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Leite cru sobe em julho, mas alta nas importações ameaça preços

Canva/ Reprodução

Aumento na oferta externa e desaceleração nos derivados acenam para recuo nos preços em breve

O preço médio do leite cru captado pelos laticínios registrou reação em julho, impulsionado pela sustentação da demanda por leite UHT (conhecido como leite longa vida) e pelo ritmo gradual de avanço da captação no campo. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), a “Média Brasil” líquida atingiu R$ 2,8761 por litro, valor que representa um avanço real de 4,65% em relação a junho e de 4,96% frente ao mesmo período do ano anterior (valores corrigidos pelo IPCA de julho/2026).

A concorrência entre os laticínios pela matéria-prima permaneceu aquecida ao longo do mês, amparada por estoques considerados confortáveis na indústria. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) subiu 2,38% na comparação mensal, embora ainda acumule uma retração de 9,3% no consolidado do ano.

Pelo lado da produção, os pecuaristas encontraram alívio temporário nas margens. O Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade manteve-se praticamente estável, com ligeira queda de 0,31%. Apesar das valorizações recentes do milho e do farelo de soja no mercado spot, o uso de estoques antigos de ração, adquiridos a preços mais baixos, evitou o repasse imediato para os concentrados. A expectativa do Cepea, no entanto, é de que a alta dos insumos volte a encarecer a alimentação animal nas semanas seguintes.

Desafios no mercado de derivados e pressão externa

Se o leito cru se valorizou no campo, a comercialização de derivados na indústria aponta para uma perda de ritmo. Pesquisas do Cepea realizadas em parceria com a OCB mostram que, enquanto o leite UHT teve alta de 7,35% em julho, as negociações de muçarela e leite em pó perderam fôlego, dificultando a manutenção das margens das indústrias.

Essa desaceleração nas vendas internas coincide com o aumento expressivo da presença do produto estrangeiro no mercado nacional. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que as importações de lácteos cresceram 9,01% em julho em relação a junho, somando 236,3 milhões de litros em equivalente-leite. O salto é ainda mais expressivo na comparação com julho de 2025: uma alta de 33,49%, puxada principalmente pelas compras de leite em pó (+7,54%) e queijos (+12,7%).

Com a combinação entre o aumento gradual da produção doméstica, a entrada expressiva de derivados importados e o ritmo lento na ponta final de vendas, os analistas do Cepea avaliam que o atual ciclo de alta está próximo do fim. A tendência para o encerramento do terceiro trimestre é de recuo nas cotações pagas ao produtor.

Por Itatiaia Agro

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