocicletas ▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓ 65%
Automóveis ▓▓▓▓▓▓▓▓ 20%
Outros veículos ▓▓▓▓ 15%

📌 Fonte: Anuário Estatístico de Sinistros – Detran-RO

Porto Velho lidera em números absolutos

Como maior cidade do estado, Porto Velho concentra o maior volume de ocorrências. A combinação de:

  • Crescimento urbano acelerado

  • Frota majoritariamente composta por motocicletas

  • Alta circulação de entregadores e mototaxistas

  • Trechos urbanos de rodovias federais

cria um ambiente de risco constante.

Segundo o Detran-RO, avenidas de grande fluxo e cruzamentos extensos figuram entre os pontos mais críticos.

Onde os acidentes mais acontecem?

Capital e Interior

Porto Velho

  • Trechos urbanos da BR-364

  • Grandes avenidas com múltiplos cruzamentos

  • Regiões comerciais com alto fluxo de entregas

Interior

  • Acessos a municípios

  • Rodovias estaduais

  • Perímetros urbanos com iluminação precária

Perfil predominante das vítimas:

No Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II, em Porto Velho, os acidentes com motos fazem parte da rotina.

“A maioria dos casos graves envolve motociclistas. São fraturas múltiplas, traumatismo craniano e sequelas permanentes”, relata um médico da unidade.

O impacto vai além da vítima. São famílias afetadas, meses sem renda, afastamento do trabalho e sobrecarga no sistema público de saúde.

Principais causas apontadas

Segundo especialistas e dados do Detran-RO:

  • Excesso de velocidade
  • Uso de celular ao pilotar
  • Consumo de álcool
  • Falta de habilitação
  • Avanço de sinal e imprudência

Operações recentes identificaram dezenas de motociclistas conduzindo sem CNH apenas na capital.

Histórias que dão rosto aos números

Carlos, mototaxista em Porto Velho, passou três meses afastado após colisão em cruzamento:

“Eu trabalho na rua todo dia. Um erro de outro motorista quase tirou minha vida.”

Já no interior, Ana Paula perdeu o filho de 22 anos em um acidente noturno:

“Era só uma saída rápida. Hoje a cadeira dele está vazia.”

Esses relatos escancaram o que as estatísticas não conseguem traduzir sozinhas, para especialistas da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), o desafio vai além da repressão.

“É preciso investir em formação contínua, infraestrutura urbana e engenharia de tráfego. A mudança cultural é fundamental.”

O Detran-RO aposta em campanhas educativas, blitz integradas com a Polícia Militar, e projetos específicos voltados aos motociclistas.

O que precisa mudar?

Educação permanente no trânsito
Fiscalização contínua
Engenharia viária mais segura
Iluminação e sinalização adequadas
Formação responsável de novos condutores

Estudos nacionais, como o Atlas da Violência (IPEA/FBSP), já colocaram o estado entre as maiores taxas proporcionais de mortes por motociclistas no Brasil. O alerta é claro: o problema não é pontual, é estrutural.

Em Rondônia, a motocicleta é ferramenta de trabalho, mobilidade rápida e alternativa econômica. Mas também é o veículo mais exposto.

A cada partida de motor, há uma decisão implícita: conduzir com responsabilidade ou apostar na sorte. Os números mostram que a sorte tem perdido.

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