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Greve no DER de Rondônia explode e expõe suposto loteamento político e farra de cargos

Foto: Reprodução

Servidores denunciam excesso de comissionados, desvio de função e travamento de negociações mesmo com Estado em superávit

Uma greve que será deflagrada no Departamento Estadual de Estradas de Rodagem e Transportes de Rondônia (DER/RO) no próximo dia 24 de março escancara uma crise que vinha sendo denunciada há anos: suposto aparelhamento político, contratação indevida de comissionados, distorções salariais e falta de diálogo com os servidores.

Segundo o Sindicato dos Servidores do Departamento de Estradas de Rondônia – SINDER, e o Sindicato dos Engenheiros do Estado de Rondônia – SENGE, o órgão conta com cerca de 1.400 trabalhadores, porém pouco mais de 400 são efetivos. O restante é formado por comissionados e servidores cedidos por prefeituras — quase todos indicados por parlamentares e beneficiados com gratificações e diárias em valores elevadíssimos.

“O DER está loteado”, afirmou o presidente do SINDER.

Comissionados em desvio de função

As denúncias vão além dos números. De acordo com os servidores, cargos comissionados registrados como funções de direção superior – CDS – estariam sendo usados para atividades operacionais, como motoristas, operadores de máquinas e até engenheiros — funções que deveriam ser exclusivas de concursados.

PCCS travado por interesses políticos, dizem entidades

Para corrigir essas distorções, os sindicatos propuseram ainda em 2022 um novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), elaborado por consultoria especializada, com reestruturação administrativa e mecanismos para reduzir a ingerência política.

No entanto, após a conclusão do estudo e a entrega do projeto, as negociações começaram a travar.

Segundo as entidades, o impasse ocorre justamente por atingir um ponto sensível: a quantidade de cargos comissionados e o pagamento de gratificações.

“Tais distorções têm impedido o avanço das negociações, não por falta de recursos, mas por interesses alheios ao interesse público. Nós queremos apenas uma instituição que esteja a serviço do povo, do homem do campo, que é quem sofre com a falta de institucionalidade no DER”, afirmam.

Estado com superávit, mas sem avanço para servidores

Apesar das alegações de entraves administrativos, os sindicatos destacam que o Estado de Rondônia vem registrando superávit financeiro desde o início da atual gestão, o que, na avaliação das entidades, elimina justificativas econômicas para a falta de avanços.

Segundo representantes da categoria, os servidores do DER desempenham papel essencial no escoamento da produção estadual, contribuindo diretamente para a arrecadação de impostos.

“Nunca vimos tantos gastos com gratificações, comissionados, diárias e verbas indenizatórias. Não queremos privilégios, queremos justiça.”

Desde 2009, a categoria teve apenas um reajuste salarial, em 2022 — considerado insuficiente para recompor as perdas inflacionárias de todos esses anos.

Enquanto isso, outras categorias do serviço público estadual já foram contempladas com reajustes e planos de carreira, ampliando o sentimento de desigualdade.

Promessas não cumpridas e silêncio do governo

Outro ponto de revolta é o auxílio alimentação, prometido desde 2022 e nunca implementado. Segundo os sindicatos, os servidores do DER são os únicos que ainda não recebem o benefício.

A situação piorou com o que a categoria chama de “silêncio institucional”. Ofícios enviados em 2025 e 2026 solicitando negociação sequer foram respondidos pela Mesa Estadual de Negociação Permanente.

Greve é resultado de anos de impasse

A crise se arrasta desde pelo menos 2024, quando uma greve chegou a ser iniciada, mas foi suspensa por decisão judicial com promessa de negociação — que, segundo a categoria, nunca ocorreu.

“Eles dizem: façam greve que nós conseguimos limiar. Mesmo tudo errado, eles não temem a justiça e aos órgãos de fiscalização.” Afirmam os servidores

Agora, sem acordo e após anos de frustração, os servidores decidiram parar.

A paralisação não é apenas salarial: ela expõe um problema mais profundo sobre gestão, falta de institucionalidade e interferência política em um órgão técnico.

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