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NOVO tarifaço de Trump mira Pix, critica corrupção e cobra fim do desmatamento

(Foto: Evan Vucci/Arquivo/Reuters)

Proposta de taxação de 25% sobre produtos brasileiros isenta frutas e Embraer

Acabei de ler as 110 páginas do documento e o que esse relatório traz basicamente é a conclusão de uma investigação contra o Brasil por práticas desleais no comércio. Afinal de contas, o Brasil violou as regras do comércio e prejudicou as empresas americanas ou não? A conclusão da Casa Branca é que, sim, o Brasil prejudica as empresas americanas e que, portanto, uma tarifa de 25% deve ser colocada sobre todos os produtos.

O documento tem várias e várias páginas com a lista dos produtos que vão ficar isentos. Ou seja, aqueles que não vão ter a tarifa de 25%. Por quê? Porque são produtos que não existem nos Estados Unidos. São produtos que, se for colocar uma tarifa de 25%, vai faltar, vai ficar mais caro, vai ter problemas para o consumidor norte-americano. E eles já aprenderam no ano passado que isso não é bom para quem? Para a popularidade de Donald Trump.

Ficam isentos laranja, limão, manga, mamão e também aeronaves e motores – ou seja, a Embraer. Esse é um primeiro capítulo. Mas vamos esclarecer isso: está valendo a tarifa de 25% contra todo mundo? Não. Essa é a proposta da equipe técnica de Trump.

E, agora, o governo norte-americano vai ouvir as partes interessadas, as empresas, e tomar uma decisão em julho. Há uma audiência no meio do caminho, no dia 6 de julho, para ouvir todos os lados e, finalmente, o próprio presidente tem a palavra final. Trump vai decidir se sim ou não.

Hoje escutei do governo brasileiro que, na verdade, esse documento não é uma investigação, é uma chantagem. É uma espécie de “olha, eu tenho isso aqui tudo contra vocês, como é que vocês querem negociar? O que é que vocês querem ceder para eu não aplicar agora essa tarifa tão elevada?”.

Os argumentos são vários. O primeiro deles o Pix. Segundo o governo norte-americano, o Pix é injusto com as empresas americanas de cartão de crédito. Nós, no Brasil, fazemos pagamentos por Pix e não estamos usando os cartões de crédito das marcas americanas. Então, isso está supostamente prejudicando estas empresas. O segundo é o etanol americano. E aí essa história começa a ficar estranha.

O etanol americano precisa pagar uma tarifa de 17% para entrar no Brasil. Isso está prejudicando a exportação americana. Um outro ponto, veja só, é o meio-ambiente. O Brasil não está controlando o desmatamento da Amazônia e em outras partes do Brasil.

É isso mesmo que você leu. O mesmo governo Trump que saiu do Acordo de Paris, de mudanças climáticas, está cobrando cuidados com o meio ambiente? Como assim?

O governo que saiu dos mecanismos de controle contra o desmatamento no mundo está acusando um outro governo de não cumprir metas ambientais e por isso está prejudicando as empresas americanas. Olha só a dimensão, a complexidade, desta situação.

Tem outros pontos, como a corrupção. Segundo o governo norte-americano, o Brasil não luta contra a corrupção de forma suficiente. Curiosamente, nesse capítulo não há nenhuma menção ao fato de que Sérgio Moro saiu do governo Bolsonaro, acusando aquele governo de ter feito o desmonte da luta contra a corrupção no Brasil.

Enfim, são vários argumentos, inclusive sobre as plataformas digitais, sobre o STF. Enfim, é, basicamente, uma ação ampla e que pega muitos setores da vida política do Brasil.

E agora vem esse pacote, na verdade, uma grande ameaça, como alguém do governo brasileiro me disse. Algumas coisas são difíceis de fazer do dia para a noite, como, por exemplo, acabar com o desmatamento. Como é que faz isso da noite para o dia para evitar uma taxa de 25%?

Como disse um membro do governo, o documento é um ato de extorsão.

TMC

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