Redação A Gazeta de Rondônia
Texto: Paulo de Tarso Cabral
No Dia Internacional da Mulher, histórias de agricultoras revelam coragem, superação e liderança feminina que impulsionam a agricultura familiar em Rondônia.

Antes mesmo do primeiro raio de sol iluminar a zona rural de Porto Velho, muitas mulheres já estão de pé, preparando o dia que começa cedo no campo. Entre plantações, criação de animais, cuidado com a casa e a família, elas também administram propriedades, tomam decisões e ajudam a movimentar a economia rural. No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, essas histórias ganham destaque e mostram que a força feminina também brota da terra.
Em diversas comunidades rurais da capital rondoniense, a presença feminina deixou de ser apenas apoio e passou a ocupar papel central na produção agrícola. Hoje, muitas propriedades da agricultura familiar são conduzidas por mulheres que enxergam na terra não apenas o sustento, mas um caminho de autonomia e dignidade.
Uma dessas histórias vem do assentamento Nova Conquista, localizado a cerca de 14 quilômetros de Porto Velho. Lá vive a agricultora Raimunda Luiza Nunes Moreira, de 47 anos, conhecida pelos vizinhos como exemplo de determinação.

Em um pedaço de terra de três hectares, Raimunda cultiva alface, couve, cheiro-verde e macaxeira. No quintal, cria porcos, galinhas e produz ovos caipiras que ajudam a complementar a renda da família. A produção é vendida principalmente sob encomenda para moradores da região e pequenos comerciantes.
A rotina não é fácil, mas Raimunda não pensa em desistir. Mesmo enfrentando tratamento contra câncer de mama, ela segue firme na lida diária.
“A roça é de onde tiramos o sustento. Mesmo com a doença, não parei. A gente planta com fé e com esperança de dias melhores para nossa família”, conta, com emoção.
Histórias como a dela são cada vez mais comuns na zona rural de Porto Velho. De acordo com dados do setor agrícola nacional, as mulheres já representam cerca de 38% da força de trabalho no agronegócio brasileiro e ocupam uma parcela crescente em funções de gestão dentro das propriedades.
Quem acompanha essa transformação de perto é a engenheira agrônoma Lais Mary Lisboa de Lima, que atua há mais de 15 anos em projetos voltados ao fortalecimento da agricultura familiar.

Segundo ela, o perfil das produtoras rurais tem se destacado pela organização e pela busca constante por conhecimento.
“A mulher do campo é extremamente dedicada. Muitas participam de cursos, procuram assistência técnica e assumem a administração da propriedade com muita responsabilidade. Elas pensam no presente, mas também planejam o futuro da família”, explica.
O apoio institucional também tem contribuído para ampliar esse protagonismo. A Secretaria Municipal de Agricultura (Semagric) desenvolve ações voltadas para capacitação, assistência técnica, elaboração de projetos e incentivo à comercialização da produção.
Para o secretário da pasta, Rodrigo Ribeiro, valorizar a mulher agricultora significa fortalecer toda a cadeia da agricultura familiar.
“Quando a mulher cresce no campo, toda a família cresce junto. Nosso trabalho é garantir apoio técnico e oportunidades para que elas possam produzir mais e com melhor qualidade”, afirma.
Mais do que uma data comemorativa, o Dia Internacional da Mulher se transforma em um momento de reconhecimento para quem enfrenta sol forte, chuva, estrada de chão e jornadas longas sem perder a esperança.
Na roça, entre canteiros verdes e galinhas ciscando no quintal, mulheres como Raimunda seguem mostrando que coragem, trabalho e amor pela terra são sementes capazes de transformar realidades.
E, como dizem muitas agricultoras da região, “quem planta com luta, colhe dignidade.”
Fotos: Divulgação/PMPVH/cedidas


