De acordo com o líder do PT, ‘a política externa de submissão da extrema direita brasileira rendeu mais um capítulo vergonhoso’
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai, publicou duas críticas à extrema direita brasileira nesta sexta-feira (26) após a carta enviada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em um documento que defendia o tarifaço de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para o país presidido por Donald Trump.
“O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, viajou até Washington para fazer lobby e acabou recebendo o tratamento adequado de um legítimo vira-latas”, escreveu o petista na rede social X. De acordo com o deputado do Partido dos Trabalhadores, “a política externa de submissão da extrema direita brasileira acaba de render mais um capítulo vergonhoso”.
Conforme o líder do PT, a carta enviada por Rubio ao senador brasileiro “escancara o que todo mundo já sabe: a família Bolsonaro (Flávio, Eduardo e o clã inteiro) não passa de um grupo de ‘lambe-botas’ de Donald Trump”. “Eles humilham o Brasil no cenário internacional, batem palma para os líderes norte-americanos que quebram as nossas indústrias e acham que vão governar o país de joelhos para Washington”, continuou.
“Em resposta oficial à sua carta, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reafirmou as pesadas taxações americanas sobre o Brasil. Um deboche com o nosso setor produtivo e com o nosso povo. Eles defendem os interesses dos bilionários americanos, enquanto o trabalhador e o empresário brasileiro pagam a conta. Que vergonha!”, desabafou Uczai.
Outras lideranças, como os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ), Carlos Zarattini (PT-SP) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), também se pronunciaram sobre a carta, defenderam a soberania brasileira e demonstraram repúdio às articulações feitas pela família Bolsonaro junto ao governo do presidente dos EUA, Donald Trump.
Entenda
No começo de junho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) defendeu tarifas de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. O órgão fez críticas ao Pix e, mesmo sem provas, acusou o governo brasileiro de implementar ações ilegais na área do comércio.
Também no início deste mês, os EUA classificaram as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Por consequência, a medida estimula sanções contra o Brasil.
O motivo para a guerra comercial lançada pelos EUA e para a classificação das facções são as condenações em investigações sobre tentativas de golpe. O Supremo Tribunal Federal condenou 29 pessoas no inquérito da trama golpista. Jair Bolsonaro (PL) recebeu a pena mais alta: 27 anos de cadeia.
O STF também determinou mais de 1,4 mil condenações no inquérito sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando bolsonaristas invadiram o Palácio do Planalto, onde fica o gabinete presidencial. O STF e o Congresso Nacional também foram invadidos pelos participantes das manifestações terroristas.
Outra punição do Judiciário brasileiro foi anunciada em novembro de 2022, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aplicou uma multa de R$ 22,9 milhões ao PL, partido de Jair Bolsonaro, após a legenda questionar a confiança das urnas eletrônicas.
Práticas golpistas são defendidas tanto por bolsonaristas no Brasil como por trumpistas nos EUA. Em janeiro de 2021, quando Trump perdeu a eleição, vários apoiadores dele invadiram o Legislativo e acusaram o sistema eleitoral de ser fraudulento.
A política externa de submissão da extrema direita brasileira acaba de render mais um capítulo vergonhoso. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, viajou até Washington para fazer lobby e acabou recebendo o tratamento adequado de um legítimo vira-latas.
Fonte: Brasil 247


