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Fumaça tóxica do 11 de setembro já matou mais do que o dobro das vítimas dos ataques

Reprodução/YouTube

Câncer matou 5.892 expostos à poeira tóxica; 57.044 casos foram registrados pelo CDC até junho de 2026

Nos 25 anos decorridos desde os ataques de 11/09 de 2001, quase 9.700 pessoas perderam a vida em consequência de enfermidades relacionadas ao dia que transformou os Estados Unidos. Esse total é mais de duas vezes superior às 2.753 vítimas que morreram diretamente nos ataques. Os números constam do Fundo de Compensação das Vítimas do 11/09, com atualização até 31/07.

O câncer lidera as causas dessas mortes tardias. A enfermidade ceifou a vida de 5.892 pessoas que inalaram a poeira e a fumaça tóxica que encobriram Manhattan após o desabamento das Torres Gêmeas. No total, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) contabilizou 57.044 diagnósticos de câncer em socorristas e civis que estiveram expostos, segundo dados até 30/06.

Os tipos de câncer mais comuns

O câncer de pele não melanoma lidera os diagnósticos, com 18.380 casos. O câncer de próstata aparece em segundo lugar, com 13.170. Entre as mulheres, o câncer de mama soma 4.830 diagnósticos. Melanoma e linfoma completam os tipos mais frequentes, com 3.860 e 2.560 casos, respectivamente.

A comparação com a população geral revela riscos muito elevados. Uma análise das informações do Programa de Saúde do World Trade Center indica que os participantes apresentam probabilidade 123 vezes maior de desenvolver câncer de tireoide, 119 vezes maior de melanoma e 98 vezes maior de câncer de próstata. Entre as mulheres cadastradas no programa, a chance de câncer de mama é 100 vezes maior do que na média da população.

O advogado Michael Barasch, responsável pela representação de 50 mil casos relacionados ao 11/9, revelou que seu escritório atende 100 homens diagnosticados com câncer de mama. “Só 1,5% de todos os casos de câncer de mama são masculinos”, disse.

400 mil expostos à nuvem tóxica do 11 de setembro

Estima-se que 400 mil pessoas tiveram exposição significativa às toxinas na área abaixo da Canal Street, em Manhattan. A nuvem de poeira e fumaça continha compostos cancerígenos como chumbo, mercúrio e cádmio. Cerca de 90 mil socorristas e 60 mil civis aderiram ao programa de saúde criado para monitorar os expostos.

O diretor médico Michael Crane afirma que o número real de casos pode ser maior porque milhares de expostos nunca entraram no programa. “Essas crianças agora estão na casa dos 20 anos e continuam em grande parte sem estudo”, disse, ao citar menores que viviam ou circulavam na região.

Além do câncer, 3.679 participantes do programa têm doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), segundo o CDC.

Demência precoce entre socorristas

Um dos efeitos mais recentes identificados é a demência precoce. Do total de 6.002 socorristas acompanhados pelo Programa de Saúde do World Trade Center, 522 apresentam sinais da doença, o equivalente a 8,7% do grupo. A taxa é sete vezes maior do que na população geral.

Lucille Fredericks, ex-policial de 59 anos, relata dificuldades para lembrar tarefas e palavras do cotidiano desde que deixou a corporação, em 2005. “Está lá, mas não consigo encontrar as palavras certas para lembrar”, disse ela ao jornal New York Post.

Um estudo publicado na revista Jama, que analisou 5.010 socorristas entre 2014 e 2023, registrou 228 casos de demência. A idade mediana do grupo era de 53 anos quando o estudo foi realizado. Entre os trabalhadores com exposição severa, a taxa chegou a 42,37 casos por mil pessoas-ano, contra 1,19 casos por mil pessoas-ano na população geral.

Benjamin Luft, diretor do programa de monitoramento do World Trade Center na Stony Brook University, que acompanha cerca de 13 mil socorristas, afirmou que entre 3% e 5% dos pacientes desenvolveram demência.

TMC

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