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Lula vira o jogo em Minas e derrota Flávio no estado termômetro do Brasil

(Foto: Ricardo Stuckert)

Petista reverte vantagem de quase 590 mil votos do adversário no primeiro turno; abstenção recua, enquanto Nikolas Ferreira, um dos principais cabos eleitorais do senador, tem reduto eleitoral no estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) virou o resultado da disputa presidencial em Minas Gerais e venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições deste domingo (25/10). O petista reverteu uma desvantagem de quase 590 mil votos registrada na primeira etapa e terminou à frente do adversário por 98.717 votos, em um dos estados mais importantes para a definição das eleições presidenciais brasileiras.

Lula recebeu 6.329.646 votos, contra 6.230.929 de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, o senador havia conquistado 5.777.548 votos, enquanto o petista somou 5.188.936. A diferença inicial, de 588.612 votos a favor do candidato do PL, foi revertida na segunda etapa.

O resultado tem peso político e simbólico porque Minas Gerais é historicamente considerado um termômetro das eleições presidenciais. A expressão popular “quem vence em Minas, vence no Brasil” resume uma sequência histórica em que todos os candidatos eleitos presidente desde 1989 também venceram no estado.

Minas Gerais, o termômetro eleitoral do Brasil

A importância de Minas Gerais vai além do tamanho de seu eleitorado. A diversidade social, econômica e regional do estado faz com que o comportamento dos mineiros seja frequentemente comparado ao do eleitorado brasileiro como um todo.

O norte mineiro apresenta características semelhantes às de áreas do Nordeste, enquanto o sul tem traços próximos aos de São Paulo. A Zona da Mata e o Triângulo Mineiro também possuem particularidades que ajudam a explicar a heterogeneidade do estado.

O histórico recente reforça essa relação entre os resultados estaduais e nacionais. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno tanto no país quanto em Minas Gerais. O petista recebeu 50,90% dos votos válidos nacionalmente e 50,20% no estado. Bolsonaro obteve 49,10% no Brasil e 49,80% entre os mineiros.

A coincidência histórica, porém, não significa que as diferenças entre os resultados sejam sempre pequenas. Em 1994, por exemplo, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) conquistou 64,82% dos votos válidos em Minas Gerais, contra 54,28% no resultado nacional. Ainda assim, venceu nos dois cenários.

A virada de Lula em 2026 mantém o estado no centro da análise eleitoral, mas também representa uma mudança em relação ao primeiro turno, quando Flávio havia terminado na liderança entre os mineiros.

Derrota em reduto de Nikolas Ferreira

A vitória de Lula também chama a atenção por ocorrer em Minas Gerais, estado que abriga uma das principais bases políticas do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), uma das lideranças de maior projeção nacional do bolsonarismo.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia superado Lula por 588.612 votos no estado. O resultado indicava a força eleitoral do senador em um território estratégico para a direita, onde Nikolas construiu sua carreira política e ampliou sua influência entre os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante a campanha presidencial, Nikolas atuou como um dos principais cabos eleitorais de Flávio Bolsonaro, usando sua projeção política e seu alcance nas redes sociais para mobilizar apoiadores em favor da candidatura do senador.

A virada de Lula mostra que a vantagem obtida pelo candidato do PL na primeira etapa não se manteve até o encerramento da disputa. O petista ampliou sua votação em mais de 1,1 milhão de votos em relação ao primeiro turno, enquanto Flávio teve um crescimento de aproximadamente 453 mil votos.

A mudança no placar não significa, por si só, que os eleitores de Flávio no primeiro turno tenham migrado para Lula. Os números mostram, contudo, que o petista conseguiu ampliar sua votação o suficiente para ultrapassar o adversário em um estado no qual o senador havia começado a disputa em vantagem.

Abstenção diminui em Minas Gerais

Outro dado importante foi a redução da abstenção no segundo turno. O percentual de eleitores que não compareceram às urnas em Minas Gerais caiu de 22,81% no primeiro turno para 20,32% no segundo, uma redução de 2,49 pontos percentuais.

A queda ocorreu em uma disputa decisiva para a Presidência e foi acompanhada pelo crescimento da votação dos dois candidatos. Lula passou de 5.188.936 para 6.329.646 votos, enquanto Flávio avançou de 5.777.548 para 6.230.929.

A diminuição da abstenção indica que uma parcela maior do eleitorado compareceu às urnas na segunda etapa. Os dados, isoladamente, não permitem determinar em quem votaram os eleitores que haviam se ausentado no primeiro turno, mas ajudam a contextualizar a mudança no resultado.

A combinação entre maior comparecimento e crescimento da votação de Lula foi decisiva para que o petista revertesse a vantagem inicial de Flávio em Minas Gerais.

Lula também reduz diferença em São Paulo

Além da virada em Minas Gerais, Lula diminuiu a distância para Flávio Bolsonaro em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. O candidato do PL, no entanto, manteve a liderança no estado.

No segundo turno, Flávio recebeu 14.137.931 votos, contra 12.117.290 de Lula. A diferença ficou em 2.020.641 votos. No primeiro turno, a vantagem do senador havia sido de 3.416.610 votos, com 12.922.023 votos para Flávio e 9.505.413 para o petista.

A distância entre os dois, portanto, diminuiu em aproximadamente 1,4 milhão de votos entre as duas etapas.

A abstenção paulista também recuou, passando de 22,54% no primeiro turno para 19,81% no segundo, uma redução de 2,73 pontos percentuais.

Os resultados mostram comportamentos distintos nos dois maiores colégios eleitorais do país. Em Minas Gerais, Lula conseguiu reverter a desvantagem e terminou à frente de Flávio. Em São Paulo, o petista ampliou sua votação e reduziu a diferença, o que o ajudou a conseguir a virada sobre o adversário.

A combinação dos resultados reforça o peso de Minas Gerais na disputa presidencial e ajuda a explicar por que o estado é historicamente tratado como um termômetro eleitoral do Brasil.

TMC

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