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Operação Sutura expõe ferida aberta no IPAM e mira esquema que drenava recursos da saúde do servidor

Redação A Gazeta de Rondônia

Por: Paulo de Tarso 

Polícia Civil investiga suspeitas de fraudes, superfaturamento e pagamentos irregulares no instituto previdenciário de Porto Velho; servidores e particulares são alvos de medidas judiciais

Na manhã desta sexta-feira (16), a Polícia Civil de Rondônia levou às ruas a Operação Sutura, uma ação que vai além do cumprimento de mandados e atinge um tema sensível para milhares de famílias: a confiança no sistema que deveria proteger a saúde e a previdência dos servidores públicos municipais de Porto Velho.

Conduzida pela 2ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO-II), a operação cumpre 14 mandados de busca e apreensão em Porto Velho e Guajará-Mirim, além de medidas judiciais como afastamento de agentes públicos, sequestro e indisponibilidade de bens. As providências fazem parte de investigações que apontam indícios de fraudes no Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Município de Porto Velho (IPAM).

Segundo a Polícia Civil, os fatos apurados indicam que uma empresa da área de Fonoaudiologia, credenciada para a prestação de serviços básicos de saúde, teria passado a faturar procedimentos cirúrgicos de alta complexidade, em desacordo com os termos contratuais. As apurações também sinalizam suspeitas de superfaturamento, o que, em tese, ampliaria de forma indevida os custos arcados pelo instituto.

As investigações ainda indicam a participação de servidores públicos do IPAM e de particulares, com a manipulação de sistemas informatizados, duplicação de guias médicas e pagamentos considerados irregulares. Caso as suspeitas sejam confirmadas ao final do processo judicial, o esquema teria causado prejuízos aos cofres públicos, afetando recursos destinados à assistência de quem depende do sistema para consultas, tratamentos e cirurgias.

Embora os valores ainda estejam sob apuração, o impacto não se mede apenas em cifras. Cada real desviado de um fundo previdenciário ou assistencial representa menos atendimento, mais fila e mais angústia para servidores ativos e aposentados que contam com o IPAM em momentos de fragilidade — quando a saúde falha e o amparo público se torna essencial.

É justamente esse aspecto humano que torna a investigação ainda mais sensível. A suspeita de que um sistema criado para cuidar tenha sido utilizado para beneficiar interesses particulares abala a confiança de quem contribui mensalmente e espera retorno digno quando mais precisa.

Atuação integrada

A Operação Sutura conta com apoio da Delegacia Especializada em Combate à Corrupção (DECCO), do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRO), da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE/PCRO) e de outras delegacias da Polícia Civil, reforçando o caráter integrado da ação e a complexidade das apurações.

As autoridades ressaltam que as medidas cautelares têm como objetivo preservar provas, evitar a continuidade de eventuais irregularidades e garantir a possibilidade de ressarcimento ao erário, sempre respeitando o devido processo legal e a presunção de inocência dos investigados.

Mais do que uma operação policial, a Sutura funciona como um alerta sobre a necessidade de controles rigorosos, transparência nos contratos e fiscalização permanente de órgãos que administram recursos sensíveis. A ferida aberta pelas suspeitas ainda está sendo examinada, mas o corte feito pela investigação busca exatamente isso: impedir que o dinheiro público continue sangrando.

A Polícia Civil informa que as investigações prosseguem e que novas fases não estão descartadas, conforme a análise do material apreendido e o avanço das diligências.

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