Redação A Gazeta de Rondônia
Com variação acentuada de valores, pais precisam redobrar cuidados antes das compras; reaproveitamento e consumo consciente são aliados na volta às aulas
Com a proximidade do início do ano letivo de 2026, milhares de famílias em Rondônia enfrentam um desafio que se repete a cada janeiro: a compra do material escolar. Em um cenário de inflação persistente e orçamento doméstico cada vez mais apertado, especialistas e órgãos de defesa do consumidor alertam que a falta de planejamento pode transformar a lista escolar em um gasto muito acima do esperado.
Embora não haja, até o momento, um levantamento oficial específico do Procon Rondônia para este ano, pesquisas realizadas em outras regiões do país indicam um dado preocupante e que também se reflete no comércio local: o mesmo produto pode apresentar variações de preço superiores a 200%, 300% ou até mais, dependendo do estabelecimento.
Itens simples, como lápis, canetas, cadernos e apontadores, podem parecer baratos individualmente, mas, quando somados, representam uma fatia significativa do orçamento. O problema se agrava quando os pais compram todos os itens em um único local, sem comparar preços.
Em papelarias de bairros diferentes de Porto Velho, Ji-Paraná, Ariquemes e Vilhena, por exemplo, o consumidor encontra o mesmo caderno universitário com preços que variam do acessível ao quase proibitivo. Mochilas e estojos, especialmente os licenciados com personagens ou marcas famosas, lideram a lista dos itens mais caros.
Em gráficos comparativos, usados por órgãos de defesa do consumidor no Brasil, é comum observar:
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Canetas com diferença superior a 250%;
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Apontadores variando mais de 400%;
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Mochilas custando até quatro vezes mais conforme a marca e o local de compra.
Pesquisar preços não é opção, é necessidade
Economistas e especialistas em educação financeira são unânimes: pesquisar preços é o principal caminho para economizar. Comparar valores entre papelarias, lojas de departamentos, supermercados e plataformas online permite identificar oportunidades e evitar gastos desnecessários.
Uma prática cada vez mais comum entre os pais é a criação de planilhas simples, anotando preços por loja, ou até mesmo o uso do celular para fotografar etiquetas e decidir com calma antes de efetuar a compra.
Outra estratégia eficiente é não deixar tudo para a última hora. Quanto mais próximo do início das aulas, menores costumam ser as opções e maiores os preços.
Reaproveitar é economia e consciência
Antes de sair às compras, especialistas orientam os pais a realizarem um verdadeiro “inventário” do material do ano anterior. Muitos itens continuam perfeitamente utilizáveis e acabam sendo esquecidos em gavetas e mochilas.
Podem ser reaproveitados:
✔️ Lápis, lapiseiras, borrachas e canetas
✔️ Réguas, tesouras e colas
✔️ Apontadores e estojos
✔️ Mochilas em bom estado
✔️ Cadernos, fichários e blocos com folhas sobrando
Além de reduzir os gastos, o reaproveitamento contribui para a educação ambiental das crianças, ensinando desde cedo noções de consumo consciente e sustentabilidade.
Gastos variam conforme série e exigência escolar
Outro ponto importante é que os custos do material escolar variam significativamente conforme a etapa de ensino. Alunos da educação infantil geralmente exigem materiais de uso coletivo e itens de artes, enquanto estudantes do ensino fundamental e médio passam a demandar cadernos específicos, materiais de escrita em maior quantidade e até livros paradidáticos.
Em termos médios:
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Educação infantil: foco em materiais lúdicos e coletivos
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Ensino fundamental: aumento no número de cadernos e itens individuais
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Ensino médio: menor quantidade de itens, porém com maior custo unitário em alguns casos
Essas diferenças explicam por que, dentro de uma mesma família, o gasto com um filho pode ser bem maior que com outro.
Atenção à lista escolar
Os pais devem analisar com cuidado a lista fornecida pelas escolas. O Código de Defesa do Consumidor proíbe a exigência de materiais de uso coletivo ou itens que não estejam diretamente ligados às atividades pedagógicas individuais do aluno.
Caso haja dúvidas ou suspeita de irregularidades, a orientação é buscar esclarecimentos junto à escola ou acionar órgãos de defesa do consumidor.
Em Rondônia, o sentimento entre os responsáveis é de cautela. Muitos afirmam que, ano após ano, o material escolar pesa mais no orçamento.
“Hoje não dá para comprar sem pesquisar. Se entrar na primeira loja, o prejuízo é certo”, relata uma mãe de aluno da rede pública em Porto Velho.
Outro pai, morador do interior do estado, afirma que passou a reaproveitar materiais como forma de equilibrar as finanças da casa.
Dicas práticas para gastar menos
✔️ Estabeleça um orçamento máximo antes de ir às compras
✔️ Pesquise preços em pelo menos três locais diferentes
✔️ Evite produtos com personagens e marcas caras
✔️ Reaproveite o máximo possível
✔️ Considere compras em grupo para negociar descontos
✔️ Prefira qualidade em vez de quantidade
Em 2026, comprar material escolar em Rondônia exige atenção, planejamento e informação. Em um cenário de preços elevados e grandes variações entre estabelecimentos, o consumidor que pesquisa, reaproveita e compra de forma consciente consegue reduzir significativamente os gastos sem comprometer a qualidade do aprendizado dos filhos.


