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Pedágio em Rondônia avança, pressiona preços e expõe reação tardia da bancada federal

Foto: Divulgação / Comunicação ANTT

Redação A Gazeta de Rondônia

Cobrança nas rodovias promete melhorias na infraestrutura, mas gera impacto econômico e levanta questionamentos sobre a atuação dos parlamentares do estado

A implantação do sistema de pedágio nas rodovias que cortam Rondônia voltou ao centro do debate público ao se aproximar da fase prática. Apresentado como alternativa para garantir manutenção, segurança e investimentos em infraestrutura viária, o modelo passa a ser analisado com mais atenção justamente quando seus efeitos começam a atingir diretamente a população e o setor produtivo.

O avanço do processo trouxe também um componente político. Parlamentares da bancada federal rondoniense passaram a adotar um discurso mais crítico ao sistema apenas após a consolidação do modelo, o que gerou questionamentos sobre a ausência de uma atuação mais firme nas etapas iniciais. Para analistas e setores econômicos, o debate poderia ter sido aprofundado antes, quando ainda havia margem para ajustes estruturais.

No campo econômico, a principal preocupação é o impacto em cadeia provocado pela cobrança. Rondônia depende fortemente do transporte rodoviário para o abastecimento interno, escoamento da produção agropecuária e circulação de mercadorias entre municípios. Com o pedágio, o custo do frete aumenta e tende a ser repassado ao consumidor final.

Itens da cesta básica, medicamentos, combustíveis e materiais de construção estão entre os produtos mais sensíveis a esse reajuste. O impacto tende a ser ainda maior em municípios mais distantes, onde a logística já é onerosa. Pequenos comerciantes e produtores avaliam que a medida pode reduzir competitividade e pressionar ainda mais o custo de vida no estado.

Por outro lado, defensores do sistema destacam que o pedágio cria uma fonte contínua de recursos para conservação das rodovias, diminuindo a dependência exclusiva do orçamento público. A promessa é de estradas em melhores condições, com recuperação do pavimento, sinalização adequada, acostamentos, iluminação e serviços de atendimento ao usuário.

A expectativa é que rodovias mais seguras e eficientes reduzam acidentes, tempo de deslocamento e custos com manutenção de veículos, gerando ganhos operacionais no médio e longo prazo. Para o setor produtivo, a melhoria da infraestrutura pode compensar parte do custo adicional imposto pela tarifa.

A eficácia do modelo, no entanto, dependerá diretamente da fiscalização, da transparência na definição das tarifas e do cumprimento rigoroso das contrapartidas previstas nos contratos. Sem esses elementos, o pedágio corre o risco de ser percebido apenas como mais um encargo, e não como um investimento real em desenvolvimento.

Em meio a esse cenário, a cobrança por uma atuação mais preventiva da bancada federal se intensifica. Para a população e o setor produtivo, o debate chega em um momento delicado: quando a decisão já está tomada e os efeitos começam a pesar no bolso dos rondonienses.

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