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Flávio Bolsonaro perde apoio na direita após viagem aos EUA, aponta Quaest

(Foto: Eva Marie Uzcategui/Reuters)

Pesquisa mostra que 62% reprovam a decisão do senador; contestação das eleições também enfrenta resistência da maioria

A viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos e sua tentativa de contestar o resultado das eleições provocaram desgaste político e dividiram até mesmo parte de sua base eleitoral. É o que aponta a pesquisa pós-eleitoral “O Brasil depois das urnas”, realizada pela Quaest e divulgada neste domingo (08/11).

Segundo o levantamento, 62% dos brasileiros que souberam da viagem consideram a decisão errada, avaliação compartilhada por metade dos eleitores que se identificam como de direita.

A viagem aos Estados Unidos foi o acontecimento político recente de maior repercussão entre os entrevistados: 89% disseram ter conhecimento do deslocamento. O índice supera o registrado em outros episódios políticos, como o escândalo do Banco Master e a reunião do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com embaixadores, em 2022.

A percepção sobre os motivos da viagem também é desfavorável ao senador. Para 56% dos entrevistados, Flávio deixou o Brasil para fugir da Justiça. Outros 35% acreditam que ele viajou para se proteger de uma suposta perseguição política.

A narrativa de perseguição encontra maior respaldo entre os eleitores mais identificados com o bolsonarismo. Entre os independentes, apenas um terço concorda com essa interpretação, indicando dificuldades para o senador ampliar o apoio à sua versão dos acontecimentos.

O resultado evidencia uma divisão na direita, inclusive entre eleitores que apoiaram Flávio no segundo turno. A reprovação à viagem por metade desse grupo representa um sinal de desgaste para o parlamentar dentro do próprio campo político.

Contestação das eleições tem reprovação maior que a de Bolsonaro em 2022

A pesquisa também avaliou a reação dos brasileiros à tentativa de Flávio Bolsonaro de questionar o resultado das eleições e se autodeclarar presidente do Brasil. O episódio é conhecido por 70% da população e teve avaliação predominantemente negativa.

Para 60% dos entrevistados, o senador agiu mal diante do resultado eleitoral. O índice de reprovação é superior ao registrado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em dezembro de 2022, quando 45% avaliaram negativamente sua postura em um contexto semelhante, após a derrota nas urnas.

Além disso, 59% desaprovam a iniciativa de Flávio de levantar dúvidas sobre o resultado da votação. A resistência está relacionada à confiança da maioria dos brasileiros no processo eleitoral: 61% consideram que as eleições foram limpas e justas.

A percepção de que houve fraude permanece restrita a cerca de 30% dos entrevistados, proporção semelhante à registrada em 2022. Os números indicam que a contestação das urnas não encontrou respaldo na maior parte do eleitorado.

País dividido, mas com expectativa positiva sobre Lula

Apesar da polarização política, a pesquisa identificou um sentimento de otimismo em relação ao futuro do país. Para 81% dos brasileiros, o Brasil saiu dividido das eleições, mas 94% afirmam torcer para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faça um bom governo.

O índice de apoio a um bom desempenho do governo é o mesmo registrado no início do mandato anterior de Lula. Já o otimismo com o futuro do Brasil aumentou: passou de 38%, em outubro de 2022, para 44% no levantamento atual.

Entre os fatores que alimentam as expectativas positivas, a defesa da democracia e o combate ao bolsonarismo aparecem em primeiro lugar, mencionados por 20% dos entrevistados. Na sequência estão a manutenção de programas sociais e a redução da desigualdade, com 17%, e a possibilidade de regulamentação das redes sociais e das apostas esportivas, com 16%.

Por outro lado, entre os entrevistados que manifestaram preocupação com o futuro do país, a economia concentra a maior parcela das respostas. Gastos públicos, dívida e juros foram citados por 27%. Segurança pública aparece em seguida, com 17%, enquanto o risco de corrupção foi mencionado por 12%.

Fim da escala 6×1 lidera prioridades do governo

O levantamento também identificou as principais demandas da população para o novo mandato de Lula. O fim da escala de trabalho 6×1 aparece como a principal prioridade, mencionado por 17% dos entrevistados.

A isenção de impostos sobre a cesta básica ocupa a segunda posição, com 16%. Em seguida, aparecem a valorização real do salário mínimo, com 11%, e a criação de um pacto contra o feminicídio, apontada por 10%.

Os resultados mostram que, além das expectativas relacionadas à democracia e à estabilidade política, os brasileiros esperam medidas concretas nas áreas econômica, trabalhista e social.

Metodologia

A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas presencialmente entre 30 de outubro e 2 de novembro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

TMC

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