Senador do PL concedeu entrevista em Miami após deixar o Brasil; TSE atestou lisura das eleições 2026
Flávio Bolsonaro, senador pelo PL-RJ, reconheceu em entrevista concedida em Miami (cidade onde reside desde que saiu do Brasil) não dispor de evidências de fraude nas eleições de 2026. Ainda assim, declarou que o PL tem a intenção de protocolar um pedido de cassação contra a chapa Lula/Alckmin, com base em alegações de abuso de poder econômico.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, atestou a lisura do processo eleitoral de 2026, afirmando ter “absoluta segurança do processo eleitoral”. Flávio, por sua vez, afirmou que investigar o tema é proibido no país.
Pedido de cassação e alegações sobre a votação
O fundamento invocado pelo PL para embasar o pedido de cassação seria a utilização, durante a campanha, de programas e benefícios governamentais, como o Bolsa Família, o Pé-de-Meia Universitário e um repasse de R$ 5.000 destinado a microempreendedores individuais (MEIs), ações que Flávio enquadra como abuso de poder econômico. O partido não divulgou quando formalizará o pedido, e o desfecho de eventual julgamento permanece incerto.
Flávio também afirmou não haver explicação matemática para a votação de Lula no segundo turno em relação ao primeiro. Segundo ele, Lula recebeu 10,3 milhões de votos no segundo turno, enquanto o próprio Flávio obteve 3,7 milhões. O senador ainda mencionou a prorrogação da eleição na Bahia por duas horas após as 17h, atribuída ao ministro do STF Cristiano Zanin.
Saída do Brasil e vida nos EUA
Segundo Flávio, a decisão de deixar o país foi motivada pela recusa em, segundo suas próprias palavras, “não legitimar processo ditatorial comandado pelo [ministro do STF] Alexandre de Moraes.” O senador relatou ter recebido uma intimação da Polícia Federal e afirmou que agentes o comunicaram, na segunda-feira seguinte às eleições, de que sua saída do território nacional estava vedada. Foi nesse momento que, segundo ele, Jair Bolsonaro lhe disse: “Você sabe onde é que eles querem chegar, né?”, ao que Flávio respondeu: “Pai, fique tranquilo que eu sei o que tenho que fazer”. Mesmo diante da vedação, embarcou.
O senador se recusou a detalhar como saiu do país e quem eventualmente o ajudou ou financiou. “Não vou falar sobre isso para ninguém”, afirmou. Sobre sua situação financeira, disse apenas: “Tenho reservas.” Ainda não decidiu em qual estado dos EUA vai se estabelecer com a família.
Flávio declarou ter o desejo de voltar ao Brasil, porém afirmou não querer repetir o que avalia como um equívoco cometido pelo pai, Jair Bolsonaro: retornar ao país em 2023 após três meses na Flórida e acabar preso pouco mais de dois anos depois.
Mandato e planos para 2030
O senador afirmou que pretende continuar exercendo o mandato de forma virtual, sempre que houver possibilidade. Ele também acusou o governo Lula de ter um projeto que classificou como comunista e disse que o Brasil não vive democracia plena por falta de liberdade de manifestação.
Sobre 2030, Flávio afirmou que “todo mundo tem o direito de se colocar como candidato” e que pretende concorrer à Presidência se o PL concordar. Caso Jair Bolsonaro recupere seus direitos políticos (o que ainda não ocorreu), Flávio disse que seria o candidato do partido. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) também é apontado como possível candidato naquele pleito.
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