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Lula diz que EUA taxam “com base em mentira” e reciprocidade mostra que Brasil “não é qualquer coisa”

(Foto: Ricardo Stuckert)

Presidente afirma que Brasil tem argumentos para contestar acusações norte-americanas e pede a Trump que não interfira nas eleições de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou após a aplicação da reciprocidade contra os Estados Unidos. O chefe do Executivo declarou que a lei serve para mostrar que o Brasil “não é qualquer coisa” e que vai “vencer na narrativa” o governo norte-americano. Ele ainda acusou a gestão de Donald Trump de taxar “com base em mentira”.

Em entrevista concedida no Palácio da Alvorada aos podcasts “Não Inviabilize” e “As Cunhãs”, nesta sexta-feira (14/08), Lula declarou ter argumentos suficientes para rebater as acusações norte-americanas e foi direto ao criticar a postura americana. “Eles taxaram o Brasil com base em mentira”, afirmou o presidente.

Mesmo adotando um tom assertivo na contenda comercial, Lula sinalizou o desejo de preservar uma relação harmoniosa com o Trump, a quem, segundo suas próprias palavras, trata “de forma muito respeitosa”.

O presidente brasileiro também manifestou a intenção de solicitar a Trump que se abstenha de intervir nos assuntos domésticos do Brasil, com ênfase particular no processo eleitoral. “Eu nunca me meti nas eleições deles. Por que ele vai se meter aqui?”, indagou Lula, que é candidato à reeleição em 2026.

Lei da Reciprocidade

O governo brasileiro deu início formal, na última quinta-feira (13/08), ao processo de enquadramento das sanções comerciais dos Estados Unidos na Lei de Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122/2025). A medida marca a primeira etapa para que o Brasil possa aplicar contramedidas proporcionais e retaliar o “tarifaço” de até 50% anunciado pela Casa Branca contra produtos nacionais, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.

As sobretaxas impostas por Washington atingem setores estratégicos da pauta de exportação brasileira, sob a alegação de supostas práticas comerciais desleais. O governo brasileiro refuta as acusações, lembrando que os Estados Unidos acumulam um superávit comercial bilionário com o Brasil nos últimos anos e que a alíquota média aplicada pelo país a produtos americanos é de apenas 3,1%.

Caso as negociações diplomáticas não resultem na anulação das tarifas, a legislação brasileira autoriza o Poder Executivo a adotar contramedidas rigorosas, tais como:

  • Restrição de importações: Aplicação de alíquotas extras e barreiras de entrada a bens e serviços originários dos EUA;
  • Direitos de Propriedade Intelectual: Suspensão temporária do pagamento de royalties ou licenciamento compulsório de patentes americanas no mercado interno;
  • Revisão de acordos: Suspensão de concessões comerciais e obrigações bilaterais.

TMC

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