O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou nesta quarta-feira (26/11) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumirá pessoalmente a articulação para assegurar votos no Senado a favor da indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, ao Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração, feita durante cerimônia no Palácio do Planalto, confirma o clima de tensão entre o Executivo e o Congresso após a nomeação.
“A aprovação do Messias é uma questão muito importante. O presidente Lula vai entrar em campo como prioridade central do governo […] É prioridade para o governo”, disse Lindbergh.
A indicação não foi bem recebida pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que esperava ser comunicado previamente da decisão presidencial. O episódio é apontado como novo foco de desgaste entre o Planalto e o Senado — sobretudo após a reação pública de Alcolumbre, que classificou o gesto de Lula como “descaso”.
O relator escolhido para conduzir o processo de sabatina é o senador Weverton Rocha (PDT-MA), aliado do governo, mas cujo voto não determina o resultado. Seu papel será elaborar o parecer, favorável ou não, que abrirá a votação secreta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A aprovação de Messias exige maioria simples na CCJ e, depois, pelo menos 41 dos 81 votos no plenário — a chamada maioria absoluta. Embora a indicação tenha chances reais, o governo admite que a articulação será mais complexa do que o desejado.
A referência mais recente é a recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que passou com margem estreita: apenas quatro votos acima do mínimo necessário. O placar de 45 a 26 acendeu o alerta no Planalto.
A crise política ficou evidente nos últimos dias. Na Câmara, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou publicamente o rompimento com Lindbergh Farias, acusando o PT de ter disseminado “falsas narrativas” sobre o PL Antifacção. No Senado, Alcolumbre tem evitado contato com o governo e deixou transparecer que não pretende acelerar o processo de sabatina.
Interlocutores afirmam que Lula terá de reconstruir pontes — muitas delas desgastadas pela falta de diálogo direto com senadores que se queixam de não serem recebidos no Planalto.
Com a entrada explícita de Lula na articulação, o Palácio do Planalto tenta evitar um revés numa das votações mais sensíveis do mandato. A derrota de um indicado ao STF, embora rara (não ocorre desde o século XIX, no governo Floriano Peixoto), teria peso simbólico profundo, especialmente em um momento em que o governo enfrenta atritos simultâneos com Senado e Câmara.
Nos próximos dias, Lula intensificará conversas individuais com lideranças e senadores, numa operação política que será crucial para medir a força — ou fragilidade — do governo na relação com o Congresso.
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